Metaverso e NFTs: terreno fértil para as marcas colherem frutos junto aos consumidores do futuro

Crédito: Oscar Wong/ Unsplash

Nicolás Cáceres 4 minutos de leitura

Os videogames iniciaram seu período de dominância tecnológica e impacto cultural, revolucionando a indústria do entretenimento e da publicidade. Crianças e adolescentes passam mais tempo interagindo nesses espaços do que em mídias sociais ou plataformas de VOD.

Nos últimos anos, as crianças revitalizaram o conceito de comunidade, causando um boom nos espaços virtuais nos quais conversas acontecem, ideias fluem e a diversão é compartilhada. Através da criação de universos virtuais com componentes da vida cotidiana, como as plataformas Roblox, Minecraft, Animal Crossing ou Fornite, esses ambientes deixaram de ser apenas cenários para jogar, se configurando como espaços para a personalização de personagens e interação com amigos, permitindo às gerações Z e Alfa criarem expressões de identidade na web3.

Assim como há 10 anos era necessário que as marcas encontrassem seu papel dentro do universo das mídias sociais, agora elas são desafiadas a elaborar planos estratégicos específicos para navegar na galáxia do metaverso, a nova mídia social. Os nativos digitais são os atuais desbravadores dessa dimensão e têm características muito marcantes, que devem ser entendidas em suas especificidades por empresas que queiram conquistar relevância junto ao público infanto-juvenil: 


1. Identidade digital: usuários podem personalizar seus perfis com roupas e acessórios. 
2. Economia no jogo: comércio de bens virtuais e acesso a conteúdos exclusivos. 
3. Multiplataforma: pode ser reproduzido a partir de dispositivos móveis, consoles, laptops e desktop. 
4. Multi-estágio: cada experiência oferece jogos, desafios e recompensas. 
5. Comunidade aberta: todos os usuários podem desenvolver experiências e definir níveis de privacidade. 

CARACTERÍSTICAS DOS NFTs

Os metaversos estão remodelando a forma como as pessoas se conhecem, brincam, compram, trabalham, aprendem e constroem suas identidades digitais. Nesse contexto, os NFTs (tokens não fungíveis, na sigla em inglês) são uma nova forma de gerar experiências e contar histórias, com possibilidades incipientes e diversas. 

A relação entre metaverso e NFT é muito forte, tanto que 48% das trocas de NFT são feitas dentro de videogames e metaversos. Aquisição de itens de coleta ou associações exclusivas para seus titulares são apenas alguns exemplos.

Se o metaverso é a nova mídia social, podemos dizer que os NFTs são o novo conteúdo. Portanto, vale detalhar as três principais características desses ativos digitais: 

  • Único: cada NFT é irrepetível e não há outro como ele. 
  • Verificável: a tecnologia blockchain permite a rastreabilidade total do projeto. 
  • Útil: variedade de aplicações para gerar experiências. 

Se o metaverso é a nova mídia social, podemos dizer que os NFTs são o novo conteúdo.

Os NFTs são certificados por meio dos quais os ativos digitais são representados no blockchain (a web 3.0), permitindo a portabilidade e rastreabilidade de cada projeto, com segurança e transparência. Essa nova modalidade de bens virtuais é uma tendência emergente no mundo de crianças e adolescentes. Dois em cada 10 menores de idade conectados, no Brasil, possuem ou já fizeram alguma troca de NFTs e seis em cada 10 consideram os NFTs interessantes.*

Sua raridade, o status que conferem a quem os possui e sua utilidade são apenas alguns dos indicadores das razões por trás do sucesso dos NFT. Estamos dando os primeiros passos em direção à sua aplicação a todos os tipos de objetos e utilitários em vários metaversos, associados ou não a marcas e influenciadores favoritos do público infantil e adolescente.

MARCAS EM CAMPO

Algumas iniciativas, e suas respectivas acolhidas pelos consumidores, exemplificam o enorme potencial a ser explorado, tanto do ponto de vista de comercialização quanto de construção de fidelização na relação entre marcas e jovens audiências.

Dois em cada 10 menores de idade conectados, no Brasil, possuem ou já fizeram alguma troca de NFTs.

Menos de 24 horas após seu lançamento no marketplace de colecionáveis ​​digitais VeVe, toda a coleção de NFTs Disney Pixar Pals – 54.995 peças de personagens e momentos icônicos criados pela Pixar, incluindo Woody (da trilogia “Toy Story”), Mike Wazowski (“Monstros S.A.”), Relâmpago McQueen (“Carros”), a casa de “Up” e Edna Moda (“Os Incríveis”) – foi vendida, em uma transação estimada em US$ 3,3 milhões. 

A Mattel assinou uma coleção digital dos modelos Twin Mill, Deora II e Bone Shaker para ser leiloada em sua plataforma de e-commerce. Um dos modelos alcançou o valor de US$ 14 mil. A empresa já anunciou a intenção de transformar outras marcas do seu portfolio em NFTs.

A companhia também teve êxito em outra aposta com NFTs, desta vez na digitalização da linha de jogo UNO. Em parceria com a VeeFriends, foi criada uma versão colecionável do jogo e cartas com 17 personagens. A edição limitada, vendida a US$ 25 cada jogo, acabou uma hora após o início da venda online.

Tanto os metaversos quanto os NFTs são uma realidade diária para crianças e adolescentes. Por isso, são um terreno mais que fértil para as marcas criarem conexões inovadoras, que podem marcar o início de um longo relacionamento com seus consumidores do futuro.

*Pesquisa Askids: 7256 entrevistados, entre nov/2021 e abr/2022, das classes AB, B e C, de todo o Brasil.


SOBRE O AUTOR

Nicolás Cáceres é diretor de inovação estratégica da Kids Corp. saiba mais