Netflix é acusada de rastrear dados de famílias e crianças

Estado da Flórida acusa plataforma de monitorar hábitos de famílias, monetizar informações e usar reprodução automática para manter crianças assistindo

Logotipo vermelho da Netflix projetado entre faixas luminosas sobre fundo escuro
Créditos: Unsplash

Taylor Hatmaker 3 minutos de leitura
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A Netflix enfrenta um novo processo nos Estados Unidos por supostamente coletar dados de crianças e famílias sem informar claramente como essas informações seriam utilizadas.

Na ação judicial, o estado da Flórida acusa a plataforma de streaming de enganar os assinantes sobre seus planos de ganhar dinheiro com publicidade, ocultar práticas de coleta de dados comportamentais e expor crianças a recursos criados para prolongar o tempo de uso.

“A Netflix disse às famílias da Flórida que elas poderiam pagar uma mensalidade para escapar da vigilância das grandes empresas de tecnologia. Isso era falso”, afirmou o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, em comunicado.

Segundo Uthmeier, a empresa teria coletado informações detalhadas sobre crianças e famílias, desenvolvido recursos para manter usuários mais jovens assistindo e comercializado esses dados depois de criar seu negócio de publicidade.

A Netflix nega as acusações. Em declaração enviada ao jornal The Guardian, a empresa afirmou que cumpre as leis de privacidade e proteção de dados nos países onde opera, mantém salvaguardas específicas para crianças e pretende se defender no tribunal.

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O QUE A FLÓRIDA ALEGA CONTRA A NETFLIX

O processo acusa a Netflix de atrair usuários com a promessa de uma experiência paga, privada e sem publicidade enquanto coletava grandes volumes de dados para preparar seu futuro negócio de anúncios.

Segundo a ação, a plataforma registra “eventos do usuário”, conjunto de informações comportamentais que pode incluir localização, palavras pesquisadas, conteúdos assistidos e momentos em que uma pessoa pausa ou retrocede um vídeo.

A Flórida alega que, depois de lançar seu plano com anúncios em novembro de 2022, a Netflix passou a permitir que anunciantes segmentassem moradores do estado com base em características como renda, estágio da vida e composição familiar.

A acusação sustenta que a companhia não teria obtido o consentimento exigido pelas leis estaduais para determinadas formas de coleta e utilização desses dados.

A Netflix afirma que apresenta periodicamente aos assinantes sua declaração de privacidade e seus termos de uso, documentos que explicam as práticas de publicidade, os direitos dos usuários e os controles disponíveis.

REPRODUÇÃO AUTOMÁTICA TAMBÉM ESTÁ NO CENTRO DO PROCESSO

Outra parte da ação questiona o funcionamento dos perfis infantis da Netflix. A empresa apresenta esse ambiente como uma experiência protegida para crianças, mas a Flórida argumenta que alguns recursos podem estimular o consumo prolongado de conteúdo.

O principal exemplo citado é a reprodução automática, que pode iniciar outro episódio ou vídeo sem exigir uma nova decisão do usuário. O recurso vem ativado por padrão em determinados perfis infantis, segundo a acusação.

Para a procuradoria, o mecanismo foi desenvolvido para manter crianças assistindo por mais tempo e deveria ter sido explicado com maior clareza aos responsáveis.

A Netflix oferece controles parentais que permitem definir classificações etárias, bloquear títulos e gerenciar diferentes configurações dos perfis. A empresa contesta a caracterização de seus recursos como instrumentos voltados a prejudicar ou explorar crianças.

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PROCESSOS CONTRA EMPRESAS DE TECNOLOGIA SE MULTIPLICAM

A ação da Flórida segue um processo semelhante apresentado pelo Texas. Em maio, o procurador-geral texano, Ken Paxton, acusou a Netflix de coletar dados comportamentais sem consentimento e utilizar recursos de design para incentivar o consumo contínuo de vídeos.

A plataforma também negou aquelas acusações e afirmou que o processo se baseava em informações incorretas ou distorcidas.

As duas ações fazem parte de um movimento mais amplo de autoridades estaduais norte-americanas contra práticas de coleta de dados e recursos considerados viciantes em serviços digitais.

Na Flórida, Uthmeier também apresentou processos contra a OpenAI e o TikTok relacionados à segurança de crianças e adolescentes. Ao anunciar a ação contra a Netflix, afirmou que o estado pretende buscar bilhões de dólares em indenizações.

As acusações ainda deverão ser analisadas pela Justiça. Até o momento, não existe uma decisão judicial que tenha concluído que a Netflix violou as leis mencionadas no processo.


SOBRE A AUTORA

Taylor Hatmaker é fotógrafa e jornalista especializada em mídia social, games e cultura digital. saiba mais