NASA prepara nova viagem a lua após 53 anos; entenda por que 2026 foi ano escolhido

A Lua voltou a ser vista como ponto estratégico para futuras missões mais ambiciosas, inclusive viagens a Marte

Símbolo da Nasa e homem pintando ele
Créditos: Divulgação/Nasa.

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

A NASA realiza ajustes técnicos no foguete Space Launch System (SLS) e na cápsula Orion antes de um novo teste de abastecimento da missão Artemis II, previsto para as próximas semanas. 

A decisão de revisar componentes e ampliar procedimentos ocorre após a identificação de vazamentos de hidrogênio durante o ensaio anterior e faz parte da preparação para o primeiro voo tripulado do programa Artemis.

O retorno de astronautas ao entorno da Lua marca uma retomada histórica depois de mais de cinco décadas sem missões humanas ao satélite natural da Terra.

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REPAROS E NOVO CRONOGRAMA

Após o ensaio geral de abastecimento realizado no início de fevereiro, técnicos substituíram duas vedações em linhas de combustível onde foram detectadas concentrações elevadas de hidrogênio. As equipes também removeram placas de interface entre o foguete e a estrutura de solo para inspeção detalhada da área.

Os mastros de serviço localizados na parte traseira do lançador, responsáveis pelo fornecimento de propelente criogênico e conexões elétricas, também passaram por avaliação. 

Esses mastros se afastam automaticamente no momento da decolagem por meio de mecanismos de desconexão rápida, fundamentais para a segurança do lançamento.

Além dos reparos, a NASA decidiu ampliar em uma hora o tempo total da contagem regressiva nos próximos testes, com a inclusão de 30 minutos extras antes e depois das operações de abastecimento

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A agência também ajustou procedimentos operacionais, como o fechamento antecipado da escotilha da Orion e mudanças na presença das equipes na plataforma.

Enquanto isso, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen seguem em treinamento intensivo, revisando sistemas e rotinas da missão.

POR QUE O HOMEM DEIXOU DE IR À LUA?

A retomada do programa lunar traz de volta uma pergunta recorrente: por que, depois das missões Apollo entre 1969 e 1972, o ser humano nunca mais voltou à superfície lunar? A resposta envolve principalmente custo e prioridade científica.

As missões Apollo ocorreram em um contexto de Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética disputavam supremacia tecnológica, segundo a Revista Arco de Jornalismo Cientifico e Cultural.

 Levar astronautas à Lua era, além de um feito científico, uma demonstração de poder político e militar. Após a Apollo 11 e as cinco missões que pousaram com sucesso no solo lunar, os principais objetivos científicos foram considerados atingidos.

Ao todo, 12 astronautas caminharam na Lua. Amostras de solo foram coletadas, experimentos foram instalados e dados fundamentais foram obtidos. 

Com o fim da corrida espacial simbólica e a redução do interesse político imediato, o custo elevado das missões tripuladas passou a ser questionado.

Enviar pessoas ao espaço exige foguetes de grande porte, sistemas complexos de suporte à vida, treinamento prolongado e estruturas de segurança altamente sofisticadas. O investimento bilionário deixou de se justificar diante de retornos científicos considerados limitados na época. 

A Lua, naquele momento, não apresentava perspectivas de exploração econômica ou científica que compensassem novos desembolsos.

Ao longo das décadas seguintes, o foco mudou. As agências espaciais passaram a investir em sondas não tripuladas, telescópios espaciais, estações orbitais e missões robóticas a Marte e outros corpos celestes. Robôs e equipamentos automatizados mostraram-se mais baratos e menos arriscados para coletar dados.

O QUE MUDOU PARA JUSTIFICAR O RETORNO

O programa Artemis representa uma nova lógica estratégica. Diferentemente das missões Apollo, o objetivo agora não é apenas pousar e retornar, mas estabelecer presença sustentável no entorno lunar.

A Lua voltou a ser vista como ponto estratégico para futuras missões mais ambiciosas, inclusive viagens a Marte. A proximidade com a Terra permite testar tecnologias de longa permanência no espaço, sistemas de suporte à vida e novas formas de geração de energia.

Além disso, há interesse crescente na exploração de recursos lunares, como gelo em regiões polares, que pode ser convertido em água potável, oxigênio e até combustível. A perspectiva de utilizar a Lua como base intermediária altera a equação econômica que antes inviabilizava novas viagens.

Outro fator relevante é a participação do setor privado. Empresas espaciais ampliaram a capacidade de lançamento e reduziram custos em comparação às décadas anteriores, tornando projetos mais viáveis financeiramente.

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Embora a NASA ainda não tenha definido uma data exata para o lançamento do Artemis II, a agência mantém março como janela potencial, condicionada à conclusão bem-sucedida dos testes.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais