Novo filtro do Instagram prova a importância da criatividade humana

A tecnologia DALL-E é a prova de como os humanos ainda são importantes para criar arte

Crédito: rawpixel.com

Jesus Diaz 4 minutos de leitura

Além de criar imagens, o DALL-E tem duas ferramentas de edição de imagem realmente úteis e surpreendentemente legais: o “outpainting” (pintura externa) e o “inpainting” (pintura interna).

A primeira estende o enquadramento de uma imagem em qualquer direção desejada, criando novos elementos do zero e misturando-os ao trabalho original sem parecer uma montagem. A segunda é um pincel que substitui elementos na imagem por qualquer coisa que você digitar no prompt.

Se ainda não recebeu um convite para comprar o DALL-E, a melhor maneira de experimentar o poder dessas ferramentas é carregar este filtro de realidade aumentada no Instagram e ter uma ideia do que ele pode fazer.

É bem simples. Você carrega o filtro, encontra uma superfície plana e consegue montar uma galeria instantânea de três clássicos: “O Filho do Homem”, de René Magritte, “Moça com Brinco de Pérola”, de Johannes Vermeer, e “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci.

Não há nada de especial nisso até você chegar mais perto. De repente, a Mona Lisa recua e você descobre um mundo totalmente novo ao seu redor, cheio de profundidade e detalhes.

OS PROCESSOS DE OUTPAINTING E INPAINTING

As novas artes parecem pintadas pelos artistas originais, mas foram feitas por artistas contemporâneos usando exclusivamente o DALL-E.

“Na verdade, venho de uma formação tradicional de belas artes, como pintura a óleo. Então, eu realmente queria ter certeza de que estava sendo respeitoso com a pintura”, diz Josephine Miller, diretora de arte e artista de AR/ XR/ 3D que criou o universo estendido de “O Filho do Homem”.

Miller deu ao seu protagonista um rosto, usando os poderes de geração de imagem do DALL-E, que combinam perfeitamente com o estilo de Magritte. Mas não foi tão fácil conjurar o rosto de um homem sem rosto usando as magias da inteligência artificial. Na verdade, obter o rosto certo como Miller imaginou exigiu muita tentativa e erro: “Eu fiz cerca de 200 rostos para ele usando o recurso de pintura interna”.

Como nas outras duas pinturas, o processo exigia a criação de diferentes versões de algumas partes para produzir todos os vários elementos necessários para configurar a sensação de profundidade.

No caso de “O Filho do Homem”, o rosto e todos os outros elementos da pintura estendida foram recortados para formar um ambiente bidimensional e meio, no qual cada um dos planos de recorte é montado em um plano no espaço 3D, como as camadas de cenário em um palco de teatro ou os vários planos usados ​​na animação da câmera.

“Quando você vê o filtro pela primeira vez, o rosto aparece exatamente como na pintura original. Não há nenhuma diferença”, explica Manuel “manu.vision” Sainsily, artista e gerente de design XR da Unity que fez a versão estendida da Mona Lisa.

É só quando você se aproxima que a pintura completa começa a se revelar. Aí, conforme move seu celular em qualquer direção, você vê outras coisas, como o rosto real da pessoa atrás da maçã. “Tem aqueles milhares de homens flutuando, cada um com seu próprio rosto, e Josephine criou todos eles. É insano!”, diz Sainsily.

Para criar o efeito de Instagram, o conjunto foi programado em um espaço 3D usando o Spark AR Studio. O produto final ficou limpo e satisfatório, como se você estivesse acessando uma versão secreta e maior que a vida de uma pintura que nunca existiu.

MUITO MAIS DO QUE UMA MERA IA

Além do trabalho de editar o material e fazer o filtro de realidade aumentada – uma tarefa tediosa e repetitiva –, o processo de criar o produto inteiro é um trabalho muito árduo, não tão fácil quanto digitar um prompt e obter o resultado final.

Para mostrar isso e deixar claro que essa tecnologia de IA, embora extremamente poderosa, é apenas mais uma ferramenta no arsenal de um artista, Sainsily conta que todos se filmaram fazendo o trabalho. Isso também ajudou no processo criativo porque informou os outros membros da equipe responsáveis pelo corte, pela composição e pela programação, sobre os critérios de produção da peça final.

No final, esse processo e seu resultado provam, mais uma vez, da importância das mentes humanas na criação dessas obras. Embora o DALL-E, a difusão estável e o restante das ferramentas de conversão de texto em imagem sejam fantásticos, ainda não chegam ao ponto de tomar decisões criativas. Apenas emitem o que é demandado. Isso requer o trabalho de pessoas como Miller e Sainsily para criar obras de arte convincentes e com significado. Pelo menos por enquanto.


SOBRE O AUTOR

Jesus Diaz fundou o novo Sploid para a Gawker Media depois de sete anos trabalhando no Gizmodo. É diretor criativo, roteirista e produ... saiba mais