O HomeView da Apple chega quase uma década atrasado (talvez isso não importe)

A empresa aposta na experiência de design para disputar espaço com telas inteligentes que já oferecem monitoramento doméstico e do sono

O HomeView da Apple chega quase uma década atrasado
Crédito: Apple

Chris Stokel-Walker 2 minutos de leitura
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A Apple acredita que você talvez queira uma tela na cozinha ou no quarto. A empresa chega quase uma década atrasada à disputa com o HomeView, anunciado nesta terça-feira (13 de outubro) por US$ 299, nove anos depois de a Amazon apresentar o Echo Show e oito anos após o lançamento do Home Hub, do Google.

Mas esse atraso não importa para a gigante de tecnologia, que construiu sua reputação lançando tecnologias que outras empresas já desenvolveram, só que melhores – e transformando-as em objetos mais desejáveis.

É uma estratégia que a Apple aperfeiçoou ao longo dos anos, apostando fortemente em sua capacidade de design para diferenciar seus produtos dos que já estão no mercado. E, mais uma vez, essa fórmula pode funcionar com o HomeView.

Quando a Apple lançou o iPod, ele estava longe de ser o primeiro tocador de MP3 do mercado. Quando o iPhone chegou, em 2007, era apenas um entre muitos smartphones disponíveis para compra.

Mas os dois redefiniram seus respectivos mercados ao oferecer algo tipicamente Apple: engenharia sofisticada e design inteligente, que fizeram com que esses produtos – e não os concorrentes – se tornassem sinônimos de suas categorias.

Pode-se dizer o mesmo do Apple Watch e dos AirPods, que também ocupam posições de destaque em seus mercados.

O HomeView da Apple chega quase uma década atrasado
Crédito: Apple

À primeira vista, o HomeView segue a mesma fórmula. Sua tela de sete polegadas (18cm) fica sobre uma base de alumínio inclinável e ajusta o conteúdo exibido de acordo com a proximidade do usuário. Com reconhecimento facial, o dispositivo pode apresentar informações personalizadas para até seis pessoas da casa.

Isso não é exatamente uma novidade: o Nest Hub Max, do Google, oferece há tempos reconhecimento facial para personalizar calendários e outras informações, enquanto o Echo Show, da Amazon, consegue identificar usuários e adaptar o que aparece na tela de acordo com a distância em que estão.

Mas tudo, dos cabos combinando com a cor do aparelho ao design minimalista, segue aquele estilo capaz de deixar os fãs da Apple encantados.

O HomeView da Apple chega quase uma década atrasado
Crédito: Apple

Em outros aspectos, porém, o HomeView não oferece grandes novidades. O Echo Show pode usar sua câmera integrada para monitorar a casa remotamente, permitindo verificar o que acontece na residência mesmo quando você está fora. O HomeView não oferece esse recurso.

No quarto, a situação é semelhante: o Nest Hub de segunda geração usa um radar para monitorar o sono sem exigir o uso de um dispositivo vestível, recurso que a Apple não oferece. O preço do HomeView também é mais alto do que o de produtos semelhantes já disponíveis no mercado.

Ainda assim, o HomeView pode vender milhões de unidades, mesmo que analistas prevejam uma queda maior nas remessas de telas inteligentes este ano. Isso porque a Apple transformou em seu modelo de negócios não ser a primeira a chegar à corrida tecnológica, mas entender o que queremos comprar e oferecer a versão idealizada desse produto.


SOBRE O AUTOR

Chris Stokel-Walker é um jornalista britânico com trabalhos publicados regularmente em veículos, como Wired, The Economist e Insider saiba mais