O metaverso vai dar certo?

As empresas que investem no metaverso hoje estão apostando no potencial futuro e nas viabilidades que esse universo oferece

Crédito: Freepik

Edson Sueyoshi 3 minutos de leitura

Recentemente, a Meta apareceu em todos os noticiários por conta da grande demissão que realizou – 13% de seu efetivo, cerca de 11 mil pessoas. Um dos motivos apontados para essa enorme dispensa foi o massivo investimento que a empresa fez no metaverso e que ainda não deu retorno financeiro, causando irritação nos investidores.

Mas será que Mark Zuckerberg está de todo errado em fincar sua bandeira no metaverso?

Por mais que o metaverso ainda seja embrionário – e apesar de todos os contras –, ele desperta, sim, a curiosidade de usuários e marcas. E agora vou mostrar o porquê aqueles que flertam com o metaverso são futuristas.

Um gráfico da Gartner, chamado Hype Cycle for Emerging Tech (Hiperciclo para Tecnologias Emergentes), retrata perfeitamente o que vou explicar. Toda tecnologia, antes de se tornar rotineira na vida das pessoas comuns, passa por um longo processo de desenvolvimento.

Isso aconteceu com tudo o que usamos hoje: smartphones, internet, machine learning, RFID (Radio Frequency Identification), computação em nuvem, video on demand…

 

E, como tudo, começa com uma ideia. Essa ideia é o acionador de inovação que começa a intrigar inovadores, cientistas, pesquisadores e estudiosos. Quanto mais essa turma pesquisa aquela ideia inicial, mais ideias e possibilidades vão surgindo, até atingir o “pico de expectativas infladas”.

A partir desse momento começa o “vale da desilusão”. Sim, após o êxtase, vem a desilusão. “Muito caro”, “ninguém vai usar isso”, “ainda não temos tecnologia para aplicar isso” são algumas das muitas afirmações para que as mesmas pessoas que antes estavam encantadas com aquela ideia passem a perder o interesse por ela.

O fato de os resultados não se concretizarem na velocidade gerada pela alta expectativa é outro problema que fomenta o “vale da desilusão”. Por isso, é nesse momento que investidores viram as costas e voltam sua atenção para as outras ideias que estão borbulhando lá no começo da curva, na fase embrionária.

MOVIMENTO DE RECUPERAÇÃO

Porém, à medida que, no “vale da desilusão”, mais exemplos de sucesso começam a surgir – a partir de novas aplicações da tecnologia, da sua maturidade e expansão, com mais empresas e pessoas fazendo, mostrando e provando sua viabilidade técnica e econômica – chegamos à “ladeira da informação”.

Esse momento transcorre até o seu ápice, quando começa o platô ou “planície da produtividade”, que é justamente quando aquela ideia inicial se torna concreta e é assimilada de vez pela sociedade. Todo esse processo é longo e pode levar mais de uma década.

é preciso ter paciência para entender o que realmente vai fazer sentido para a sociedade, para as empresas e para as pessoas.

Neste exato momento, o metaverso está no “vale da desilusão”. Não sabemos quanto tempo ele pode ficar neste vale, mas acredito que, conforme mais exemplos de uso e de sucesso dos mais variados segmentos econômicos apareçam, mais o metaverso se torne tão usual em nossas vidas quanto é o celular hoje.

As empresas que estão apostando no metaverso, hoje, estão apostando no potencial, nas viabilidades que esse universo oferece. Sim, ter pessoas num ambiente virtual vai fazer parte do negócio, como aulas escolares, trabalho, treinamento, entretenimento, gaming, relação das pessoas no trabalho remoto… Acredito que, dentro disso, haverá muito mais uso que hoje não sabemos como será. Ainda.

Para ilustrar as evoluções do metaverso, aqui vai um exemplo: antes era preciso usar capacetes imensos para ter a experiência de imersão; agora, já podemos usar óculos menores. Os devices vão evoluindo, assim como a velocidade e a capilaridade da internet. Tudo isso, junto e misturado em um ecossistema, oferece experiências cada vez melhores e mais imersivas.

O metaverso é um componente da web3, um mundo que está se abrindo. As pessoas estão experimentando novas formas de ganhar dinheiro, seja com NFTs (em seus diversos formatos, como itens únicos e colecionáveis de moda ou obras de arte), sistemas em blockchain ou em criptomoedas. Mas uma coisa é certa: a web3 é um caminho sem volta.

Sendo assim, é preciso ter paciência para entender o que realmente vai fazer sentido para a sociedade, para as empresas e para as pessoas. Mas é seguro afirmar que o metaverso é mais um salto da tecnologia.

Talvez, daqui a 10 anos, não estejamos vendendo e comprando terrenos no Decentraland, mas, com certeza, estaremos usando o metaverso de forma mais presente.


SOBRE O AUTOR

Edson Sueyoshi é vice-presidente de tecnologia e produção da R/GA. saiba mais