O TikTok vem batendo recordes nos últimos meses. Tornou-se, em 2020, de acordo com dados recentes da AppAnnie, divulgados nesta semana, o aplicativo mais baixado do mundo, deixando o Facebook para trás. Foi a primeira plataforma concorrente do Facebook, inclusive, a ultrapassar 3 bilhões de downloads, entre outros números. Com cerca de 1 bilhão de usuários cadastrados no mundo, porém e, para sustentar seu ritmo de crescimento, a plataforma precisa olhar para outras frentes.

Dentre algumas iniciativas anunciadas recentemente, como a parceria com campeonatos esportivos, por exemplo, está também o investimento em desenvolver ações no (e com o) universo dos games. A plataforma mantém em curso, na América Latina, a estruturação de uma área que consolide suas iniciativas, ações e projetos que possam surgir do diálogo com a comunidade gamer. Aos poucos, passos maiores estão sendo dados neste sentido. Algumas, inclusive, inéditas globalmente.

Nobru, um dos maiores jogadores de Free Fire do mundo, tornou-se o primeiro embaixador global do TikTok, em julho (Crédito: Divulgação)

Em julho, por exemplo, o TikTok anunciou seu primeiro embaixador global de games: Nobru, um dos maiores jogadores de Free Fire do mundo. Na ocasião, Kim Farrell, diretora de marketing da plataforma para a região, ressaltou que essa é uma forma de unir ainda mais a comunidade de gamers na plataforma: “O TikTok vem atraindo cada vez mais gamers e queremos que eles tenham um lugar para se expressar de forma autêntica.”

ECOSSISTEMA EM FORMAÇÃO

Gui Barbosa, líder de parcerias de gaming do TikTok na América Latina, com passagens por empresas nativas deste universo como BBL, nonline e PUBG, tem a missão de transformar esses movimentos em algo integrado. “Nesse primeiro momento, estamos explorando oportunidades com marcas do universo gamer, sendo que o foco principal é criar experiência para a nossa comunidade e viabilizando o encontro entre cultura e gaming.”

De iniciativas já existentes estão, por exemplo as hashtags challenges, mensais, globais e locais sobre diferentes temas do universo gamer para ampliar a interação entre os criadores e estimular a comunidade gamer a postar conteúdos relacionados aos temas. A hashtag global #MobileGaming, que foi lançada em abril deste ano, por exemplo, chegou a 629,4, milhões de visualizações no aplicativo.

Camp Wars, jogo desenvolvido pelo brasileiro Pedro Caxa contou com o TikTok em seu lançamento (Crédito: Divulgação)

“Existe a oportunidade de criar conteúdo criativo sobre gaming, mas também descobrir novos interesses”, explica. Questionado sobre movimentos semelhantes à da Twitch com o streamer Gaules que, junto com a Budweiser, transmitiu jogos da NBA na plataforma, Gui Barbosa lembra que o TikTok já apoiou projetos de criadores como, por exemplo, a live de lançamento do jogo Camp Wars, desenvolvido pelo brasileiro Pedro Caxa. De acordo com a última Pesquisa Game Brasil, 72% da população digital brasileira se considera gamer e o smartphone lidera em device preferido.

CONTEÚDO PARA RETER A ATENÇÃO

Rafael Kiso, autor do livro Unbound Marketing, analisa que a plataforma já tem feito relacionamento de perto com diversos tiktokers, incluindo o lançamento de um marketplace para que marcas possam achá-los para fazer trabalhos. “Com os creators lá dentro, produzindo conteúdo de infotenimento ou puro entretenimento, a probabilidade de as pessoas ficarem por lá é mais alta”, explica ressaltando que isso vale para games ou qualquer outra frente.

“De acordo com a última Pesquisa Game Brasil, 72% da população digital brasileira se considera gamer e o smartphone lidera em device preferido”

Ainda de acordo com Kiso, comentando dados do App Annie, o TikTok já figura entre os 10 apps com mais usuários ativos no país. “Isso significa que estão tracionados e, em tese, não precisariam ficar apelando para o modelo de monetização de usuários por convite. Porém, o que eu vi na prática é que eles acabaram de lançar uma nova campanha de incentivo onde as pessoas podem ganhar até R$1mil convidando poucas pessoas. Se eles avançarem primeiro no Social Commerce, antes do Instagram, certamente isso atrairá ainda mais marcas, e, consequentemente usuários. Pois, as próprias marcas farão o esforço de trazer pessoas.”

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil