O ser humano está pronto para viver em Marte? A NASA testou

Experimento de um ano reproduziu condições de isolamento e dificuldades logísticas que poderão marcar futuras missões espaciais

NASA conclui missão de um ano que simulou a vida em Marte
Créditos: NASA/ Dynamic Wang/ Ezi via Unsplash

Taylor Hatmaker 3 minutos de leitura
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Uma das missões mais estranhas e desafiadoras da NASA chegou ao fim. E seus tripulantes sequer precisaram deixar a atmosfera terrestre.

Quatro integrantes da equipe saíram de seu confinamento no fim de semana, depois de passar um ano inteiro isolados em um habitat de aproximadamente 158 metros quadrados, projetado para simular a vida em Marte.

A experiência, realizada no Centro Espacial Johnson, em Houston, representou a alternativa mais próxima de uma missão real ao planeta vermelho, permitindo que cientistas testassem procedimentos em condições de menor risco, sem enfrentar os perigos extremos de uma viagem de verdade.

A missão Crew Health and Performance Exploration Analog (CHAPEA) começou em 19 de outubro de 2025 e foi a segunda experiência do tipo, depois de uma primeira missão de isolamento encerrada em 2024.

Desta vez, os tripulantes passaram um total de 378 dias em uma instalação construída por uma imensa impressora 3D e projetada para reproduzir um habitat marciano real, com áreas de convivência, espaços de trabalho e até recursos para simular caminhadas espaciais.

Os voluntários que aceitaram enfrentar o confinamento em nome da ciência foram a médica Ellen Ellis, o comandante da missão Ross Elder, o responsável pelas atividades científicas Matthew Montgomery e o engenheiro de voo James Spicer.

"Para meus companheiros de tripulação, foi um ano e tanto: astronautas analógicos vivendo em cativeiro por nossa própria vontade", disse Ellis em uma entrevista coletiva após deixar o habitat.

E o trabalho ainda não terminou. Os integrantes da equipe passarão duas semanas participando de sessões de avaliação e debriefing para analisar a experiência incomum.

MANTENDO-SE OCUPADOS EM MARTE

Embora a missão CHAPEA não tenha reproduzido toda a série de complicações potencialmente fatais que os astronautas enfrentariam em uma viagem real a Marte, a equipe da NASA também simulou algumas dessas situações.

Em diferentes momentos ao longo da estadia de um ano, os tripulantes tiveram de lidar com "fatores de estresse ambiental, como limitações de recursos, isolamento, falhas de equipamentos e cargas de trabalho significativas". Não faltaram desafios para manter quatro pessoas ocupadas durante um ano em um habitat marciano de mentira.

"Estamos extremamente orgulhosos do comprometimento e das conquistas da equipe ao longo do último ano, em uma missão tão intensa e exigente", afirmou Grace Douglas, pesquisadora principal da CHAPEA, em um comunicado divulgado antes da cerimônia de saída, realizada em 31 de outubro.

O isolamento talvez tenha sido o maior desafio de todos: os tripulantes só podiam se comunicar com suas famílias por e-mail. Mesmo esse processo incluía um atraso programado para reproduzir o tempo real de comunicação entre a Terra e Marte, planetas separados por 225 milhões de quilômetros.

Os futuros astronautas enviados a Marte também terão de enfrentar a atmosfera tóxica do planeta, rica em dióxido de carbono, e as temperaturas congelantes da superfície, além de uma infinidade de outros desafios logísticos e problemas relacionados à disponibilidade de recursos essenciais para sustentar a vida humana longe do nosso pálido ponto azul.

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"Esta missão foi extremamente valiosa para começar a nos ensinar como compreender os requisitos de missões com duração de um ano, incluindo cuidados médicos e psicológicos em condições de atraso nas comunicações", afirmou Michael Stenger, cientista chefe do Programa de Pesquisa Humana da NASA, quando a missão se aproximava do fim.

"Ao combinar essa simulação de missão realista em Marte com um conjunto de avaliações fisiológicas, psicológicas e de desempenho em um ambiente rigorosamente controlado, poderemos transformar o conhecimento adquirido com essas experiências em aplicações para uma base lunar e além."


SOBRE A AUTORA

Taylor Hatmaker é fotógrafa e jornalista especializada em mídia social, games e cultura digital. saiba mais