O smartphone dobrável perfeito talvez nunca vá existir

A Samsung aposta em um formato mais largo para consumo de conteúdo, enquanto Apple e Google seguem caminhos diferentes para os celulares dobráveis

celulares dobráveis
Crédito: Samsung

Jared Newman 5 minutos de leitura
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O novo Galaxy Z Fold8 da Samsung é um lembrete de que não dá para ter tudo.

O Fold8, lançado no início de agosto por US$ 1,9 mil, é a tentativa da Samsung de eliminar as últimas limitações dos celulares dobráveis anteriores em busca de um público mais amplo.

O novo formato, parecido com o de um passaporte, cabe melhor no bolso do que as versões anteriores e, quando aberto, se transforma em um pequeno tablet. Além disso, o vinco na tela interna é quase imperceptível.

A Samsung diz que está mirando pessoas que consomem vídeos no celular – ou seja, praticamente todo mundo. Provavelmente não é coincidência que os rumores sobre um futuro dobrável da Apple indiquem um tamanho e formato semelhantes.

Mas, ao usar o Fold8 nas últimas semanas, percebi que o novo formato não elimina de fato as limitações de um celular dobrável, apenas introduz outras.

Continuo sendo fã dos celulares dobráveis e gostei bastante do tempo que passei com o Fold8. Mas, embora antes eu tivesse certeza de que o dobrável perfeito estava ao alcance, o novo formato mostra que os celulares dobráveis, assim como a maioria dos produtos de tecnologia, sempre terão seus próprios pontos de equilíbrio.

POR QUE A SAMSUNG AUMENTOU A TELA EXTERNA DO FOLD

De certa forma, a tela externa do Fold8 é uma volta ao passado, usando a mesma proporção de 16:10 do Galaxy Note da Samsung, lançado em 2011 e considerado um produto revolucionário. Ela é mais baixa e mais larga do que a de qualquer outro smartphone topo de linha moderno, e é preciso algum tempo para se acostumar.

O principal desafio está no uso com uma só mão, já que é difícil alcançar o outro lado da tela com o polegar enquanto se segura o celular na palma da mão. Equilibrar o aparelho apoiado nos dedos facilita as coisas, mas dá uma sensação de insegurança.

O curioso é que a Samsung passou anos tentando fazer o Fold parecer mais com um celular convencional. Até o Fold7, de 2025, as telas externas eram mais estreitas que as de um smartphone típico. Embora isso as tornasse fáceis de usar com uma só mão, o visual era estranho, e os críticos reclamavam.

celulares dobráveis Galaxy Fold, da Samsung
Crédito: Samsung

Mas, ao alargar a tela externa do Fold7, a Samsung introduziu uma nova questão: a tela interna, que nos dobráveis anteriores lembrava um pequeno tablet, também ficou mais larga, a ponto de ser quase quadrada. É mais difícil de segurar do que nas gerações anteriores e faz com que apareçam barras pretas maiores ao redor dos vídeos.

O formato pouco convencional do Fold8 é uma resposta à resposta anterior. Aberta, a tela tem proporção de 4:3, o que resulta em barras pretas menores para vídeos em widescreen. Gire a tela para o modo retrato e ela se parece mais com um Kindle para leitura.

A Samsung ainda oferece o formato antigo em seu mais caro Fold8 Ultra, mas agora apresenta esse aparelho como uma solução de produtividade, capaz de executar dois aplicativos de celular em tamanho completo lado a lado.

Com o novo modelo, a Samsung diz que está mirando pessoas que consomem vídeos no celular.

O Fold8 é voltado para o uso mais comum de assistir a vídeos e jogar, atividades que ocupam 60% do tempo das pessoas, segundo Drew Blackard, vice-presidente de gerenciamento de produtos móveis da Samsung Electronics America.

“Embora o Fold [Ultra] ainda seja uma potência em multitarefa... certamente havia um formato mais adequado para alguém que estivesse focado principalmente no consumo de conteúdo”, diz Blackard.

Para isso, a Samsung optou por mais uma concessão estratégica: no Fold8, não é possível deixar a tela parcialmente aberta para apoiá-la e usá-la como câmera para selfies ou como suporte para assistir a vídeos.

Blackard diz que a dobradiça que permite esses recursos cria um vinco mais perceptível, por isso a empresa deixou a possibilidade de dobrar parcialmente para o Fold8 Ultra e o menor Flip8.

Crédito: Samsung

A grande questão que paira sobre esse debate é a Apple, que pode lançar um celular dobrável nas próximas semanas. Vários vazamentos e rumores, compilados pelo MacRumors, apontam para um aparelho com formato semelhante ao Fold8 da Samsung e um vinco quase invisível na tela interna.

Os rumores são coerentes com a maneira como a Apple aborda os eletrônicos de consumo. Enquanto a Samsung gosta de lançar muitas ideias para descobrir o que funciona, a Apple é mais cautelosa e provavelmente não experimentaria publicamente uma ampla variedade de formatos de celulares dobráveis.

ESPAÇO PARA DISCORDAR

Nem todo mundo concorda que uma tela mais baixa e larga seja o caminho a seguir. O Google, por exemplo, adotou um formato semelhante ao de um passaporte em seu primeiro Pixel Fold, em 2023, com o objetivo de enfatizar o consumo de mídia na tela interna, assim como a Samsung está fazendo com o Fold8.

celular dobrável Pixel Fold, do Google
Pixel Fold (Crédito: Google)

A empresa mudou para um design mais alto e estreito nos Pixel Fold seguintes em resposta ao feedback dos usuários.

“Com o tempo, descobrimos que mais usuários preferem realizar muitas interações na tela externa, então priorizamos oferecer uma experiência sem compromissos nesse aspecto”, diz Justin Savich, gerente de produto do Google.

O próprio Blackard, da Samsung, reconhece que prefere o Fold8 Ultra para seu uso pessoal. Se eu fosse comprar um celular dobrável novo hoje, essa também seria minha preferência. Blackard não acredita que o mercado algum dia vá convergir para um único formato.

“Essa é a parte empolgante da tecnologia dobrável para mim”, diz ele. “Ela não precisa ter um único formato padrão. Pode assumir diferentes formas e tamanhos.”


SOBRE O AUTOR

Jared Newman é jornalista freelancer de tecnologia há mais de 15 anos e contribui regularmente para a Fast Company, PCWorld e TechHive. saiba mais