Nem plana, nem disco: NASA revela 3D da Terra moldada pela gravidade
Imagem usa dados de 19 satélites para revelar diferenças no campo gravitacional do planeta

Um novo modelo em 3D divulgado pela NASA mostra a Terra com uma aparência incomum, marcada por ondulações e desníveis. A visualização não representa montanhas ou oceanos, mas uma referência usada para medir como a gravidade se comporta em diferentes pontos do planeta.
O modelo permite observar variações no campo gravitacional da Terra. Essas informações servem de referência para estudos oceanográficos e para a definição de sistemas de altitude.
MODELO MOSTRA O GEOIDE DA TERRA
Segundo a NASA, a imagem representa o geoide, uma superfície equipotencial que pode ser entendida como a forma que a superfície dos oceanos assumiria sob o campo gravitacional da Terra.
No modelo, a altura do geoide varia de 85 metros acima da referência, na Islândia, a 106 metros abaixo dela, no sul da Índia. Contudo, essas diferenças foram ampliadas 10 mil vezes para aparecerem na visualização.
Portanto, as ondulações não retratam o relevo terrestre. Elas representam variações na atração gravitacional, que mudam conforme a distribuição de massa no interior do planeta.
GEOIDE SERVE DE REFERÊNCIA PARA ALTITUDES
O geoide tem papel importante na definição de altitudes. Isso porque as medições oficiais de um território, incluindo a referência conhecida como nível do mar, usam essa superfície como base.
Dessa forma, o modelo ajuda a tornar mais precisos cálculos que envolvem oceanos, geodésia e estudos sobre a Terra. A visualização foi publicada em 15 de julho pelo Scientific Visualization Studio, laboratório da agência espacial norte-americana, e pode ser visualizada neste link.
Além disso, o Brasil participou da validação do modelo. Pesquisadores compararam os resultados com medições de nivelamento por GNSS fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao lado de dados da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos.
DADOS DE 19 SATÉLITES FORMARAM O MODELO
O geoide foi elaborado com base no modelo global de gravidade GOCO06s. De acordo com estudo publicado pela Copernicus, o trabalho reuniu mais de 1 bilhão de observações feitas durante 15 anos por 19 satélites.
Entre as missões estão a GRACE, conduzida pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão, e a GOCE, da Agência Espacial Europeia. A combinação de técnicas diferentes ajuda a compensar limitações de cada método e melhora a resolução do resultado.
Dessa forma, o modelo não altera a forma física da Terra. Ele apresenta um mapa do campo gravitacional que permite compreender melhor o planeta.