Por que a IA pode deixar seu próximo notebook ou Xbox muito mais caro

escassez de memória RAM encarece preço de eletrônicos
Créditos: Steve A. Johnson/ Brecht Corbeel/ Unsplash/ Magnifc

Michael Grothaus 3 minutos de leitura

Não há mais dúvidas: a opinião pública está se voltando contra a inteligência artificial. Muitas pessoas temem que ela roube empregos, agrave a crise ambiental e até coloque vidas em risco.

Agora, depois que duas das maiores empresas do mundo atribuíram diretamente à IA a culpa por aumentos de preços em produtos de tecnologia, a resistência dos consumidores tende a crescer ainda mais.

Apple e Microsoft anunciaram reajustes expressivos em alguns de seus produtos mais populares, e não esconderam o motivo: a explosão da demanda por componentes provocada pela corrida para construir data centers de inteligência artificial.

A Apple foi a primeira a divulgar aumentos consideráveis em sua linha de Macs, iPads e dispositivos Home. Os reajustes representam, em média, US$ 246,67 por produto, segundo o MacRumors.

O preço inicial do iPad Pro, por exemplo, subiu US$ 200, passando de US$ 999 para US$ 1.199. O MacBook Pro ficou US$ 300 mais caro, saltando de US$ 1.699 para US$ 1.999. Já o Mac Studio equipado com o chip M3 Ultra sofreu um aumento de US$ 1.300, chegando a US$ 5.299.

Nem mesmo os aparelhos mais acessíveis escaparam. O Apple TV teve um reajuste de quase 55%, passando de US$ 129 para US$ 199.

"Nunca vimos o preço de componentes subir tanto em tão pouco tempo", afirmou a Apple à Reuters, referindo-se à escassez de memória e armazenamento causada pela expansão acelerada dos data centers de IA.

"Até agora conseguimos proteger nossos clientes desses aumentos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a reajustar os preços de diversos produtos."

MICROSOFT SEGUE O MESMO CAMINHO

Na sequência, foi a vez da Microsoft anunciar reajustes em um de seus produtos de maior sucesso. A empresa informou que, a partir de 1º de agosto, deixará de vender a versão de 2 terabytes do Xbox. Já o modelo com 512 gigabytes ficará US$ 100 mais caro, enquanto a versão de 1 terabyte terá aumento de US$ 150.

XBox ficará mais caro por causa da escassez de memória para produtos eletrônicos

O anúncio ocorre depois de a Microsoft já ter elevado os preços de toda a linha Xbox entre US$ 20 e US$ 70 no ano passado.

"Esperávamos que um novo aumento não fosse necessário e passamos os últimos meses trabalhando com fornecedores em alternativas", informou a empresa. "Infelizmente, os preços de memória e armazenamento para consoles aumentaram mais de 2,5 vezes e esperamos uma nova duplicação até o segundo semestre de 2027."

NÃO SÃO APENAS iPADs e XBOX QUE ESTÃO MAIS CAROS

Apple e Microsoft não são casos isolados. Outros fabricantes também reajustaram preços recentemente, embora sem atribuir explicitamente a culpa à escassez de componentes causada pela IA.

Em março, a Sony anunciou aumentos de até US$ 150 no PlayStation 5, justificando a decisão pelas "pressões persistentes no cenário econômico global". Em maio, a Nintendo revelou um reajuste de US$ 50 no Nintendo Switch 2, alegando "mudanças nas condições de mercado".

Nintendo Switch 2 ficará mais caro por causa da escassez de memória para produtos eletrônicos

Para quem comprou memória ou armazenamento externo recentemente, a alta dificilmente será uma surpresa. A Amazon está vendendo o SSD portátil SanDisk Extreme de 1 terabyte por US$ 189. O histórico de preços da própria plataforma mostra que, há um ano, o mesmo dispositivo custava pouco mais de US$ 77.

Grande parte desse aumento ocorreu justamente este ano, à medida que a construção de data centers voltados para IA acelerou em ritmo recorde, elevando drasticamente a demanda por memória e armazenamento e provocando escassez desses componentes.

VALE A PENA COMPRAR AGORA OU ESPERAR

Quem pretende comprar um smartphone, computador, videogame ou disco de armazenamento provavelmente faz a mesma pergunta: é melhor esperar os preços caírem? A resposta, infelizmente, é que ninguém sabe.

O cenário mais provável é que os preços de memória e armazenamento continuem subindo até 2027. Se isso acontecer, dispositivos que dependem desses componentes também tendem a ficar mais caros.

A própria Apple sugeriu que os reajustes estão apenas começando. "Chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços de diversos produtos", afirmou a empresa. Por isso, é difícil imaginar que iPhones e Apple Watches escapem de reajustes nos próximos meses.

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A Microsoft fez uma previsão semelhante ao afirmar que espera "outra duplicação" dos preços de memória e armazenamento até o segundo semestre de 2027 – um custo que dificilmente será todo absorvido pela empresa.

A conclusão é clara: os aumentos impulsionados pela inteligência artificial já chegaram aos eletrônicos de consumo e afetam até quem nunca usa a tecnologia. E, ao que tudo indica, essa tendência está longe de terminar.


SOBRE O AUTOR

Michael Grothaus é escritor, jornalista, ex-roteirista e autor do romance "Epiphany Jones". saiba mais