Por que o novo documentário sobre Elon Musk está dando o que falar

Produção de quatro horas sobre o empresário estreou em Veneza e já provocou críticas do próprio Musk

Televisão antiga mostra Elon Musk de braços erguidos diante da bandeira dos Estados Unidos em uma montagem com iluminação vermelha
Documentário de Alex Gibney revisita a trajetória de Elon Musk e o poder acumulado pelo empresário na tecnologia, na comunicação e na política. Crédito: Arte/Fast Company Brasil

Lilian Campos 3 minutos de leitura
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O novo documentário sobre Elon Musk chama atenção pela duração, pela abordagem sobre a trajetória do bilionário e pela repercussão antes mesmo da estreia comercial.

Dirigido pelo cineasta Alex Gibney, o filme revisita diferentes fases da vida e da carreira do empresário, incluindo sua atuação na Tesla, SpaceX, X e no governo dos Estados Unidos.

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O QUE O DOCUMENTÁRIO MOSTRA?

Intitulado “Musk”, o filme tem cerca de 225 minutos, com um intervalo de dez minutos. Gibney acompanha a ascensão do empresário desde os primeiros anos de sua carreira até a concentração de influência nos setores de tecnologia, política e comunicação.

A produção também aborda aspectos pessoais, como a infância de Musk, relacionamentos e sua relação com os negócios. Para o diretor, a longa duração ajuda a conectar acontecimentos que normalmente aparecem separados na trajetória do empresário.

MUSK NÃO PARTICIPOU DAS ENTREVISTAS

Um dos elementos mais curiosos do filme envolve a ausência do próprio Musk. Gibney tentou entrevistá-lo, mas o empresário não participou da produção.

Para contornar a ausência, a equipe criou um avatar digital de Musk que reproduz declarações reais feitas pelo bilionário em entrevistas, podcasts e outras aparições públicas.

A escolha também dialoga com o interesse do empresário por inteligência artificial e pela hipótese de vivermos em uma simulação.

DAVID BYRNE PARTICIPA DA TRILHA

O documentário ainda conta com uma participação inusitada de David Byrne, músico e ex-integrante do Talking Heads. Ele colaborou na música “Let Me Sell You a Dream”, criada para os créditos finais.

A letra reúne frases já ditas por Musk ao longo dos anos e reforça uma das questões centrais levantadas pelo filme: a distância entre as promessas do empresário e os resultados de seus projetos.

A PASSAGEM PELA POLÍTICA GANHA DESTAQUE

A produção dedica parte importante da narrativa à atuação política de Musk e à passagem pelo governo de Donald Trump, quando comandou o Department of Government Efficiency (DOGE).

O documentário vai além: segundo reportagem do Hollywood Reporter, a produção sugere que Musk não estaria mais disposto a conter seus próprios impulsos e estaria em posição de ajudar Trump a interferir nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Um dos depoimentos mais citados é o da ex-namorada de Musk, Ashley St. Clair, apresentada como uma das personagens centrais do filme. Segundo ela, o empresário demonstrou um grau de certeza sobre o resultado da eleição de 2024 antes da apuração dos votos que ela "nunca tinha visto antes".

O documentário estabelece paralelos entre a forma como Musk conduziu mudanças no X e as estratégias adotadas durante sua atuação no governo. A abordagem também amplia o debate sobre o poder acumulado pelo empresário.

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POR QUE ELON MUSK CRITICOU O FILME?

De acordo com o The Hollywood Reporter, Musk chamou o documentário de “hit piece” (matéria difamatória, em tradução livre) e criticou o trabalho de Gibney nas redes sociais.

Pôster preto do documentário Musk, de Alex Gibney, com o título em letras douradas
“Musk”, dirigido por Alex Gibney, tem aproximadamente 225 minutos de duração. Crédito: Divulgação

Além disso, o advogado de Musk, Alex Spiro, enviou uma carta à produtora Jigsaw acusando o documentário de distorcer informações e contestando a sugestão de que o empresário teria usado a Starlink para influenciar a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2024.

A Jigsaw afirmou que a produção se baseia em fatos e que a abordagem é protegida pela Primeira Emenda dos Estados Unidos.

O filme estreou no Festival de Veneza, onde recebeu uma ovação de cinco minutos e críticas majoritariamente positivas. A estreia nos cinemas está prevista para 16 de outubro de 2026. Depois da passagem pelos cinemas, o documentário também terá exibição na TV a cabo pela HBO e no streaming HBO Max.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais