Prepare-se: vem aí um Google Maps muito mais imersivo

A visão imersiva combinará imagens do Street View com fotos aéreas e de satélite para criar um modelo rico e multidimensional do mundo real

Crédito: Google/ Divulgação

Harry McCracken 4 minutos de leitura

Quando você pensa no Google Maps, a primeira coisa que vem à mente provavelmente é… bem, mapas – representações planas de ruas, bairros e cidades. Apesar de toda a tecnologia da plataforma, ela ainda tem muito em comum com os atlas do século passado.

Mas, enquanto o Google planeja o futuro do seu aplicativo de mapas, cada vez mais se concentra em recursos que vão além de sua função mais óbvia. A empresa acaba de anunciar uma série de novos recursos para o Google Maps, adicionando ferramentas para melhorar a experiência na plataforma.

“Vemos um futuro no qual as experiências visuais serão muito mais imersivas. Isso nos ajudará a ter uma ideia mais real de como é um lugar”, conta Chris Phillips, vice-presidente e gerente geral do Google Maps. “Além de ajudar o usuário a conhecer um determinado lugar, ele também poderá ter uma experiência do local.”

ALÉM DO STREET VIEW

Mas a imersão não é um objetivo novo para o Google Maps. O Street View, recurso que permite navegar por lugares através de fotos sobrepostas de milhões de quilômetros de estradas, existe desde 2007.

No entanto, na época, o Google ainda estava na fase inicial de coleta de informações, o que limitava bastante o potencial do Maps. Quinze anos depois, são feitas cerca de 50 milhões de atualizações nos dados da plataforma por dia e há bastante matéria-prima para desenvolver novos recursos.

Durante a conferência I/O 2022, em maio deste ano, a empresa apresentou um novo recurso chamado Visão Imersiva, que permite visualizar pontos turísticos e seu entorno. Desde então, foram adicionadas 250 opções de localidades para explorar, como a Abadia de Westminster, a Torre de Tóquio, o Empire State Building, o Coliseu, o letreiro de Hollywood, o Louvre e a Ponte Vecchio.

Por enquanto, esse recurso, apesar de divertido, oferece uma experiência passiva – são basicamente minifilmes que mostram um ponto turístico famoso. Além de ser uma das raras áreas em que o Google fica atrás do Apple Maps, que tem um recurso similar chamado Flyover há uma década.

Mas os panoramas aéreos do Google são apenas um ponto de partida para a visão imersiva, que promete fornecer informações valiosas e difíceis de transmitir em um mapa convencional.

“O importante não é exibir pontos turísticos impressionantes, mas, sim, oferecer informações sobre esses lugares, para que a pessoa possa tomar suas próprias decisões”, explica o vice-presidente da plataforma.

A visão imersiva combinará imagens do Street View com fotos aéreas e de satélite para criar um “modelo rico e multidimensional do mundo real”, acrescenta Phillips, que também elogia a modelagem preditiva que o Google usará para prever como fatores como o clima afetarão uma localidade nos próximos dias ou semanas.

Los Angeles, Londres, Nova York, São Francisco e Tóquio serão as primeiras cidades a receber o recurso, que estará disponível para Android e iPhone.

QUAL É A “VIBE” DO LUGAR?

Além da visão imersiva, o Google Maps lançará outro recurso em breve. Apesar de não ser imersivo, a ideia também é transmitir ao usuário a sensação “real” do lugar, algo que vai além da simples visualização do mapa do bairro. Chamado “Neighborhood Vibe”, o recurso promete transmitir a personalidade e “energia” de uma área específica, destacando seus pontos mais populares – como galerias de arte ou restaurantes famosos – no mapa.

Houve um tempo em que qualquer bom guia de viagem informava o que havia de especial em bairros específicos. O Apple Maps faz algo semelhante por meio dos seus guias com curadoria humana. Mas, mais uma vez, o Google está aproveitando sua vasta base de dados e usando-a de novas maneiras.

“Estamos combinando inteligência artificial com o conhecimento local de nossos colaboradores, que nos dão cerca de 20 milhões de contribuições por dia, incluindo avaliações, fotos e vídeos”, diz Phillips.

Todos esses novos recursos integrarão o Google Maps, que costuma ser acessado quando os usuários estão em movimento ou com pressa. Então, perguntei a Phillips se há motivos para se preocupar em não complicar demais a experiência para aqueles que ainda usam o aplicativo por seus recursos básicos.

Não deixar os usuários confusos “é uma parte muito importante do nosso trabalho”, diz ele. “Quando adicionamos mais informações e experiências, nos certificamos de que sejam fáceis e intuitivas de usar.”

Com mais de um bilhão de usuários do Google Maps por mês, muito depende da capacidade da empresa de manter sua interface simples.


SOBRE O AUTOR

Harry McCracken é editor de tecnologia da Fast Company baseado em San Francisco. Em vidas passadas, foi editor da Time, fundador e edi... saiba mais