Quais áreas de tecnologia sofrem menos com layoffs? Veja a lista

Funções mais ligadas à gestão e operação continuam relevantes, embora com faixas salariais mais moderadas em comparação às áreas mais especializadas

Natalya Kosarevich via Getty e freepik.com

Joyce Canelle 5 minutos de leitura

Empresas de diferentes setores ampliam a busca por profissionais de tecnologia, impulsionadas pelo avanço da Inteligência Artificial (IA), da análise de dados e da segurança digital.

O movimento ocorre em escala global e reflete uma mudança estratégica das organizações, que tentam acelerar projetos digitais diante da crescente competitividade e da necessidade de inovação.

Um relatório recente indica que, apesar da alta demanda, poucas companhias se consideram preparadas para executar essas iniciativas, o que reforça a disputa por mão de obra qualificada.

A procura por especialistas em tecnologia não para de crescer, mas esbarra em um problema recorrente: a escassez de profissionais com as habilidades exigidas.

Apenas 7% dos líderes afirmam ter equipes totalmente capacitadas para executar projetos prioritários. Ao mesmo tempo, 65% das empresas planejam treinar seus próprios funcionários para reduzir essa lacuna.

As áreas mais estratégicas incluem IA e aprendizado de máquina, citadas por 45% dos gestores.

Em seguida aparecem operações e infraestrutura de TI, com 36%, governança e conformidade, com 25%, além de arquitetura em nuvem e engenharia de dados, que seguem em expansão.

AS PROFISSÕES MAIS REQUISITADAS

Entre as funções com maior crescimento ao longo dos últimos meses, dez se destacam pela demanda consistente e pelos salários competitivos. Os valores variam conforme a experiência, partindo de níveis iniciais até profissionais mais experientes.

O engenheiro de IA e aprendizado de máquina lidera a lista, com salários que podem chegar a US$ 179.500. Em seguida aparecem engenheiros de cibersegurança, com até US$ 190.750, refletindo a preocupação crescente com ataques digitais.

Analistas e cientistas de dados também ganham espaço, com remunerações que ultrapassam US$ 180 mil nos níveis mais altos. Engenheiros DevOps, profissionais de nuvem e desenvolvedores de software completam o grupo de maior valorização no mercado.

ProfissãoInicianteMédioExperiente
Engenheiro de IA/MLUS$ 134.000US$ 170.750US$ 179.500
Engenheiro de cibersegurançaUS$ 118.500US$ 144.000US$ 190.750
Analista de dadosUS$ 96.250US$ 117.250US$ 138.500
Cientista de dadosUS$ 121.750US$ 153.750US$ 182.500
Engenheiro DevOpsUS$ 118.000US$ 145.750US$ 173.750
Analista de negócios ERPUS$ 101.000US$ 123.250US$ 142.250
Gerente de projetos de TIUS$ 103.500US$ 122.750US$ 147.000
Engenheiro de rede/nuvemUS$ 110.000US$ 132.000US$ 155.000
Engenheiro de softwareUS$ 109.250US$ 142.000US$ 175.500
Administrador de sistemasUS$ 80.250US$ 98.000US$ 118.000

Funções mais ligadas à gestão e operação, como gerente de projetos de TI e administrador de sistemas, continuam relevantes, embora com faixas salariais mais moderadas em comparação às áreas mais especializadas.

IA IMPULSIONA CONTRATAÇÕES

A expansão da IA tem impacto direto nas contratações. Engenheiros especializados nessa área assumem papel central ao desenvolver sistemas capazes de automatizar processos e melhorar a tomada de decisão.

Esses profissionais precisam dominar algoritmos, ferramentas de aprendizado de máquina e trabalhar em conjunto com cientistas de dados, a atualização constante se tornou requisito básico, já que a tecnologia evolui rapidamente.

Ao mesmo tempo, a adoção de IA também altera a dinâmica do trabalho. Parte dos profissionais relata redução de tarefas repetitivas, enquanto outros apontam novas demandas, como validação e manutenção de sistemas automatizados.

SEGURANÇA DIGITAL SE TORNA PRIORIDADE

O avanço da tecnologia também amplia os riscos, com ataques mais sofisticados, muitas vezes apoiados por IA, cresce a necessidade de engenheiros de cibersegurança.

Esses especialistas são responsáveis por criar e manter sistemas de proteção, além de monitorar ameaças e garantir conformidade com normas e regulamentações. O trabalho exige conhecimento técnico e atualização constante diante de novos tipos de ataque.

DADOS SE CONSOLIDAM COMO ATIVO ESTRATÉGICO

O volume de informações gerado pelas empresas coloca analistas e cientistas de dados em posição de destaque. Esses profissionais transformam dados brutos em insights que orientam decisões de negócio.

Enquanto analistas focam na interpretação e visualização de informações, cientistas desenvolvem modelos mais complexos e trabalham com grandes volumes de dados, ambos precisam combinar habilidades técnicas com capacidade de comunicação.

Engenheiros de rede e especialistas em nuvem seguem entre os mais procurados. Eles garantem o funcionamento dos sistemas, a segurança das conexões e a integração entre diferentes ambientes tecnológicos.

O domínio de plataformas como serviços em nuvem, além de conhecimentos em redes e automação, é essencial para atender às demandas atuais das empresas, que operam cada vez mais em ambientes híbridos.

GESTÃO E INTEGRAÇÃO DE PROJETOS COMPLEXOS

Com projetos tecnológicos mais amplos, cresce a importância de profissionais capazes de coordenar equipes e alinhar objetivos. Gerentes de projetos de TI e analistas de negócios ERP atuam como ponte entre áreas técnicas e estratégicas.

Eles definem prazos, organizam demandas e garantem que os projetos avancem dentro do orçamento, a habilidade de comunicação se torna tão importante quanto o conhecimento técnico.

Apesar da evolução tecnológica, muitas empresas ainda não conseguem medir o impacto direto da performance dos sistemas nos resultados do negócio. Segundo o Catchpoint, apenas 26% avaliam como melhorias em aplicações afetam indicadores como receita ou satisfação do cliente.

Além disso, menos de um quarto das organizações calcula o custo financeiro de falhas ou lentidão. Sem esses dados, a confiabilidade continua sendo tratada mais como questão técnica do que estratégica.

IA ENTRE EXPECTATIVA E REALIDADE

A percepção sobre IA mudou rapidamente, o otimismo mais que dobrou e já supera o ceticismo, indicando uma virada cultural nas empresas.

Mais da metade das organizações planeja implementar agentes de IA ou já iniciou esse processo. Ainda assim, o impacto prático varia. Para alguns profissionais, a tecnologia reduz tarefas repetitivas. Para outros, cria novas responsabilidades.

A combinação entre alta demanda, falta de qualificação e avanço tecnológico pressiona empresas a investir em treinamento e retenção de talentos.

Atualização constante, domínio de novas ferramentas de IA e capacidade de adaptação serão determinantes para acompanhar a evolução do setor.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais