Será que o dobrável da Samsung é uma “prévia” do novo iPhone?

Galaxy Z Fold8 e Fold8 Ultra colocam dois formatos de celular frente a frente e testam qual deles tem mais chance de conquistar o grande público.

Mão segura celular dobrável aberto diante de outras telas com aplicativos
Créditos: Samsung

Sam Byford 5 minutos de leitura
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A Apple realiza nesta quarta-feira (9) seu evento anual de lançamento de produtos. Rumores indicam que a empresa deve apresentar seu primeiro iPhone dobrável, possivelmente chamado de iPhone Ultra, ao lado dos modelos iPhone 18 Pro.

Enquanto isso, a Samsung continua fazendo experimentos diante do público. Até os smartphones gigantes, com telas de mais de 15,2 centímetros, ou seis polegadas, que carregamos hoje remontam ao lançamento do Galaxy Note, em 2011.

O aparelho nasceu como uma tentativa de ampliar os limites do tamanho das telas, mas acabou incorporado à principal linha Galaxy.

Mais recentemente, a Samsung foi pioneira nos celulares dobráveis, aparentemente sem se preocupar muito se eles estavam prontos para chegar ao grande público. O Galaxy Fold original foi lançado com falhas evidentes, como uma minúscula tela externa e durabilidade questionável.

Já o primeiro Galaxy Z Flip parecia um pouco mais maduro, embora oferecesse pouca funcionalidade além do chamativo design de concha.

Neste ano, a Samsung lançou um novo formato de dobrável que concorre diretamente com outro já existente. Isso cria um fascinante teste A/B para descobrir qual deles o público vai preferir.

O experimento acontece justamente quando a Apple se prepara para sua aguardada entrada nesse mercado.

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USUÁRIOS AVANÇADOS

Três celulares dobráveis da linha Galaxy Z8 da Samsung dispostos sobre uma superfície
: Galaxy Z Fold8 Ultra, Galaxy Z Fold8 e Galaxy Z Flip8, novos celulares dobráveis da Samsung. Crédito: Samsung

Para aumentar a confusão, o dispositivo realmente novo se chama apenas Galaxy Z Fold8, como se fosse uma atualização convencional da linha de dobráveis em formato de livro da Samsung.

A versão que deveria representar essa evolução previsível recebeu o nome Galaxy Z Fold8 Ultra, posicionando-se explicitamente como um produto voltado a usuários avançados.

Isso provavelmente faz algum sentido, considerando quem comprava esses aparelhos ainda restritos a um nicho. Mas o Z Fold8 tem potencial para alcançar um público mais amplo.

Sua tela externa é mais larga e baixa, com tamanho e proporções semelhantes aos de um passaporte. Quando aberto, o aparelho assume uma orientação horizontal de 4:3, em contraste com a tela interna quase quadrada do Ultra.

Essa característica torna o Z Fold8 imediatamente mais atraente para o uso convencional como tablet. Na verdade, sua tela interna de 19,3 centímetros, ou 7,6 polegadas, se aproxima bastante do tamanho e do formato do iPad mini da época em que o aparelho ainda tinha botão de início.

Na comparação com o Ultra, uma parcela menor da tela é ocupada por faixas pretas durante a reprodução de vídeos. Muitos aplicativos Android também funcionam de maneira mais natural na orientação vertical do que em uma tela quadrada.

O Z Fold8 parece o celular perfeito para consumir conteúdo e ainda cabe facilmente no bolso.

O Ultra, em contrapartida, continua sendo o melhor aparelho para tarefas como usar vários aplicativos ao mesmo tempo.

Como a tela externa tem proporções mais próximas das de um smartphone convencional, a principal vantagem da tela interna é permitir a execução de dois aplicativos de celular em tamanho completo, lado a lado.

A Samsung também abriu espaço para um sistema de câmeras mais avançado, que inclui uma lente teleobjetiva — embora seja o mesmo módulo pouco impressionante de 10 megapixels, com zoom óptico de três vezes, que há anos aparece em seus celulares.

O Z Fold8 também tem suas peculiaridades. A posição do alto-falante para chamadas e das saídas de áudio voltadas para a parte inferior faz sentido quando o celular está fechado.

Mas elas continuam sendo as únicas saídas de áudio quando o aparelho é aberto, o que significa que o som vem de apenas um lado da tela. O leitor de impressões digitais também parece mal posicionado quando o celular está no modo tablet.

São problemas relativamente pequenos, e a reação inicial indica que o público foi conquistado pelo Z Fold8.

O veículo sul-coreano ETNews informou que a Samsung encomendou mais um milhão de unidades para o lote inicial de produção depois que o Z Fold8 respondeu por cerca de 70% das encomendas antecipadas da nova linha de dobráveis.

Parte desse resultado pode vir de consumidores pioneiros interessados em experimentar algo novo. Mas, somado às avaliações positivas quase unânimes, ele sugere que existe um entusiasmo genuíno em torno do aparelho.

ALGO NOVO DA APPLE

A Samsung não é exatamente a primeira empresa a testar um celular dobrável com formato mais largo.

Modelos anteriores da Oppo e do Google já se abriam na horizontal, embora ainda fossem mais quadrados que o novo aparelho da Samsung. A Huawei também experimentou dispositivos semelhantes.

Seu Pura X era uma espécie de versão flip do Z Fold8, mas nunca chegou a ser vendido fora da China. No conjunto, parece justo dizer que a Samsung encontrou algo novo.

Isso é um bom sinal para a Apple, que, por coincidência ou não, parece ter chegado à mesma ideia.

A expectativa é que a empresa apresente seu primeiro iPhone dobrável nesta quarta-feira (9). As reportagens e os vazamentos disponíveis até agora indicam que o aparelho terá uma tela ampla, em uma abordagem semelhante à do Z Fold8.

O potencial para a Apple é evidente. O Android nunca conseguiu estabelecer um ecossistema robusto de softwares criados especificamente para tablets.

A Apple, porém, não deve enfrentar grandes dificuldades para convencer sua legião de desenvolvedores independentes a adaptar aplicativos do iPad para um celular dobrável. O aparelho também pode se tornar uma ótima vitrine para o catálogo cada vez mais relevante de produções do Apple TV+.

É improvável que o iPhone dobrável venda muito no início. Esses aparelhos ainda são caros e restritos a um nicho — e isso antes mesmo de considerar a recente rodada de aumentos de preço do iPhone.

Mas existe um caminho para conquistar o grande público, e parece que a Samsung acaba de desenhar o projeto.


SOBRE O AUTOR

Sam Byford é jornalista do site de tecnologia Multicore, que cobre a interseção entre tecnologia, design e fotografia. saiba mais