POR CANDICE FAKTOR

Mesmo antes da pandemia, o declínio da educação tradicional já estava em andamento. Com custos exorbitantes e foco em resultados de testes padronizados, o modelo de educação industrial tornou-se cada vez mais desconectado das necessidades tanto de estudantes quanto de empregadores. E o pior de tudo: pouca atenção é dada ao incentivo às habilidades e à mentalidade necessária para a aprendizagem ao longo da vida.

Como cofundadora de uma startup de educação, não acho que tenha de ser assim. Um estudo recente de Harvard mostrou que os alunos realmente aprendem mais quando a educação é baseada no “aprendizado ativo”, que promove o trabalho colaborativo em projetos. E agora, a pandemia de COVID-19 acelerou a interrupção da educação, pois crianças e adolescentes foram forçados a aprender em casa. Ao pensar em como deve ser o aprendizado do futuro, descobri que a plataforma TikTok oferece alguns insights surpreendentes.

Nos últimos anos, o TikTok se tornou uma das maiores plataformas de aprendizagem do mundo: está disponível em mais de 150 mercados e 75 idiomas, é um dos aplicativos mais baixados em mais de 40 países. Nele, os criadores fazem uma variedade de vídeos curtos sobre tudo, desde dicas de culinária a movimentos de dança e habilidades matemáticas. A hashtag #LearnOnTikTok atualmente tem mais de sete bilhões de visualizações.

Por que o TikTok se tornou uma plataforma de aprendizado tão popular? Porque a rede incorpora as seguintes tendências:

Empoderamento de criadores: a educação tradicional tem se concentrado em instituições que limitam e controlam o acesso aos professores, regulando a relação com os alunos. Em compensação, o TikTok foi projetado para tornar mais fácil para qualquer pessoa criar vídeos, compartilhar informações e encontrar um público.

A plataforma também empodera professores dos mais variados tipos, oferecendo a eles uma plataforma independente de suas instituições e uma nova maneira de encontrar seus alunos onde quer que estejam. Por exemplo, a professora @Iamthatenglishteacher começou a postar aulas de gramática no TikTok para ajudar seus alunos do ensino médio a superar erros comuns. Ela agora tem 1,5 milhão de seguidores.

Influência é o novo reconhecimento: os principais criadores do TikTok não estão lá por causa da instituição de ensino que frequentaram ou do diploma que possuem. O que dá a eles autoridade e influência são suas habilidades e a capacidade de incorporar o que estão ensinando de uma forma convincente. É uma tendência em todo o setor de educação: as pessoas estão buscando reconhecimento e não comparação com institucionais tradicionais.

Aprender é divertido e os alunos estão ativamente envolvidos: certa vez, o empresário Seth Godin disse que o foco da educação moderna pode ser resumido com uma pergunta: “Vai cair na prova?” Ele acredita que o que está faltando no âmago dessa mentalidade é a “matrícula” – a ideia de que os alunos estão lá porque querem. O TikTok captura este conceito: é divertido, envolvente e as pessoas aparecem por opção, motivadas pelo amor ao assunto e não por um certificado ou crédito de curso.

O futuro da aprendizagem será social: o TikTok é uma ferramenta poderosa para a educação porque é uma plataforma de aprendizagem e uma rede social. As pessoas encontram seus amigos, navegam pelo conteúdo e, ao longo do caminho, encontram novos grupos com interesses em comum. Os 500 milhões de usuários ativos do TikTok agora o colocam à frente das redes sociais mais conhecidas, como LinkedIn, Twitter, Pinterest e Snapchat.

Mas, embora o TikTok ilumine muitas das tendências que definem o futuro do aprendizado, a rede também tem suas evidentes limitações. A duração máxima permitida do vídeo é de 60 segundos, o que torna impossível uma educação completa ou um treinamento de habilidades mais profundo na plataforma.

Além disso, não fornece conexão ao vivo ou responsabilidade – dois componentes essenciais que também não existiam na primeira geração de aprendizado online. Quando as aulas online começaram, davam acesso principalmente a conteúdo educacional, mas tiveram dificuldades para seguir em frente: em média, apenas 4% das pessoas concluíram uma aula online, principalmente porque não havia uma comunidade envolvida. E é a comunidade que dá responsabilidade coletiva e a colaboração que estimula as pessoas a continuar.

Ainda assim, o TikTok é valioso para os educadores nesse momento porque promove a visibilidade. Mas não é uma fonte sustentável de rendimentos. 

“O TikTok me permite capturar e compartilhar esses momentos profundos que mostram meu trabalho”, diz Rachel Weinstock, uma criadora no Tiktok, educadora e ativista que oferece cursos e palestras. “TikTok é a ferramenta de superfície, que me permite espalhar uma mensagem, mas não oferece uma fonte de renda. Cada vez mais, eu a utilizo para convidar usuários para meus cursos pagos e programas mais avançados.”

Educadores e criadores como Rachel precisam de mais além do que o TikTok pode oferecer. Uma solução business-in-a-box pode facilitar a construção de experiências educacionais que criam fluxos de renda sustentáveis sem a necessidade de milhões de seguidores.

Isso se torna possível quando o conteúdo educacional vai além do que uma plataforma como o TikTok oferece, ao mesmo tempo em que retém parte desse ethos social e envolvente pelo qual as pessoas naturalmente passeiam. Em um curso ao vivo, online e focado no aluno, por exemplo, os grupos aprendem juntos; eles dão e recebem feedback e possuem responsabilidades. Em comparação com a geração anterior, de aprendizado online individualizado, esse modelo pode criar um verdadeiro sentimento de pertencimento.

Essas são as experiências educacionais que funcionam melhor para o professor e o aluno. Elas podem nos levar a uma era de ouro de aprendizagem – acessível de qualquer lugar, liderada por criadores e educadores apaixonados e alicerçada em uma comunidade conectada.

SOBRE O AUTOR

Candice Faktor é cofundadora da Disco, plataforma para criadores criarem e monetizarem cursos ao vivo e comunidades de ensino