Seu 5G pode vir do espaço: Starlink avança em conexão direta com celulares
Projeto da Starlink prevê internet de alta velocidade, chamadas de vídeo e acesso a aplicativos diretamente pelo celular

A conexão entre celulares e satélites está avançando e pode mudar a forma como as operadoras oferecem cobertura em regiões sem sinal.
A Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX, trabalha em uma nova geração de tecnologia capaz de levar conectividade móvel diretamente aos smartphones, sem exigir uma antena externa.
A proposta é ampliar a cobertura para áreas rurais, estradas e locais afastados das torres convencionais, usando satélites em órbita baixa como estações de comunicação no espaço.
Embora a tecnologia já permita enviar mensagens e utilizar alguns aplicativos em mercados específicos, a experiência completa de 5G direto no celular ainda depende da expansão da infraestrutura.
Leia também: Starlink no celular: quando a tecnologia chega ao Brasil?
STARLINK PREPARA SATÉLITES COM CAPACIDADE PARA 5G
A SpaceX planeja usar uma nova geração de satélites Direct to Cell para ampliar a velocidade e a capacidade de conexão. Segundo a empresa, a tecnologia combinará espectro de radiofrequência de precisão, antenas avançadas e protocolos 5G adaptados à comunicação via satélite.
A companhia estima que a próxima geração poderá oferecer capacidade total superior a 100 vezes a do sistema inicial. A meta é permitir conectividade 5G em celulares convencionais, sem exigir modificações no aparelho, além de ampliar o suporte a chamadas, vídeos e aplicativos.
Outro movimento importante ocorreu neste mês, quando a SpaceX anunciou a compra de frequências de baixa frequência nos Estados Unidos por cerca de US$ 8 bilhões.
A aquisição pode ajudar o sinal a alcançar áreas mais distantes e atravessar obstáculos, embora ainda dependa de aprovação regulatória.
BRASIL TESTA CONEXÃO DIRETA ENTRE SATÉLITES E CELULARES
No Brasil, a Vivo tem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para testar a conexão direta entre smartphones e satélites da Starlink. Em setembro, a agência prorrogou a autorização experimental até abril de 2029.
A tecnologia, conhecida como Direct-to-Device (D2D), permite que celulares compatíveis se conectem aos satélites quando não há cobertura terrestre.
A expectativa do setor é que a oferta comercial brasileira possa começar em 2027, mas ainda existem etapas técnicas e regulatórias antes da expansão do serviço.
CONEXÃO VIA SATÉLITE NÃO SUBSTITUI AS REDES MÓVEIS
Apesar da evolução, o serviço não deve substituir imediatamente as redes 4G e 5G tradicionais. A proposta inicial é complementar a cobertura das operadoras, principalmente em áreas rurais, rodovias, trilhas e regiões isoladas.
As primeiras versões do Direct to Cell priorizam mensagens, localização e alguns aplicativos que exigem pouco tráfego de dados.
Recursos mais exigentes, como streaming e chamadas de vídeo, dependem da ampliação da capacidade dos satélites e da disponibilidade do serviço em cada mercado.
Portanto, a possibilidade de receber 5G diretamente do espaço representa uma evolução importante para a telefonia móvel, mas a experiência dependerá da geração de satélites, dos celulares compatíveis e dos acordos com as operadoras. No Brasil, a conexão direta ainda está em fase experimental.