Só 37% das escolas liberam IA para alunos – mas 53% dos gestores já usam
Pesquisa TIC Educação 2025 expõe o descompasso na adoção da tecnologia: apenas 22% das instituições contam com um guia de orientação

A inteligência artificial generativa já faz parte da rotina de mais da metade dos gestores escolares brasileiros. Para os estudantes, porém, o acesso ainda é restrito: apenas 37% das escolas permitem o uso da tecnologia em atividades educacionais.
Os dados são da Pesquisa TIC Educação 2025, divulgada pelo Cetic.br, centro de pesquisa do Núcleo de Informações e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Esta foi a primeira edição do levantamento a mapear a adoção de IA generativa por gestores escolares.
Realizada desde 2010, a pesquisa ouviu por telefone gestores de 2.404 escolas públicas e particulares, urbanas e rurais, entre agosto de 2025 e abril de 2026.
ACESSO MUDA CONFORME A REDE E O NÍVEL DE ENSINO
A permissão também cresce conforme o nível de ensino oferecido. Entre as instituições que atendem somente até os anos iniciais do ensino fundamental, 26% autorizam a ferramenta. O percentual sobe para 42% nas escolas que chegam aos anos finais do fundamental e alcança 52% naquelas que oferecem ensino médio.
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As escolas estaduais são as que mais liberam o uso de inteligência artificial pelos estudantes, com 47%. Nas municipais, o índice cai para 35%. Entre as particulares, fica em 31%.
GESTORES JÁ INCORPORARAM A IA À ROTINA
Enquanto o uso pelos alunos permanece limitado, 53% dos gestores escolares já adotam IA generativa em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras da instituição.
A adesão varia pelo país. Na região Sul, 66% dos gestores utilizam a tecnologia. No Norte, são 39%.

Entre aqueles que já adotaram a IA, 83% recorrem à ferramenta para criar imagens, apresentações e vídeos. Outros 80% a utilizam para produzir convites, avisos e comunicados.
A inteligência artificial também aparece em tarefas de planejamento e gestão. Segundo a pesquisa, 75% usam a ferramenta para organizar atividades pedagógicas, 71% para transcrever, resumir, revisar ou traduzir textos e 64% para produzir relatórios.
Já 51% recorrem à IA para analisar dados sobre o desempenho dos alunos, as práticas pedagógicas ou o funcionamento da escola.
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O padrão mostra que a tecnologia entrou primeiro pelas tarefas operacionais e de comunicação. Sua adoção em atividades que envolvem avaliação e tomada de decisão ainda é menor.
A TECNOLOGIA AVANÇA ANTES DAS REGRAS
As discussões sobre regras para o uso de IA por alunos e professores passaram de 40% das escolas em 2024 para 60% em 2025. A elaboração de orientações práticas, entretanto, não avançou no mesmo ritmo.
Nas escolas, a tecnologia entrou primeiro pelas tarefas operacionais e de comunicação.
Apenas 22% dos gestores afirmam que suas escolas contam com um guia para orientar o uso de IA no ensino, na aprendizagem e na gestão. O percentual é de 19% nas escolas municipais e de 25% tanto nas estaduais quanto nas particulares.
A ausência de regras nas instituições coincide com um debate ainda em andamento no país. Em maio, o Conselho Nacional de Educação colocou em consulta pública um texto de referência para as diretrizes de uso da IA na educação brasileira. O tema continua na agenda do Conselho Pleno em agosto.
Os dados revelam que a inteligência artificial chegou às escolas primeiro pela administração. Agora, o desafio é estabelecer regras para incorporá-la à aprendizagem de forma clara, crítica e segura.