Starship chega à órbita pela primeira vez, mas SpaceX encurta voo

Foguete levou 26 satélites Starlink ao espaço; a missão prevista para dez horas terminou após três, com queda no Pacífico.

Montagem da Starship decolando, com fumaça, números digitais e linhas curvas sobre fundo azul e roxo.
A Starship chegou à órbita pela primeira vez, mas a SpaceX encerrou o voo antes do previsto.

Associated Press 4 minutos de leitura
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A SpaceX colocou a Starship em órbita pela primeira vez nesta segunda-feira (28) e lançou com sucesso os satélites Starlink mais avançados até agora. A empresa, porém, encurtou o voo para garantir a segurança.

A nave reentrou na atmosfera sobre o Pacífico e caiu no mar ao norte do Havaí, três horas depois de decolar do Texas. A companhia pretendia realizar um voo de dez horas, com seis voltas completas ao redor da Terra, para demonstrar que o veículo estava preparado para o programa lunar Artemis, da NASA.

A Starship tombou e pegou fogo ao atingir a água, encerrando a missão de forma dramática.

A nave da empresa fundada por Elon Musk quase não chegou à órbita porque um de seus motores desligou antes da hora. Mas, como todos os demais sistemas funcionavam bem e aquele motor já não era necessário, os controladores de voo decidiram, após vários minutos de tensão, seguir com o plano.

“A Starship está em órbita”, anunciou o controle da missão, sob comemorações.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, parabenizou a SpaceX por alcançar a órbita e por “conduzir cada etapa de maneira segura, responsável e especialmente inspiradora”.

O principal foguete de Musk — o maior e mais potente já construído — transportou 26 satélites da geração mais recente da Starlink. Eles se juntam aos 11 mil modelos anteriores que já fornecem acesso à internet.

Os satélites saíram da nave um a um, provocando mais comemorações entre as pessoas que acompanhavam o lançamento na base Starbase, no Texas.

A decisão de encerrar o voo antecipadamente veio pouco depois. Nenhum motivo foi informado.

Foi o 14º lançamento da Starship em escala completa a partir do extremo sul do Texas em três anos. Os voos de teste anteriores não haviam ido além do oceano Índico, do outro lado do planeta, muitas vezes terminando em quedas e incêndios após breves passagens pelo espaço.

Desta vez, a SpaceX pretendia dar a volta ao mundo a uma altitude de 275 quilômetros. O plano era completar seis voltas em quase dez horas e terminar com uma queda no Pacífico, perto do Chile.

Embora a Starship tenha atingido a órbita prevista, viajando a cerca de 28 mil quilômetros por hora, os controladores optaram por uma abordagem mais cautelosa e trouxeram a nave de volta várias horas antes, após apenas algumas voltas.

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Também não estava previsto que o propulsor do primeiro estágio retornasse à base Starbase. Ele caiu no golfo do México poucos minutos após a decolagem, realizada pela manhã.

Starship decola ao lado da torre de lançamento, com chamas na base e grandes nuvens de fumaça sob o céu azul.
Projetada para ser totalmente reutilizável, a Starship é parte dos planos da SpaceX para levar cargas e astronautas à Lua.

A SpaceX quer garantir que tudo funcione antes de trazer a Starship de volta à base. Se a nave se desintegrar sobre uma área terrestre e seus destroços caírem sobre pessoas, “nossa popularidade diminuiria muito rapidamente”, disse Musk em um encontro empresarial no início deste mês. “É por isso que estamos sendo extremamente cautelosos aqui.”

Dependendo das conclusões sobre a estreia orbital desta segunda-feira, a próxima Starship poderá retornar à plataforma de lançamento, onde braços mecânicos gigantes tentariam capturar a nave enquanto ela pairasse no ar.

Se a captura funcionar — Musk estima uma chance de sucesso de 50%, ou um pouco mais —, a SpaceX voltará a lançar a mesma nave até o fim do ano ou no início do próximo.

O foguete de 124 metros foi projetado desde o início para ser totalmente reutilizável, um fator essencial para reduzir os custos dos lançamentos.

A SpaceX conseguiu recuperar a Starship anterior no oceano Índico, em julho. Os engenheiros modificaram o escudo térmico da nave recém-lançada com base nas inspeções feitas diretamente no veículo recuperado, que está sendo rebocado de volta à Starbase.

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SPACEX QUER CERTIFICAR A STARSHIP PARA VOOS ORBITAIS

A SpaceX intensifica os esforços para certificar a Starship para voos orbitais, uma etapa fundamental para as viagens à Lua e a Marte.

A missão Artemis III, da NASA, poderá ocorrer já no próximo verão do hemisfério norte. Ela prevê três lançamentos para testar, em órbita da Terra, o acoplamento entre uma cápsula Orion com astronautas a bordo e os módulos de pouso lunar de empresas concorrentes.

O Blue Moon, de Jeff Bezos, será lançado primeiro. Depois virá a Orion, que se aproximará para o acoplamento. Por último, a Starship, de Musk, será lançada para se acoplar à Orion depois que o Blue Moon se separar.

A missão seguinte, Artemis IV, prevista para ocorrer a partir de 2028, levaria astronautas à superfície da Lua a bordo do Blue Moon ou da Starship — o veículo que estiver pronto primeiro. As missões lunares posteriores alternarão entre os módulos de pouso dos dois bilionários.

Musk desenvolveu originalmente a Starship para Marte, com a intenção de lançar dezenas dessas naves com os primeiros colonizadores do planeta vermelho.

Por enquanto, ele pretende se concentrar na Lua e usar a Starship para transportar grandes quantidades de satélites à órbita, substituindo gradualmente o foguete Falcon 9, de menor capacidade, ao longo dos próximos anos.

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Um segundo local de lançamento da Starship está perto de ser concluído no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Um terceiro está previsto para a Louisiana.


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