Sua TV da pandemia pode estar perto da hora da troca
Com muitos consumidores sentindo que seus aparelhos estão ficando ultrapassados o setor pode enfrentar uma nova onda de compras em um ou dois anos

Em 2020, quando as pessoas começaram a perceber que passariam muito mais tempo em casa do que imaginavam por conta da epidemia de Covid-19, muita gente resolveu investir em uma nova TV. Cerca de 315,6 milhões de aparelhos foram parar em lares pelo mundo todo naquele ano – um aumento de 6% em relação ao período anterior.
Esses televisores ainda têm fôlego: em média, uma TV funciona por 10 anos ou mais sem problemas. Mas muitos consumidores já começam a sentir que seus aparelhos estão ficando ultrapassados. E, ao longo dos próximos um ou dois anos, o setor pode enfrentar uma nova onda de compras.
A Circana, que monitora o comportamento de consumo, aponta que a troca de TVs acontece, em média, a cada 6,6 anos. Durante a pandemia, esse ciclo caiu para cinco anos, refletindo o boom de compras impulsionado pelo trabalho remoto e pela permanência em casa.
Isso coloca mais de 20% das TVs em uso no mundo dentro da chamada “zona de upgrade”. Fabricantes já se posicionam para capturar esse possível salto nas vendas, que pode começar antes do esperado.
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Grandes eventos esportivos costumam acelerar esse movimento. Nos dias que antecedem o Super Bowl, por exemplo, varejistas dos EUA apostam em descontos agressivos em modelos premium, atraindo consumidores que querem assistir aos jogos com a melhor qualidade possível. Em 2026, a Copa do Mundo deve cumprir esse mesmo papel de catalisador.
Preço segue sendo um fator decisivo na hora da compra, mas o tamanho da tela ganha cada vez mais relevância.
Esse cenário favorece empresas como a TCL, segunda maior marca de TVs do mundo em volume de vendas e uma das líderes no segmento de telas grandes. A aposta da companhia é clara: o consumidor está pronto para dar um salto de tamanho em 2026 e 2027.

“Historicamente, o upgrade sempre esteve ligado à compra de uma TV maior”, afirma Chris Hamdorf, vice-presidente executivo da TCL. “A TV que você comprou há seis anos e considerava grande já não é mais.”
Os consumidores parecem concordar: maior é melhor. A consultoria Omdia projeta que a categoria de TVs ultragrandes (acima de 80 polegadas) vai crescer 44% entre 2025 e 2029, saltando de nove milhões de unidades em 2025 para mais de 13 milhões em 2029.
“Há dinâmicas de crescimento importantes dentro do mercado de aparelhos de TVs. Modelos maiores, especialmente entre 65 e 85 polegadas, vêm registrando alta nas vendas”, aponta a Circana em seu relatório Futuro da TV 2026. “Até mesmo TVs extragrandes tiveram desempenho sólido na última temporada de fim de ano.”
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Além disso, os modelos mais recentes trazem integração mais avançada com aplicativos, incluindo serviços de streaming, permitindo alternar entre plataformas como Netflix e Disney+ com muito mais fluidez.
O avanço do cloud gaming também entra na equação: hoje, já é possível jogar títulos recentes do Xbox sem precisar investir mais de US$ 500 em um console.
O número de TVs ultragrandes deve saltar de nove milhões de unidades em 2025 para mais de 13 milhões em 2029.
O principal obstáculo para esse crescimento pode vir de onde menos se espera, mas já preocupa toda a indústria de eletrônicos de consumo: a voracidade da inteligência artificial por recursos. A escassez de memória de computador tem provocado um efeito cascata em diferentes setores, elevando preços e reduzindo a oferta.
No fim das contas, isso deve impactar o preço final das TVs e, provavelmente, as margens dos fabricantes. A aposta do setor é que o salto tecnológico dos novos aparelhos seja suficiente para convencer o consumidor a trocar de modelo.
“Quanto mais premium a TV, mais memória ela incorpora. Se a última vez que você comprou uma TV foi durante a pandemia, os preços atuais, mesmo com o custo da memória, e tudo o que esses aparelhos entregam hoje são bem melhores do que há cinco ou seis anos”, conclui Hamdorf.