Este acessório fez meu iPhone achar que era um BlackBerry
Com teclado físico, bateria própria e conexão magnética, o Power Keyboard recupera uma tecnologia que se recusa a desaparecer.

A maioria das tecnologias obsoletas desapareceu para sempre — e ainda bem. Nunca mais vou comprar um computador novo com leitor de disquete, monitor de tubo ou conexão FireWire. Provavelmente, ninguém vai.
Mas os pequenos teclados de plástico, físicos e resistentes à passagem do tempo, ainda despertam o interesse de um grupo fiel de usuários de smartphones.
Em teoria, a contagem regressiva para sua extinção começou quando o iPhone chegou ao mercado, quase 20 anos atrás. Só que eles se recusaram a morrer. Sempre existiram alguns celulares Android com teclado físico, além de acessórios capazes de acrescentar teclas a outros aparelhos — até mesmo ao iPhone.
Nos últimos anos, a principal defensora desses teclados tem sido uma pequena empresa chamada Clicks. Entre seus fundadores estão dois jornalistas veteranos de tecnologia: Michael “MrMobile” Fisher e Kevin “CrackBerry Kevin” Michaluk.
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Os dois viveram a época em que o BlackBerry era admirado pela atenção que seus criadores dedicavam ao teclado físico QWERTY. Muito depois de o restante do mundo abandonar esse formato, a Clicks tenta mantê-lo vivo.
Nunca fui usuário de BlackBerry, embora adorasse meu Palm Treo e suas teclas com formato de jujuba. Ainda assim, é difícil não admirar a coragem e a criatividade de Fisher e Michaluk. A nostalgia dos celulares antigos pode servir de matéria-prima para produtos novos.
UM TECLADO QUE NÃO FICA PRESO AO CELULAR
Até este ano, a Clicks produzia capas com teclado físico para iPhones e outros celulares. O resultado fazia os aparelhos parecerem BlackBerrys compridos demais.
Eu não queria uma. Mesmo que me acostumasse a carregar no bolso um celular tão alto, ainda teria dificuldade em pagar US$ 139 por uma capa criada para um modelo específico — e que provavelmente não funcionaria com meu próximo aparelho.

Foi então que a Clicks apresentou o Power Keyboard. Anunciado em janeiro e vendido por US$ 99, o acessório é um teclado Bluetooth independente, alimentado por bateria.
Ele se prende magneticamente à parte traseira de iPhones compatíveis com MagSafe e de celulares Android equipados com a tecnologia semelhante Qi2. Para usá-lo, basta deslizar o teclado pelos trilhos, posicionando-o abaixo e um pouco atrás do telefone.
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O resultado visual lembra menos um BlackBerry e mais o fracassado HP Pre 3. O aparelho ficou conhecido — quando é lembrado — por ter sido lançado em 17 de agosto de 2011 e descontinuado no dia seguinte. O Power Keyboard oferece uma flexibilidade impossível para uma capa com teclado. É fácil colocá-lo e retirá-lo, além de ser possível usá-lo em celulares que já estão protegidos por outra capa, como a minha Peak Design Everyday Case.
Sua bateria interna de 2.300 mAh permite que o acessório também funcione como carregador portátil para o telefone. Mesmo sem estar conectado a um celular, ele pode ser usado com até nove dispositivos que aceitem entrada de texto por Bluetooth, incluindo smart TVs, aparelhos de streaming, tablets e headsets como o Apple Vision Pro.
O MELHOR TECLADO PEQUENO QUE JÁ TESTEI

O Power Keyboard não é apenas uma ideia interessante. A execução também impressiona. Depois de passar alguns dias com uma unidade cedida pela Clicks para avaliação, não consigo imaginar como um acessório desse tipo poderia ser muito melhor.
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Se você gosta de teclados pequenos, este talvez seja o último que precisará comprar.
O teclado retroiluminado tem 47 teclas e remete imediatamente ao BlackBerry, mas traz um recurso que não existia nos aparelhos da marca — nem nas capas da própria Clicks: uma fileira dedicada aos números.
Todas as teclas respondem com o clique tátil que representa a vantagem mais óbvia de digitar em plástico, em vez de vidro. O mecanismo que permite deslizar o teclado parece resistente e produz um estalo satisfatório ao chegar à posição final.
Até o que poderia ser considerado um erro de design ganhou uma solução elegante. A borda superior do Power Keyboard invade o espaço da câmera ultrawide do iPhone 16. Em vez de retirar o acessório, basta girá-lo por alguns segundos para liberar a lente.
MAIS ESPAÇO NA TELA E NOVOS COMANDOS
A sensação das teclas físicas é o motivo mais evidente para usar um produto como esse. Mas, à medida que escrevia, comecei a perceber vantagens menos óbvias em relação ao teclado na tela.
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Retirar o teclado do display libera mais espaço para o conteúdo. Atividades antes pouco práticas, como editar uma planilha com o celular na horizontal, tornam-se possíveis. Para usar o acessório nessa posição, basta girá-lo em 90 graus, em vez de deslizá-lo.
No ano passado, meu colega Jared Newman descobriu, ao testar uma capa da Clicks, que a empresa criou comandos inteligentes para o teclado.
Eles permitem desfazer ações, abrir e fechar abas do navegador e até iniciar atalhos da Apple com um único clique. É uma interface distante dos gestos feitos diretamente na tela. Mas, para quem dedicar tempo a aprendê-la, pode se tornar mais eficiente.
UM ACESSÓRIO GRANDE DEMAIS PARA O BOLSO
A presença física do Power Keyboard é, ao mesmo tempo, sua maior qualidade e sua principal limitação.
O acessório ocupa bastante espaço. Parece um BlackBerry com uma protuberância magnética no lugar em que estaria a tela. É quase 85% mais espesso que meu iPhone 16 Pro e pesa quase o mesmo que o celular.
Quando conectados, teclado e telefone formam um conjunto que desafia o significado da palavra “portátil”.
Também precisei de tempo para me acostumar com a distribuição do peso. Ao segurar o teclado e digitar com os polegares, o celular fica projetado acima das mãos, tornando a parte superior do conjunto mais pesada.
Em nenhum momento, porém, tive a impressão de que as duas peças poderiam se separar ou escapar das minhas mãos.

O sistema magnético e o mecanismo deslizante tornam o uso menos comprometedor. Não é necessário guardar o acessório no mesmo bolso do celular nem abri-lo sempre que quiser utilizar o telefone.
Suspeito que até os maiores entusiastas vão usá-lo apenas em algumas situações — para responder rapidamente a uma sequência de emails, por exemplo. Essa sempre foi uma das grandes vocações do BlackBerry.
O TECLADO FÍSICO AINDA NÃO MORREU
Vivemos em uma época em que existem diversas maneiras de interagir com o celular, desde comandos de voz até aplicativos de teclado desenvolvidos por outras empresas. O Power Keyboard oferece mais uma opção.
Por ser tão distante da estética e da filosofia da Apple, surpreende o quanto funciona bem com o iPhone. Não espero utilizá-lo o tempo todo, em parte porque consigo escrever mais rápido deslizando o dedo sobre o teclado da Apple.
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Ainda assim, gosto de ter essa possibilidade — e talvez acabe usando o acessório mais do que imagino.
Fisher e Michaluk também não terminaram de explorar as possibilidades dos teclados inspirados no BlackBerry. Em janeiro, junto com o Power Keyboard, eles anunciaram o Clicks Communicator, um celular Android de US$ 499 desenvolvido em torno de teclas físicas.
O aparelho ainda não começou a ser entregue. Mas já estou curioso para descobrir qual será o próximo produto da dupla — e como os pequenos teclados QWERTY continuarão desafiando a própria morte nos próximos anos.