Como Star Trek ajudou a inventar o futuro

Sessenta anos após a estreia da série, várias de suas ideias futuristas fazem parte do nosso dia-a-dia.

Comunicador inspirado em Star Trek ao lado de tecnologias modernas
Oleg via Adobe Stock / Wonderlane via Unsplash / Umut Çolak via Wikimedia Commons

Chris Morris 5 minutos de leitura
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Star Trek: Jornada nas Estrelas surgiu  em nossas vidas pela primeira vez às 20h30 do dia 8 de setembro de 1966, e o mundo da ficção científica nunca mais foi o mesmo. A série, embora tenha sido cancelada após apenas três temporadas, tornou-se um fenômeno duradouro da cultura pop que deu origem a um império do entretenimento, com filmes, séries derivadas, produtos oficiais e uma base de fãs que poucas propriedades intelectuais conseguem igualar.

Mas Star Trek provou ser mais do que apenas uma franquia de entretenimento. A tecnologia imaginada pela série inspirou muitos desenvolvedores futuros a tentar recriar os aparelhos que viram enquanto cresciam. E alguns desses dispositivos fantásticos se tornaram parte do cotidiano, mesmo que ainda estejamos muito longe de lançar nossa própria missão de cinco anos para explorar novos e estranhos mundos.

Aqui estão alguns exemplos de tecnologias que apareciam nas telas e se tornaram realidade.

COMUNICADORES

Capitão Kirk segura um comunicador portátil em cena de Star Trek
O comunicador usado pelo capitão Kirk ajudou a inspirar o desenvolvimento do telefone celular portátil. Crédito: Reprodução/CBS Studios

O capitão Kirk e sua tripulação mantinham contato entre si e com a nave Enterprise por meio de um aparelho portátil que se abria, estilo flip phone. A tecnologia moderna conseguiu reproduzir isso em 1989, com o lançamento do primeiro celular Motorola StarTAC, e aperfeiçoando o design com o Razr em 2004.

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A tecnologia, é claro, continuou a evoluir, e os “comunicadores” que carregamos hoje, na forma de iPhones e da ampla variedade de dispositivos Android, fazem muito mais do que apenas nos permitir conversar com outras pessoas. Ainda assim, Martin Cooper, a quem é atribuída a invenção do primeiro celular portátil na década de 1970, afirmou que sua inspiração para o primeiro celular foi, na verdade, o comunicador de Star Trek.

TRADUTORES UNIVERSAIS

Tenente Uhura usa dispositivo de comunicação na ponte da nave Enterprise
Em “Star Trek”, o tradutor universal permitia que a tripulação compreendesse idiomas alienígenas. Crédito: Reprodução/CBS Studios

A tenente Uhura tinha muitas funções a bordo da Enterprise, mas entender o que os alienígenas estavam dizendo nem sempre era uma delas. Essa era a função do tradutor universal da nave. Hoje, existem várias ferramentas que oferecem tradução instantânea de idiomas estrangeiros, embora não sejam muito úteis caso um Gorn queira puxar conversa.

Esses produtos vão desde aplicativos como o Google Tradutor e o iTranslate até fones de ouvido com inteligência artificial, como a linha Samsung Galaxy Buds4 e o W4 Pro da Timekettle, além de tradutores portáteis, como o dispositivo Vasco V4.

COMPUTADORES COM INTERFACE DE VOZ

Spock sentado diante dos controles do computador da nave Enterprise
Conversar com computadores parecia ficção científica quando Spock fazia isso na década de 1960. Crédito: Reprodução/CBS Studios

Em 1966, ver o Sr. Spock conversando com o computador da nave era algo que poucas pessoas podiam imaginar. Hoje, milhões fazem isso regularmente: interagem com o dispositivo Amazon Echo que fica na bancada da cozinha, pedem à Siri para buscar alguma informação ou até mesmo mandam o aspirador de pó limpar o chão. A maioria dos estados, na verdade, exige que os motoristas evitem pegar o celular ao volante, mas não vê problema algum nas interações por voz.

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TRICORDER MÉDICO

Dr. McCoy segura um aparelho médico portátil em cena de Star Trek
O tricorder de McCoy antecipou aparelhos portáteis capazes de monitorar diferentes sinais vitais. Crédito: Reprodução/CBS Studios

O Dr. McCoy não é a única pessoa que possui um scanner médico do tipo tricorder, embora o dele ainda seja muito melhor do que qualquer outro que tenhamos no momento. Há uma década, uma empresa chamada Scanadu apresentou um dispositivo portátil que media cinco sinais vitais em cerca de 30 segundos. Essa empresa foi adquirida há seis anos pela startup de saúde israelense Healthy.io.

Os smartwatches atuais, por sua vez, desempenham algumas das mesmas funções de um tricorder, monitorando sua frequência cardíaca, seus horários de sono, sua pressão arterial e muito mais.

REPLICADORES

Oficial da Frota Estelar observa um objeto produzido por um replicador
Os replicadores de “Star Trek” criavam objetos sob demanda, ideia hoje associada às impressoras 3D. Crédito: Reprodução/Paramount

O advento das impressoras 3D nos deu a capacidade de criar dispositivos do nada, assim como os telespectadores viram nas temporadas subsequentes de Star Trek (embora, às vezes, leve um ou dois dias para que elas sejam montadas). A tecnologia pode criar de tudo, desde próteses personalizadas até peças de motor e motores de foguete, como os utilizados no foguete Aeon 1 em 2023.

A comida impressa em 3D, da forma como foi apresentada no programa, não é possível, mas dispositivos especializados podem criar camadas comestíveis usando pós alimentícios e um aglutinante líquido. Isso pode resultar em uma sobremesa razoável, mas ainda estamos muito longe de aprender a fazer Gagh, uma iguaria Klingon.

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PISTOLA DE INJEÇÃO A JATO (HYPOSPRAY)

Dr. McCoy aplica uma injeção sem agulha no braço do capitão KirkDr. McCoy aplica uma injeção sem agulha no braço do capitão Kirk
A hypospray aplicava medicamentos sem agulha, usando um princípio semelhante ao dos injetores a jato. Crédito: Reprodução/CBS Studios

As injeções em “Star Trek” eram feitas sem agulha, algo que deixava qualquer criança que assistisse à série com inveja. O que poucos percebiam, porém, era que os injetores a jato já existiam naquela época. O dispositivo usa gás sob alta pressão para impulsionar um jato de medicamento líquido em alta velocidade através da pele. A tecnologia ainda existe hoje, mas os médicos, em sua maioria, ainda não abandonaram a agulha. Desculpem, crianças.

DOBRA ESPACIAL (EM BREVE)

Nave Enterprise viaja em velocidade de dobra em uma representação de Star Trek
A viagem mais rápida que a luz continua no campo da ficção, mas inspira pesquisas sobre novas formas de propulsão espacial. Crédito: Divulgação/Paramount

OK, não, o motor de dobra espacial ainda é uma fantasia. A viagem mais rápida que a luz, como a NASA dirá a qualquer um que perguntar, ainda é algo imaginário no momento. Isso não significa que a agência tenha desistido da ideia. O Centro de Pesquisa Glenn da NASA, em Cleveland, Ohio, abriga o Projeto Breakthrough Propulsion Physics, em que os engenheiros esperam produzir “progressos a curto prazo, confiáveis e mensuráveis em direção aos avanços tecnológicos necessários para revolucionar as viagens espaciais e possibilitar viagens interestelares”. A Fundação Tau Zero, por sua vez, também busca avanços em propulsão que possam tornar possível o voo interestelar.


SOBRE O AUTOR

Chris Morris é jornalista, escritor, editor e apresentador especializado em tecnologia, games e eletrônicos. saiba mais