Vai chover amanhã? Por que o público prefere influenciadores do clima

Com milhões de seguidores, meteorologistas digitais transformam tempestades em transmissões ao vivo — e disputam espaço com a mídia tradicional

Vai chover amanhã? Por que o público prefere influenciadores do clima
YULIYA SHAVYRA, Bim e Jacob Wackerhausen via Getty Images

Eve Upton-Clark 2 minutos de leitura

“A neve vai cair rápido demais para os limpa-neves”, “APOCALIPSE DE TEMPESTADE DE GELO” e “Outra grande tempestade pode estar a caminho…” foram algumas das manchetes publicadas no YouTube na última semana de janeiro, quando a maior nevasca dos últimos anos atingiu a cidade de Nova York.

Esses vídeos, cada um com dezenas ou centenas de milhares de visualizações, fazem parte de um gênero cada vez mais popular de “influenciadores do tempo”, à medida que os americanos recorrem cada vez mais às redes sociais para obter notícias e atualizações meteorológicas.

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Um estudo do Instituto Reuters e da Universidade de Oxford, de 2024, revelou que as pessoas prestam mais atenção aos influenciadores do YouTube, Instagram e TikTok do que a jornalistas ou à mídia tradicional. Nos EUA, 20% dos adultos obtêm notícias ou atualizações meteorológicas por meio das redes sociais, de acordo com o Pew Research Center.

Não é surpresa, portanto, que diversas contas online sobre o clima tenham surgido para cobrir o número crescente de eventos climáticos extremos nos EUA.

MILHÕES DE SEGUIDORES

Embora alguns desses influenciadores não tenham formação científica, muitos dos mais populares são meteorologistas credenciados. Um dos meteorologistas digitais mais vistos — ou influenciadores do clima — é Ryan Hall, que se autodenomina "O Homem do Tempo da Internet" em suas redes sociais. Seu canal no YouTube, Ryan Hall, Y'all, tem mais de 3 milhões de inscritos.

Max Velocity é outro exemplo. Ele é um meteorologista formado, segundo sua biografia no YouTube, e tem 1,66 milhão de seguidores. Reed Timmer, um "meteorologista de eventos extremos e caçador de tempestades", também publica conteúdo para 1,46 milhão de inscritos no YouTube. "Enquanto a maioria prefere evitar as más notícias que acompanham o mau tempo, eu corro em direção a ele", escreve Timmer na descrição de seu canal.

AGILIDADE AO LEVAR INFORMAÇÃO

A crescente popularidade dos influenciadores do clima não se deve apenas à desconfiança na mídia tradicional — que está em seu nível mais baixo —, mas também ao desejo por atualizações em tempo real, apresentadas de forma envolvente para a geração que prioriza as redes sociais.

Contas do YouTube como a de Hall costumam fazer transmissões ao vivo durante eventos climáticos extremos, e a seção de comentários fica repleta de atividade. Há até produtos licenciados.

Há o incentivo, em termos de curtidas e engajamento para aumentar a audiência de eventos com títulos sensacionalistas, além de afirmações exageradas, ou até mesmo desinformação.

É claro que os influenciadores não são obrigados a seguir os mesmos padrões de qualidade de reportagem que os apresentadores de previsão do tempo das grandes emissoras. Há também o incentivo, em termos de curtidas e engajamento, para aumentar a audiência de eventos com títulos sensacionalistas e afirmações exageradas, ou até mesmo desinformação, como vimos durante os incêndios florestais de Los Angeles no ano passado.

REGULAMENTAÇÃO DA ATIVIDADE

Ainda assim, enquanto os meteorologistas se adaptam ao novo cenário da mídia, a Sociedade Americana de Meteorologia agora oferece um programa de certificação em meteorologia digital para aqueles “meteorologistas que atendem aos critérios estabelecidos de competência científica e habilidades de comunicação eficazes em suas apresentações meteorológicas em todas as formas de mídia digital”.


SOBRE A AUTORA

Eve Upton-Clark é jornalista especializada em cultura digital e sociedade. saiba mais