Winamp está de volta – agora para disputar espaço com o Spotify
A marca que dominou a música digital no início dos anos 2000 prepara uma nova plataforma com catálogo da Deezer e recursos de redes sociais

No final do século 20, quando a música digital começava a ganhar espaço, o Winamp era um software indispensável para muita gente.
O player de áudio, famoso por seu mascote em forma de lhama e pelos sons de uma lhama balindo ao ser iniciado, nunca desapareceu completamente, mas há muito tempo foi ofuscado pelos players de mídia integrados da Microsoft, da Apple e de outras empresas.
Agora, o Winamp quer recuperar parte de sua relevância do passado. A empresa anunciou uma parceria com a Deezer para relançar o serviço como uma plataforma de streaming por assinatura no primeiro semestre do ano que vem. A empresa afirma que espera reinventar e revitalizar a marca com a iniciativa.
É uma mudança significativa para o Winamp, que atingiu seu auge de relevância na era dos MP3 e de outros arquivos de música digital baixáveis.
Embora ainda seja possível comprar esse tipo de arquivo em sites como Apple Music e Amazon, um público consideravelmente maior hoje opta por serviços de streaming, que oferecem catálogos gigantescos de música mais ou menos pelo preço de oito músicas.
Ao fazer essa transição, o Winamp usará a tecnologia de streaming de marca branca e o catálogo musical da Deezer sob o nome mais conhecido do Winamp.
Executivos da empresa dizem que planejam oferecer opções além da música, incluindo estações de rádio na internet, podcasts, coleções pessoais armazenadas na nuvem e outras fontes de áudio. Os usuários poderão combinar as opções de streaming com suas bibliotecas de música locais. O que ficou de fora do anúncio foi quanto vai custar o serviço.
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Mantendo uma característica de sua história, o Winamp continuará permitindo que os usuários personalizem sua interface. A empresa também afirma que planeja introduzir novos recursos sociais e novas maneiras de descobrir, organizar e aproveitar a música.
O novo Winamp não vai substituir a ferramenta que existe hoje. Pelo menos inicialmente, os dois continuarão sendo opções separadas, ambas disponíveis para download.
BENEFÍCIOS MÚTUOS
O Winamp pode estar buscando aumentar sua visibilidade com a nova oferta, mas a Deezer também espera se beneficiar. À medida que os maiores serviços de streaming conquistam assinantes, os números da Deezer vêm caindo.
No primeiro semestre de 2026, a base de assinantes da empresa recuou 3,5%, de 9,2 milhões para 8,9 milhões. Os assinantes provenientes de parcerias caíram 20% em relação ao ano anterior, para 3,1 milhões.

A empresa detém apenas uma pequena fatia do mercado de streaming, responden- do por 1,3% dos assinantes globais de serviços de streaming de música. O Spotify, em comparação, detém mais de 31%.
Como muitos outros serviços de streaming, a Deezer está sendo inundada por uploads gerados por IA, que, segundo a maioria dos ouvintes, não são de seu interesse.
Em abril, a empresa anunciou que músicas geradas por IA representavam 44% de todas as músicas recém carregadas na plataforma, totalizando quase 75 mil faixas por dia. A maioria (85%) é desmonetizada pela plataforma e removida das recomendações.
DÉJÀ VU
O acordo com a Deezer não é a primeira vez que o Winamp anuncia planos de se reposicionar como serviço de streaming. Em 2018, a empresa anunciou que apresentaria uma “versão completamente nova” no ano seguinte, que incluiria podcasts, estações de rádio por streaming e música armazenada na nuvem.
“As pessoas querem uma única experiência”, disse na época ao TechCrunch Alexandre Saboundjian, CEO da Radionomy, empresa sediada em Bruxelas que era dona do Winamp e posteriormente passou a se chamar Winamp Group. “Acho que o Winamp é o player perfeito para oferecer isso a todos. E queremos que as pessoas tenham acesso a ele em todos os dispositivos.”
No entanto, nada de concreto resultou daquela promessa, em parte por causa da economia pouco favorável dos serviços de streaming na época.
“A plataforma de streaming já é um mercado com muita concorrência, e todas essas empresas não estavam em uma situação financeira saudável”, disse Saboundjian à Fast Company em 2023.
Mas as coisas mudaram nos últimos três anos. O Spotify tem mais de 300 milhões de assinantes premium e informou recentemente lucro líquido de € 545 milhões (US$ 624 milhões) no segundo trimestre de 2026. Já o Winamp ainda é usado por 40 milhões de pessoas e a empresa espera que muitas delas experimentem o serviço por assinatura.
“O Winamp sempre teve como objetivo dar aos usuários a liberdade de experimentar a música da maneira que preferirem”, disse Saboundjian em um comunicado. “Há 25 anos, mudamos a maneira como as pessoas ouviam música digital e acreditamos que chegou a hora de desafiar novamente a experiência de ouvir música.”