YouTube Premium vs YouTube Lite: entenda as diferenças entre os planos

Se você não quer gastar muito com a assinatura completa do YouTube Premium, o plano Lite oferece uma alternativa atraente, contanto que você esteja ciente de algumas ressalvas

Créditos: Cristina Gaidau/ Getty Images/ Sanket Mishra/ Pexels/ Javier Miranda/Unsplash

Lilian Campos 5 minutos de leitura

Doug Aamoth é ex-redator e editor do TechCrunch e da revista Time, e já escreveu para a  Fast Company.

Quando as pessoas falam sobre a tendência da "merdificação" (enshittification), na qual as empresas tornam suas ofertas gratuitas tão terríveis que você é quase forçado a pagar pelas versões premium, o YouTube, que pertence ao Google, é frequentemente citado como o maior exemplo disso.

Anúncios. Anúncios em abundância. Tantos anúncios. Anúncios que não dá para pular. Sim, o YouTube tem todo o direito de ganhar dinheiro. Mas, meu Deus: os anúncios. São anúncios demais.

Por anos, a única forma oficial de escapar desse cenário infernal era abrindo a carteira para pagar o YouTube Premium. Mas o Google vem expandindo o lançamento de um irmão mais barato: o YouTube Premium Lite.

À primeira vista, a proposta é simples: pague menos, veja menos anúncios. Mas o cálculo real ficou muito mais interessante recentemente, quando o Google, discretamente, subiu o nível da versão Lite.

Portanto, se você está tentando descobrir se vale a pena economizar uns trocados ou continuar com a experiência completa, aqui está exatamente como as duas categorias se comparam.

PREÇOS 

O preço padrão atual nos EUA se divide da seguinte forma:

  • YouTube Premium Lite: US$ 9 por mês;
  • YouTube Premium (Individual): US$ 16 por mês.

Você está olhando para uma economia de 44% se optar pela versão Lite. Ao longo de um ano, são cerca de US$ 84 que sobram no seu bolso.

Pequeno detalhe: isso se você pagar mensalmente. O YouTube Premium também está disponível em um plano anual por US$ 160 (o YouTube Premium Lite é apenas mensal), o que equivale a dois meses grátis.

RECURSO CONTRA RECURSO

Por muito tempo, escolher o Lite significava abrir mão de basicamente todo o conforto, exceto a remoção de anúncios. Esse não é mais o caso. O Google recentemente presenteou os assinantes do Lite ao adicionar dois recursos enormes: a reprodução em segundo plano e os downloads para assistir offline.

Veja como as duas categorias se comparam em termos gerais:

Anúncios nos vídeos principais: a experiência Premium completa oferece um passe 100% livre de anúncios em tudo na plataforma. O Lite, por outro lado, só garante a exibição sem anúncios na maioria dos conteúdos que não sejam música.

Reprodução em segundo plano e downloads: ambas as categorias agora permitem que você bloqueie o celular ou salve vídeos para um voo, mas no Lite essa capacidade é restrita a vídeos padrão e corta completamente os conteúdos musicais.

YouTube Shorts: o Premium completo remove todos os anúncios do seu feed de rolagem vertical. Com o Lite, você ainda vai se deparar ocasionalmente com anúncios enquanto navega pelos Shorts.

YouTube Music: o Premium completo traz embutido o serviço independente e completo de streaming de música sem anúncios. O Lite não oferece absolutamente nada aqui: sem acesso ao aplicativo, sem streaming de música em segundo plano.

Vantagens para usuários avançados: Recursos como o "Pular para a frente", que usa IA para ir direto para a melhor parte de um vídeo), fila de vídeos no celular e a taxa de bits aprimorada em 1080p Premium continuam completamente exclusivos da categoria Premium completa. Os usuários do Lite têm direito apenas à reprodução padrão.

A MAIOR PEGADINHA DO LITE

Olhando para essa lista, você pode pensar: Por que diabos alguém pagaria US$ 16 pela versão completa?

O perigo está na escolha das palavras. O YouTube diz explicitamente que o Premium Lite oferece exibição sem anúncios, downloads e reprodução em segundo plano na maioria dos vídeos.

O que significa "maioria"? Significa que o algoritmo traça uma linha muito rígida em torno da música. De acordo com o Google: "o streaming sem anúncios, a reprodução em segundo plano e os downloads não estão disponíveis para conteúdos focados em música, como videoclipes oficiais, covers e vídeos de dança". 

Se você usa o YouTube para assistir a videoclipes oficiais, gravações de shows, covers de fãs ou até vlogs casuais que por acaso tenham uma música famosa tocando ao fundo, você ainda verá anúncios. Além disso, a reprodução em segundo plano e os downloads offline não funcionarão nesses vídeos.

Você também continuará vendo anúncios ao pesquisar ou navegar pela página inicial e, ocasionalmente, ao rolar pelos Shorts.

Por fim, o Lite remove os recursos premium de qualidade de vida. Se você adora a função "Pular para a frente", que ultrapassa as introduções dos criadores indo direto para a parte boa, ou se gosta de colocar vídeos na fila do seu celular como uma playlist, o Lite bloqueia você. E pode esquecer completamente o aplicativo independente do YouTube Music.

QUAL É O MELHOR?

A decisão se resume a como você usa a plataforma.

Escolha o YouTube Premium Lite se: você trata o YouTube como uma caixa de ferramentas educacional, um clube de comédia ou uma escola de culinária. 

Se o seu histórico está repleto de análises de tecnologia, videoensaios e tutoriais de "faça você mesmo", e você já paga pelo Spotify ou Apple Music, o Lite é um acerto em cheio. Ele oferece os benefícios essenciais (paz, silêncio e áudio em segundo plano) sem forçar você a pagar por um ecossistema de música que não utiliza.

Escolha o YouTube Premium completo se: o YouTube é a sua principal vitrola. Se você constantemente deixa batidas de lo-fi, videoclipes ou sets de DJ tocando ao fundo enquanto trabalha, o Lite vai frustrar você em menos de 10 minutos.

O Premium também é a escolha óbvia se você quer um Plano Familiar (que o Lite não oferece) ou se é um usuário pesado no celular que depende da fila de vídeos e das taxas máximas de bits de vídeo. Também é a opção ideal se você simplesmente não quer ver anúncios sob circunstância alguma.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais