Carros voadores começam a ser testados nos EUA
Programas-piloto aprovados pelo Departamento de Transportes americano permitirão que empresas iniciem testes reais de aeronaves elétricas de decolagem vertical, conhecidas como eVTOL

O Departamento de Transportes dos EUA aprovou oito programas piloto em 26 estados que permitirão que aeronaves eVTOL (decolagem e pouso vertical elétrico) iniciem testes em situações reais.
O programa permitirá o serviço de táxi aéreo em cidades selecionadas, enquanto os dados coletados das empresas participantes ajudarão a FAA a desenvolver regulamentações para ampliar a tecnologia, mantendo a segurança do espaço aéreo urbano.
“Este é um momento decisivo para a inovação americana”, disse JoeBen Bevirt, fundador e CEO da Joby Aviation, em um comunicado. “Em vez de apenas ler sobre o futuro da aviação, comunidades em toda a América poderão vê-lo nos céus acima de suas próprias cidades ainda este ano.”
Os programas-piloto serão realizados em áreas aprovadas pelos Departamentos de Transporte do Texas, Utah, Pensilvânia, Louisiana, Flórida e Carolina do Norte, sendo que vários deles abrangem múltiplos estados. Outros programas-piloto serão conduzidos pela Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey e pela cidade de Albuquerque.
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As aeronaves eVTOL (ou carros voadores, em outras palavras) são objeto de sonhos da ficção científica há anos.
Essas aeronaves podem decolar e pousar como helicópteros, o que significa que não é necessária uma pista de pouso. Elas oferecem a esperança de evitar congestionamentos e engarrafamentos nos horários de pico, bem como o sonho de se locomover com muito mais rapidez. De Chitty Chitty Bang Bang a De Volta para o Futuro, gerações cresceram acreditando que essa realidade estava a apenas alguns anos de distância.

Nos últimos anos, grandes corporações investiram centenas de milhões de dólares na tecnologia, na esperança de finalmente transformar essa visão em realidade. A Toyota, por exemplo, investiu US$ 500 milhões na Joby em outubro de 2024. A Delta Air Lines também é investidora, tendo aplicado US$ 80 milhões na Joby. A United, por sua vez, investiu US$ 10 milhões na Archer Aviation e US$ 15 milhões na Eve Air Mobility em 2022.
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Além da redução do estresse que prometem, os carros voadores são projetados para serem mais silenciosos do que aeronaves tradicionais ou até mesmo aparelhos de ar-condicionado. Por serem elétricos, também podem ajudar a reduzir as emissões de carbono.
Além disso, eles têm o potencial de serem ferramentas valiosas para serviços de resposta a emergências. Em seu anúncio, o Departamento de Transportes (DOT) delineou diversos usos potenciais além do transporte de passageiros, incluindo redes de carga e logística, operações de resposta médica de emergência e transporte marítimo.
“Essas parcerias nos ajudarão a entender melhor como integrar essas aeronaves ao Sistema Nacional de Espaço Aéreo de forma segura e eficiente”, disse o vice-administrador da FAA, Chris Rocheleau. “O programa proporcionará uma valiosa experiência operacional que servirá de base para os padrões necessários para viabilizar operações seguras de Mobilidade Aérea Avançada. Agradecemos o grande interesse demonstrado nas diversas propostas que recebemos.”
Além da Joby e da Archer, empresas como Beta, Electra, Elroy Air, Wisk, Ampaire e Reliable Robotics participarão do programa-piloto.
Com a perspectiva de operações mais amplas no horizonte, a competição entre os principais players do setor se intensificou.
A COMPETIÇÃO ESTÁ NO AR
Com a perspectiva de operações mais amplas no horizonte, a competição entre os principais players do setor se intensificou. Quatro meses atrás, a Joby processou a Archer por roubo de segredos comerciais, alegando que um ex-funcionário da Joby levou informações confidenciais consigo ao ingressar na Archer.
Na segunda-feira (9), a Archer entrou com uma contra-ação contra a Joby, alegando que a empresa, fundada em 2009 na Califórnia, fraudou o governo dos EUA ao ocultar seus “fortes laços” com a China e ao depender de uma subsidiária chinesa para a fabricação de componentes críticos.
Alex Spiro, advogado da Joby, disse à Fast Company que a empresa “não responde a absurdos”.
“As alegações ridículas e difamatórias da Archer nada mais são do que uma tentativa irresponsável de desviar a atenção do processo movido pela Joby contra a Archer por roubo de segredos comerciais”, afirmou. “A Joby é uma empresa com sede nos EUA que opera em estrita conformidade com as normas em toda a sua cadeia de suprimentos e tem sido totalmente transparente com o governo dos EUA sobre suas operações. A Joby não possui vínculos com o Partido Comunista Chinês e não recebeu doações ou subsídios das autoridades chinesas.”