CEO da GM diz que donos de híbridos não os conectam à tomada
CEO da GM diz que o mau uso dos híbridos plug-in está minando sua vantagem climática

Se os motoristas desejam trocar um carro totalmente movido a gasolina por um elétrico, eles têm algumas opções. Ou seja, veículos elétricos a bateria, híbridos ou híbridos plug-in (PHEVs).
Todos são vistos como uma forma de reduzir as emissões do transporte e se afastar dos carros com motor de combustão interna que consomem muito combustível.
Mas acontece que os proprietários de híbridos plug-in podem não estar realmente conectando seus veículos à tomada, tornando os PHEVs não exatamente a solução ambiental que aparentam ser.
A CEO da General Motors, Mary Barra, falando na semana passada na conferência da Automotive Press Association em Detroit, abordou essa realidade ao discutir os planos da GM para veículos elétricos e híbridos.
“Estamos tentando ser muito criteriosos com o que fazemos em termos de híbridos e híbridos plug-in”.
Mary Barra, da General Motors
“O que também sabemos hoje sobre os híbridos plug-in é que a maioria das pessoas não os conecta à tomada“, disse Barra. “É por isso que estamos tentando ser muito criteriosos com o que fazemos em termos de híbridos e híbridos plug-in.”
HÍBRIDOS COMO SOLUÇÃO PARA VENDAS DE ELÉTRICOS
Os veículos elétricos são vistos como uma solução climática crucial. Nos EUA, o transporte é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa (GEE), e a transição para veículos elétricos reduz essas emissões e a poluição do ar.
O recente crescimento nas vendas de veículos elétricos significou que as emissões do setor de transportes permaneceram relativamente estáveis em 2025, apesar do aumento do tráfego rodoviário (e do aumento das emissões de eletricidade em geral).
Leia mais: Uber apresenta robotáxi desenvolvido com Lucid e Nuro: CEO da GM diz que donos de híbridos não os conectam à tomadaMas a taxa de crescimento dessas vendas tem diminuído e espera-se que diminua ainda mais em 2026, em parte porque o governo Trump encerrou os subsídios federais que ajudavam as pessoas a comprar veículos elétricos.
Nos EUA, com fim dos créditos fiscais, vendas de veículos elétricos desaceleraran e montadoras apostam nos híbridos
Com o fim desses créditos fiscais, além das tarifas e da baixa confiança do consumidor afetando as vendas de veículos elétricos, as montadoras têm buscado nos híbridos uma maneira de ainda atrair clientes para carros mais eficientes.
A GM é uma dessas montadoras. Em 2024, a empresa afirmou que planejava trazer opções de híbridos plug-in para a América do Norte em 2027.
Na conferência da semana passada, Barra disse que, embora a GM esteja investindo com entusiasmo em veículos elétricos “porque acreditamos que esse é o objetivo final“, a montadora ainda está “avaliando” veículos híbridos e híbridos plug-in.
HÍBRIDOS PLUG-IN NÃO PRECISAM SER CONECTADOS À TOMADA
Se os motoristas não conectarem seus híbridos plug-in à tomada, essa opção de veículo não será tão benéfica para o clima quanto parece.
Existem dois tipos principais de híbridos: HEVs, ou veículos elétricos híbridos, que usam frenagem regenerativa para recarregar a bateria, e PHEVs, ou híbridos plug-in, que podem ser conectados à tomada como um veículo elétrico para carregar. (Os PHEVs também permitem que a frenagem regenerativa carregue a bateria — porém em menor quantidade.)
Leia mais: Fora da garagem: cidade no RS testa carregamento público para carros elétricos: CEO da GM diz que donos de híbridos não os conectam à tomadaMas os híbridos plug-in não precisam ser conectados à tomada para funcionar. Conectar esses veículos a um carregador de veículos elétricos os tornará mais eficientes e permitirá que os motoristas evitem usar o motor a combustão. No entanto, eles ainda podem ser dirigidos sem carga, utilizando apenas gasolina.
De acordo com a Consumer Reports, isso pode tornar os híbridos plug-in ainda menos eficientes em termos de consumo de combustível do que os carros movidos exclusivamente a gasolina.
“Por exemplo, quando a autonomia elétrica de 32 km do sedã BMW 330e xDrive se esgota, ele atinge apenas 10,6 km/l — 1,3 km/l a menos do que a classificação EPA de 11,9 km/l do 330i xDrive convencional”, segundo a publicação.
Isso provavelmente ocorre porque a bateria de um híbrido plug-in aumenta o peso total do veículo, tornando-o menos eficiente em termos de consumo de combustível. (Devido às baterias, os veículos elétricos são mais pesados do que os carros movidos a gasolina.)
A REALIDADE CLIMÁTICA DOS HÍBRIDOS PLUG-IN
Então, os benefícios climáticos dos híbridos plug-in são realmente exagerados? As pesquisas indicam que sim.
Um relatório de outubro de 2025 da Transport and Environment, um grupo europeu de defesa do transporte limpo, concluiu que os híbridos plug-in são “um desvio no caminho para emissões zero”.
O relatório constatou que as emissões reais de dióxido de carbono dos híbridos plug-in são quase cinco vezes maiores que as estimativas de emissões “oficiais”.
Leia mais: Nvidia lança projeto de IA que promete revolucionar veículos autônomos: CEO da GM diz que donos de híbridos não os conectam à tomadaDados de condução da Comissão Europeia, divulgados em 2024, chegaram a uma conclusão ligeiramente diferente, mas mostraram a mesma tendência: os híbridos plug-in produzem cerca de 3,5 vezes as emissões oficiais determinadas em testes de laboratório para fins regulatórios, segundo o relatório.
Basicamente, as avaliações regulatórias para determinar as emissões partem do pressuposto de que 84% dos condutores de veículos híbridos plug-in utilizam seus veículos principalmente com a bateria. Na realidade, apenas cerca de 27% o fazem.
Dados sobre condutores de híbridos plug-in nos EUA mostram o mesmo problema.
Um relatório de 2022 do Conselho Internacional de Transportes Limpos (ICTP) constatou que, para os híbridos plug-in nos EUA, “a participação real da propulsão elétrica pode ser de 26% a 56% menor, e o consumo real de combustível pode ser de 42% a 67% maior do que o previsto no programa de rotulagem da EPA para veículos leves”.
A eficiência e o impacto ambiental dos híbridos plug-in, portanto, dependem de seus condutores. É por isso que especialistas em meio ambiente — e até mesmo a própria Barra — afirmam que os veículos elétricos ainda são o objetivo final da indústria automobilística.