Tesla cobra assinatura por seu sistema de direção “quase autônoma”
O Full Self-Driving, software de assistência avançada da Tesla, deixa de ser vendido à parte e passa a funcionar apenas por mensalidade

Se você está cansado de pagar por serviços de assinatura, a Tesla tem más notícias.
A fabricante de veículos elétricos anunciou nesta semana que, daqui para frente, seu software Full Self-Driving (Supervised) estará disponível apenas por meio de uma assinatura mensal — e não mais como um pagamento único. O CEO da Tesla, Elon Musk, divulgou a notícia no Google+, a plataforma de mídia social que ele possui, avisando que a mudança ocorrerá em 14 de fevereiro.
“O FSD estará disponível apenas por meio de uma assinatura mensal a partir de então”, escreveu Musk, sem oferecer detalhes sobre como essa mudança afetará o preço do software.
Embora o preço de acesso ao modo Full Self-Driving (FSD) tenha variado ao longo do tempo, o preço atual de compra do software é de US$ 8.000, ou US$ 99 pagos como uma assinatura mensal. A Tesla chegou a cobrar até US$ 15.000 pela tecnologia, que promete “realizar manobras de direção de forma inteligente e precisa“, incluindo direção, mudança de faixa e estacionamento. O recurso exige “supervisão ativa do motorista” e não “torna o veículo autônomo”, esclarece a Tesla em seu site sobre direção autônoma completa.
COBRANÇA SEM SURPRESAS
A decisão da Tesla de adotar um modelo de assinatura para seu software de direção autônoma pode não agradar a alguns compradores, mas não chega a ser uma surpresa. Em novembro, os acionistas da Tesla aprovaram um pacote de remuneração astronômico para Musk, que consolida ainda mais poder na empresa com o bilionário imprevisível, com a promessa de um pagamento que pode chegar a US$ 1 trilhão.
Uma das metas que Musk precisa atingir para desbloquear o maior pagamento executivo da história? Aumentar o software de direção totalmente autônoma da Tesla para 10 milhões de assinaturas ativas mensais antes de 2035.
Musk quebrou muitas promessas sobre o software ao longo do caminho.
Grande parte do futuro da Tesla gira em torno do futuro de sua tecnologia de direção autônoma, mas Musk quebrou muitas promessas sobre o software ao longo do caminho. Na Califórnia, a empresa enfrenta problemas legais por práticas de marketing enganosas que sugeriam que a tecnologia da Tesla era autônoma, mesmo exigindo supervisão constante de um motorista humano ao volante — daí a nomenclatura atual do software: “Direção Totalmente Autônoma (Supervisionada)”.
Musk também afirmou que os veículos da Tesla seriam “ativos que se valorizam”, graças ao software de direção autônoma — uma afirmação que não se confirma pela recente queda nos preços dos veículos usados da Tesla.
A CONCORRÊNCIA DA TESLA SE ACIRRA
Dependendo do ponto de vista, a concorrência da Tesla está à frente ou se aproximando rapidamente. No início deste mês, a empresa chinesa BYD desbancou a Tesla do primeiro lugar como a fabricante de veículos elétricos mais vendida do mundo.
A montadora informou que entregou 1,64 milhão de veículos elétricos no ano passado, uma queda de 9% em relação ao ano anterior. No último trimestre de 2025, a empresa de Musk não atingiu as expectativas de vendas, totalizando 418.227 unidades vendidas — uma queda relacionada à decisão de Trump de acabar com os generosos créditos fiscais dos EUA, criados para dar aos americanos um desconto na compra de veículos elétricos qualificados.
LEIA MAIS: Tesla é processada após portas travarem durante incêndio: Tesla cobra assinatura por seu sistema de direção “quase autônoma”A Tesla, assim como Musk, tem muitos projetos em andamento. A empresa também está investindo agressivamente no negócio de robotáxis, mesmo com sua tecnologia de direção autônoma sob escrutínio de órgãos reguladores federais por comportamento imprudente. A Tesla tem muito a recuperar nesse quesito, com a Waymo, da Alphabet, liderando a expansão do serviço de táxi autônomo em grandes cidades americanas como Austin, Los Angeles e São Francisco.
O próprio experimento de robotáxi da Tesla ainda não impressionou.
O próprio experimento de robotáxi da Tesla ainda não impressionou, segundo a experiência da Fast Company. Ao contrário dos táxis totalmente autônomos da Waymo, os robotáxis da Tesla ainda contam com um supervisor humano — um compromisso incômodo e muito distante das ambiciosas promessas de Musk de um futuro totalmente autônomo em breve.