3 estratégias para criar a coragem de pedir demissão do emprego que não te faz feliz

Em vez de simplesmente abandonar o barco, existe um outro caminho

como deixar um trabalho que não te faz feliz
Créditos: Anton Vierietin/ Getty Images/ Yan Ots/ Unsplash

Lilian Campos 5 minutos de leitura

Em algum momento, a maioria de nós já encarou a tela do computador e se perguntou: "é só isso?". Para alguns, é um sentimento passageiro. Para outros, esse tédio se transforma em uma insatisfação persistente, levando ao "quiet quitting" (demissão silenciosa) ou até a abandonar o emprego, o que raramente resolve o problema mais profundo. 

Novos dados da Gallup mostram que, embora apenas 30% dos trabalhadores achem que é um bom momento para encontrar um novo emprego, mais da metade está procurando ativamente de qualquer maneira.

Em uma década e meia trabalhando como terapeuta, conheci muitas pessoas inteligentes e criativas que se sentem capazes de fazer mais, se ao menos conseguissem descobrir para onde direcionar sua energia. 

Essas almas inquietas (e eu me incluo entre elas) acreditam que devemos trabalhar da mesma forma que nos envolvemos com a vida: plena e apaixonadamente.

Embora o impulso de aprender e crescer muitas vezes nos sirva, ele também pode levar à estagnação. A maioria das pessoas vê duas opções: pedir demissão ou aguentar firme apenas pelo salário (“trabalhe o equivalente ao que você ganha”). 

No entanto, existe um terceiro caminho, onde podemos usar nossa inquietude de forma produtiva, encontrando mais satisfação no trabalho que estamos fazendo agora.

SEJA HONESTO SOBRE O QUE REALMENTE IMPORTA PARA VOCÊ

Aqueles que muitas vezes se sentem inquietos costumam ter muitos interesses e talentos diferentes. Mas a realização não vem de fazer tudo; ela vem do alinhamento. Só porque você é bom em algo, não significa que precise transformar isso em uma carreira, ou mesmo em um hobby.

Às vezes, somos excelentes em coisas por hábito, criação ou validação externa, mas elas não nos trazem necessariamente um propósito ou se encaixam na imagem do que queremos para nossa vida.

ter um hobby ajuda a trabalhar melhor
Créditos: Miguel Bruna/ Unsplash/ Duy Anh Phan/ Pixabay/ master1305/ iStock

Recentemente, atendi um cliente de alto desempenho que estava reavaliando sua carreira. Ele vivia um conflito entre o que desejava e o próximo passo lógico e esperado em sua trajetória.

Ele foi o orador de sua turma, formou-se em escolas prestigiadas com dois diplomas e conquistou um emprego que apenas alguém com suas credenciais conseguiria. No entanto, após ter um filho, sentiu-se sobrecarregado com as exigências do cargo.

Ele queria um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, mas tinha dificuldade em sair do caminho pelo qual trabalhou tanto para trilhar. Sua identidade estava ligada à validação que recebia de colegas, da família e do trabalho.

Leia mais: Cultura da monetização: por que seu hobby não precisa virar renda extra

Começamos a reavaliar como seus valores haviam mudado. Eu o incentivei a ser honesto sobre o que queria para esta próxima fase da vida, independentemente de mensagens sociais sobre sucesso e da narrativa que ele havia criado sobre quem deveria ser.

Ele identificou maneiras de recuar em seu papel atual enquanto planejava mudanças maiores para o futuro. O alinhamento começa com a compreensão do que você mais valoriza e, então, na busca de maneiras de trazer mais disso para o trabalho que você já faz.

PERSISTA O SUFICIENTE PARA VER O QUE ACONTECE

Às vezes, a inquietude é um sinal de que algo precisa mudar; outras vezes, é uma distração para não melhorar o que já temos.

É mais fácil fantasiar sobre ir embora do que ter uma conversa desconfortável sobre as mudanças que você quer ou precisa. Antes de virar as costas para sua função atual, vale a pena investigar primeiro como você pode trazer mais satisfação para ela.

Quando pulamos constantemente de emprego em emprego, a sensação pode ser a de centenas de "mini-fracassos" se acumulando.

resiliência para alcançar metas no trabalho
Crédito: francescoch/ Getty Images

A pesquisa clássica de Angela Duckworth sobre "garra" nos ensina que a perseverança é um previsor de sucesso maior do que o talento ou mesmo o QI. Duckworth descobriu que manter-se em uma tarefa traz aperfeiçoamento, o que, por sua vez, aumenta a confiança.

Isso não quer dizer ficar para sempre em um emprego que não combina com você. Significa dar uma chance real antes de decidir o próximo passo. Então, antes de abandonar seu cargo atual em favor de uma nova e brilhante oportunidade, reflita sobre se é possível encontrar valor em seguir seu caminho atual.

VISUALIZE O QUE VEM A SEGUIR

Seu emprego atual pode não ser perfeito, mas pode ser o degrau ideal para seu próximo movimento. Às vezes, ajuda olhar para nossos objetivos de trás para frente, ou seja, considerar onde você quer estar em cinco ou 10 anos e tomar decisões sobre seu futuro imediato com base nessas respostas.

Pesquisas indicam que, ao simular eventos futuros, podemos antecipar metas e necessidades, permitindo mudar nosso ambiente atual para nos adaptar a onde queremos chegar.

Leia mais: Como formular as perguntas certas para resolver qualquer problema

Se você não tem certeza ou está com dificuldade de escolher entre opções conflitantes, a visualização também pode ajudar. Reserve um tempo tranquilo e se imagine em seu cenário de trabalho ideal. Considere as seguintes questões:

  • Como seria o ambiente, incluindo a cultura da empresa e os colegas?
  • Qual seria seu cronograma ideal e quais objetivos você estaria buscando?
  • Que tipo de trabalho pareceria significativo e alinhado com seus valores?
  • Como você se sentiria ao terminar o expediente e como seria seu equilíbrio entre vida pessoal e profissional?

Anote as respostas e reflita: dentro do futuro que você vislumbrou, o que mais importa para você?

A inquietude nem sempre é um sinal para fazer uma grande mudança. Às vezes, ela aponta para pequenos ajustes e ajuda a clarear os seus valores, a assumir uma iniciativa no trabalho ou a aprender uma habilidade que você tem interesse em desenvolver.

A distância entre onde você está agora e onde espera estar é, muitas vezes, menor do que parece às 9h da manhã de uma segunda-feira.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais