3 lições de Lady Gaga sobre como ser um bom aliado em tempos difíceis
Ela mostra que a verdadeira aliança não é performativa, mas um compromisso contínuo e ativo com a justiça.

Há alguns anos, compromissos com diversidade, equidade e inclusão (DEI) e conversas sobre compromisso com esses conceitos estavam em toda parte. Mas, com o segundo governo do presidente Donald Trump nos EUA, muitas empresas anunciaram o cancelamento desses programas ou, em alguns casos, fizeram isso sem fazer alarde.
Mas os problemas que tornaram necessárias as iniciativas de diversidade e inclusão não desapareceram. Grupos minoritários continuam enfrentando discriminação no ambiente de trabalho e fora dele.
Como indivíduos – tanto gestores quanto funcionários – podem continuar sendo aliados em um momento no qual esse tema não está no centro das atenções?
Uma possível fonte de inspiração é Lady Gaga, que tem sido uma defensora firme e consistente da comunidade LGBTQ+. A artista tem usado sua plataforma para se manifestar em defesa das pessoas trans.
Em fevereiro, a 67ª edição do Grammy Awards foi ao ar logo após o presidente Trump emitir uma ordem executiva declarando que os EUA reconhecem apenas dois sexos.
Assim, quando Lady Gaga venceu o prêmio de Melhor Performance de Duo/ Grupo Pop ao lado de Bruno Mars, ela aproveitou o momento no palco para validar a comunidade trans.
"Só quero dizer esta noite que as pessoas trans não são invisíveis. As pessoas trans merecem amor. A comunidade queer merece ser exaltada. A música é amor", afirmou no palco.

Em março, ela conversou com o DJ Zane Lowe sobre seu próximo álbum, "Mayhem". Durante a entrevista, refletiu sobre seu discurso e reafirmou que o ataque às pessoas trans continua.
"O que as pessoas trans estão enfrentando é completamente injusto, errado. Todos nós precisamos apoiar as pessoas trans e uns aos outros, para que saibam que merecem ser apoiados, amados, protegidos e exaltados."
COMO SER UM BOM ALIADO
Não existe uma única definição ou forma de ser um aliado da comunidade LGBTQ+ (ou de qualquer outra). Mas uma pesquisa com pessoas LGBTQ+ sobre como eles definem que é seu aliado identificou alguns temas comuns, e Lady Gaga exemplifica muitos deles.
1. Um bom aliado fala em público
Aceitar, validar e respeitar as identidades das pessoas LGBTQ+ é fundamental para ser um bom aliado, mas não é suficiente por si só. Um bom aliado age por meio de declarações públicas, defesa de direitos e educação ao longo do tempo.
Desde o início de sua carreira, Lady Gaga tem se posicionado em prol da comunidade LGBTQ+, seja validando pessoas trans em um momento em que se sentem atacadas e sozinhas em 2025, seja discursando na Marcha Nacional pela Igualdade, em Washington, em 2009.
2. Um bom aliado nunca para de ouvir e aprender
Na entrevista com o DJ Zane Lowe, Lady Gaga falou sobre como, na posição de aliada, é essencial continuar aprendendo e compreendendo as histórias dos outros.
a verdadeira aliança não é performativa, mas um compromisso permanente e ativo.
"O que cada comunidade oprimida enfrenta é diferente. Cada uma tem sua própria experiência, e, além disso, há as experiências individuais, que também são diferentes."
A artista chamou o aprendizado das histórias das pessoas de "um grande presente" que lhe ensinou muito sobre opressão e sobre como pode ajudar.
3. Um bom aliado usa seus privilégios para ajudar
Lady Gaga reconhece seu privilégio como mulher cisgênero e como celebridade, e usa essas vantagens para desafiar injustiças sistêmicas e advogar por outras pessoas.
Em 2011, após o suicídio de um fã, ela se encontrou com o então presidente Barack Obama para incentivá-lo a fazer mais para proteger crianças contra o bullying. Em 2012, ela e sua mãe fundaram a Born This Way Foundation para conectar jovens a recursos de saúde mental e combater o estigma em torno do tema.

A maioria das pessoas não tem a oportunidade de dizer a um salão cheio de músicos e a milhões de telespectadores tudo o que deseja. Por isso, quando todos os olhares estavam voltados para Lady Gaga no Grammy deste ano, ela usou seu momento para falar em nome das pessoas trans.
Lady Gaga mostra que a verdadeira aliança não é performativa, mas um compromisso permanente e ativo.