POR ANNIE DUKE 

Você se sente habitualmente angustiado com as decisões que precisa tomar? Preso na paralisia da análise? Incapaz de apenas decidir?

Todos nós já passamos por isso.

Gastamos 15 minutos examinando o cardápio de um restaurante ou 20 minutos debatendo o que assistir na Netflix. Quando se trata de decisões maiores, como que emprego aceitar, onde estudar ou que casa comprar, esses minutos podem se tornar semanas ou meses de agonia. Ficamos presos em ciclos intermináveis, debatendo os prós e os contras das diferentes opções.

Para aqueles de nós que lutam contra esse impasse na hora de tomar decisões, aqui estão três ferramentas simples para ser mais confiante e resoluto.

1. O TESTE DE FELICIDADE

Estamos juntos em um restaurante e você está angustiado: não sabe o que vai pedir. Você finalmente encontra o que quer, faz o pedido e o garçom traz sua comida. Talvez seu prato esteja ótimo. Talvez esteja bom. Talvez não esteja muito bom. Talvez esteja tão ruim que você afasta o prato com nojo.

Se você é como a maioria das pessoas, o prato que você comeu naquela refeição não afetou muito a sua felicidade. Nem na hora e nem, digamos, um ano depois. Ou um mês. Ou mesmo uma semana. Independentemente de saber se aquela comida é boa ou ruim, é improvável que ela tenha qualquer efeito significativo em sua felicidade a longo prazo.

O mesmo também é verdade se você assistir um filme ruim na Netflix. Ou usar calças que não são confortáveis.

Para lidar com essas decisões de baixo impacto, recomendo o Teste de Felicidade. Como ele próprio diz, consiste em você constatar o quão ficará feliz ou triste diante uma determinada escolha. A felicidade é um bom indicador para compreender o impacto de uma decisão – sem ter que apelar para magia, tecnologia ou rocket science. Quando você descobre que os ganhos ou perdas potenciais (medidos em felicidade) são pequenos, significa que aquela decisão tem baixo impacto –  e você não precisa dedicar muito tempo a ela.

2. O TESTE DA OPÇÃO ÚNICA

Quanto maior o número de opções disponíveis para escolher, maior a probabilidade de mais de uma dessas opções parecerem boas para você. E quanto mais opções parecerem boas para você, mais tempo você gastará na paralisia da análise.

É um paradoxo: mais escolhas boas, mais ansiedade.

Um dos melhores exemplos para ilustrar esse dilema é escolher o destino das suas próximas férias. Pandemias à parte, como escolher se as opções forem Paris ou Roma ou Amsterdã ou Santorini ou Machu Picchu?

Uma ferramenta útil para acabar com o impasse é o Teste da Opção Única. Para todas as opções que você está considerando, simplesmente pergunte-se: “Se essa fosse a única opção que eu tivesse, eu ficaria feliz com ela?”

Agora substitua as férias por: “e se essa fosse a única faculdade em que eu conseguiria ser aceito? a única casa que eu pudesse comprar? o único emprego que me ofereceriam?”

Se você ficar feliz se Paris for sua única opção, mas também ficaria feliz se Roma fosse sua única opção, isso revela que se você não tem o que perder – e está diante de uma escolha que não merece um segundo sequer de dilema.

3. SABER DESISTIR

Quando você escolhe algo em um cardápio, mas não gosta do prato, imediatamente percebe que sempre há um custo ao fazer uma escolha. Esse custo é medido pelas coisas boas que poderiam acontecer se você tivesse escolhido uma opção diferente. Você poderia ter pedido um prato diferente, que poderia ter sido ótimo – e talvez, se tivesse demorado mais tempo decidindo, não teria escolhido “errado”.

O custo de fazer uma escolha é algo que pode atrasar a sua vida. Desistir de algumas escolhas, portanto, é uma forma eficaz de reduzir esse custo, ajudando você a eliminar o impasse.

Tenho certeza de que você já ouviu o velho ditado: “Quem desiste nunca vence e só vence quem nunca desiste”. Parece ser senso comum que a persistência cria o sucesso.

A persistência tem valor, mas a desistência também.

Parte de um bom processo de decisão inclui perguntar a si mesmo: “Se eu escolher essa opção, qual é o custo de desistir?” Quanto mais baixo ele for, mais rápido você pode decidir. Significa que é mais fácil recuar e escolher as opções que você não considerou anteriormente. Ou opções totalmente novas.

Você pode levar menos tempo para decidir quem você vai convidar para um primeiro encontro do que decidir com quem se casar.

Você pode levar menos tempo para decidir qual casa alugar do que decidir qual comprar.

Você pode levar menos tempo para decidir se vai para um bairro diferente do que para decidir se vai para outro país.

Devido à maneira como a mente humana funciona, tendemos a ver as decisões como permanentes e finais, principalmente se forem de alto impacto. Não pensamos com muita antecedência sobre a opção de desistir.

Quando as pessoas estão escolhendo faculdades, por exemplo, elas ficam angustiadas porque pensam que estão tomando uma decisão que será permanente pelos próximos quatro anos de suas vidas. Mas 37% dos estudantes universitários americanos pedem transferência para uma nova escola durante o curso. Depois de perceber que a transferência é uma opção, você começa a entender qual seria o custo de fazer isso. Seus créditos serão transferidos? Vai deixar seus amigos? Será difícil fazer novos amigos? Você conseguirá entrar em uma faculdade melhor? Enfim, qual é o custo da mudança?

Não importa quais sejam as respostas: aposto que o custo para desistir é menor do que você pensava, porque você provavelmente nem estava pensando nisso antes.

Saber desistir pode acelerar suas decisões.

Annie Duke é ex-jogadora profissional de pôquer, palestrante, consultora  e autora do livro Thinking in Bets: Making Smarter Decisions When You Don’t Have All the Facts. Este artigo foi extraído do livro.