Após um ano repleto de demissões e empresas fechando, entrar no mercado de trabalho pode ser uma tarefa árdua para quem se formou recentemente no ensino superior, ou está em busca de uma recolocação. E, embora possa não parecer, negociar uma remuneração pode ser algo muito positivo.

De acordo com um estudo conduzido pela Hired, um serviço de recrutamento e seleção para profissionais de tecnologia e vendas, a negociação pode ajudar a aumentar a equidade salarial, melhorar a experiência do funcionário, reduzir o turnover e aumentar os rendimentos nos próximos anos. 

“Negociar define uma trajetória de crescimento mais previsível, portanto, saber seu valor desde o início pode favorecer um aumento justo da remuneração ao longo de sua carreira”, diz o CEO da Hired, Josh Brenner. 

A pesquisa sugere que a diferença salarial entre homens e mulheres está lentamente diminuindo à medida que as empresas se tornam mais transparentes, contudo, há um longo caminho a ser percorrido pela equidade salarial. 

Em 59% dos casos registrados em 2020, os homens receberam salários mais altos do que as mulheres para executar o mesmo trabalho, e a remuneração total era, em média, 3% menor para as mulheres. No ano anterior, em 2019, essa proporção era ainda mais desigual –os homens recebiam salários maiores para os mesmos serviços em 65% dos casos — e as mulheres obtinham, em média, salários 4% menores.

Funcionários mais jovens, no entanto, são mais propensos a exigir e receber uma compensação justa, em comparação com outras gerações. “Meu conselho para os recém-formados é que eles devam estar sempre negociando por um salário justo”, indica Brenner.

Aqui estão cinco dicas do que saber antes de negociar o pagamento.

1. SEMPRE NEGOCIE

Wayne Gretzky, indicado ao hall da fama do hóquei, disse a famosa frase: “Você perde 100% das tacadas que não dá”. Funcionários iniciantes podem hesitar antes de solicitar um reajuste na remuneração, mas os especialistas sugerem que há muito poucas desvantagens em tentar. Na verdade, a negociação, mesmo quando mal sucedida, pode fazer com que os candidatos pareçam mais atraentes para os possíveis empregadores.

“Embora seja super assustador para muitas pessoas, até mesmo líderes seniores, negociar é defender a si mesmo e essa é uma boa qualidade para um jovem adulto”, diz Jenny Foss, fundadora da consultoria de carreira JobJenny.com. “Não se trata unicamente de conseguir mais dinheiro ou mais vantagens, mas de mostrar confiança e advogar pelo seu trabalho, e essas são ótimas características.”

2. CONHEÇA O SEU VALOR

A chave para uma negociação bem-sucedida é o profissional ter consciência de quais são suas habilidades mais valorizadas dentro da empresa, e quanto o mercado considera justo pagar por elas. Antes de sentar para uma entrevista, é importante buscar dados de remuneração do mundo real específicos para seu setor, região, empregador e conjunto de habilidades.

“A negociação não é entrar e dizer: ‘Preciso de mais dinheiro por causa do meu carro ou do meu aluguel’”, explica Foss. “Faça algumas pesquisas e realmente pense no valor que você pode oferecer e por que isso exigiria um salário maior, então investigue por meio das ferramentas disponíveis hoje.”

Funcionários mais jovens podem se sentir substituíveis e, naturalmente, temem que sejam desconsiderados. A consultora de carreira enfatiza a importância de não perder de vista o valor que podem agregar, mesmo sem experiência anterior significativa.

“Você acabou de investir quatro, cinco, oito anos de sua vida aprendendo habilidades que serão diretamente benéficas para seu primeiro empregador, e as empresas não contratam pessoas iniciantes se elas não sentirem que quem acabou de sair da faculdade têm valor para elas”, afirma Foss. “Saiba que você é desejado, saiba que é necessário e entenda que a maioria das empresas razoáveis ​​espera negociação.”

3. ENCONTRE UM MEIO-TERMO

Emprego envolve muito mais do que apenas o salário, então é fundamental levar em consideração o pacote de remuneração integral.

De acordo com Andres Lares, sócio-gerente do Shapiro Negotiations Institute, limitar as negociações a um único número reduz a oportunidade de um acordo mutuamente benéfico. Ele explica que há uma grande variedade de fatores que poderiam ser incluídos nessa conversa, desde o cargo até os dias de férias, políticas de trabalho remoto, bônus, planos de saúde e outras vantagens. É por isso que ambas as partes devem ser francas sobre suas prioridades.

Por exemplo, se a principal prioridade do empregador é manter os salários proporcionais aos dos funcionários já existentes e manter uma política rígida de férias, o funcionário poderia negociar um horário de trabalho mais flexível, um expediente de home office e um cargo de maior prestígio.

“Você está pressionando por suas prioridades, eles estão pressionando pelas prioridades deles, ao negociar vários aspectos, é muito mais provável que você não apenas consiga mais do que deseja, como também consiga que ambos fiquem satisfeitos”, diz Lares.

4. SAIBA QUANDO ABORDAR O ASSUNTO

Encontrar o momento certo para conversar sobre remuneração pode ser um desafio, especialmente para aqueles com menos prática. “Se fizer cedo demais, você pode insinuar que pensa estar garantido. Se fizer tarde demais, parece que perdeu o timing ”, alega Lares.

Antes de negociar um reajuste, compreenda o papel que executa na empresa, e quais são as expectativas dos gestores. “Se você pode trabalhar cinco dias remotamente e não precisa se mudar de Iowa para a cidade de Nova York, espere uma remuneração diferente”, diz ele. “Diga: ‘Voltaremos a isso mais adiante’, o que é uma boa tática de negociação, porque dependendo de muitos fatores, as coisas podem mudar.”

Lares acrescenta que os candidatos devem voltar ao assunto assim que chegarem a alguns finalistas. “Adie até o ponto em que sente que tem uma boa chance de conseguir o acordo”, ele ressalta.

5. DEIXE O EMPREGADOR DAR O PRIMEIRO PASSO

Quando chegar o momento certo para essa conversa, os candidatos devem insistir em deixar o empregador fazer a oferta de abertura.

“Se um candidato descarta imediatamente uma oferta e os gestores planejam pagar uma quantia maior, ele acabou de se restringir a quantia menor”, explica Foss. “Da mesma forma, se você indicar um número que é muito alto, mas está disposto a aceitar algo um pouco mais baixo, é provável que esteja se precificando fora de consideração.”

Em vez disso, Foss aconselha os candidatos a perguntarem ao empregador o que eles normalmente oferecem aos funcionários em funções semelhantes ou com níveis semelhantes de experiência. Em alguns casos, a oferta estará de acordo com suas expectativas, mas se não, cabe ao candidato defender o que acredita que merece, usando pesquisas e dados para respaldar suas demandas.

“A maioria das empresas — especialmente as grandes, mas até mesmo algumas empresas menores — fazem a primeira oferta com a expectativa de que a pessoa pode voltar e querer negociar, não importa se é um funcionário com zero anos de experiência ou trinta”, ela afirma. “A maioria das empresas não lançará sua melhor oferta absoluta logo no início.”

SOBRE O AUTOR

Jared Lindzon é jornalista freelance e orador, nascido em Toronto, Canadá. Lindzon escreve sobre o futuro do trabalho e do talento no que se refere à inovação tecnológica, bem como ao empreendedorismo, tecnologia, política, esportes e música. Mais