5 dicas para te tornar mais criativo e produtivo no trabalho

Restrições deliberadas e estratégias de simplificação ajudam você a se concentrar melhor, ser mais produtivo e tomar decisões mais criativas

dicas para aumentar a produtividade
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David Epstein 10 minutos de leitura

Usar restrições e estratégias de simplificação ajuda você a se concentrar melhor, a ser mais produtivo e a tomar decisões mais criativas. A seguir, David Epstein compartilha cinco ideias chave de seu novo livro "Inside the Box: How Constraints Make Us Better" (Dentro da caixa: como as restrições nos tornam melhores, em tradução livre).

1. TORNE VISÍVEIS TODOS OS SEUS COMPROMISSOS ATUAIS

Em um laboratório de genômica, a equipe reservou um tempo para escrever cada um de seus projetos atuais em notas autoadesivas (um projeto por Post-it) e colá-los em uma parede. 

Eles notaram imediatamente que tinha coisas demais em andamento ao mesmo tempo. A equipe do laboratório percebeu a importância de escolher prioridades para focar.

Tornar todos os seus compromissos visíveis é um exercício útil. Isso pode ser feito para assuntos pessoais, tarefas profissionais ou ambos

Ao contabilizar tudo, pergunte-se: “se eu tivesse que cortar uma dessas coisas nos próximos 90 dias, qual seria?”. 

Isso não significa que você terá que eliminá-la para sempre, mas talvez a coloque em espera, porque as restrições podem ajudar a clarear suas prioridades. É sobre isso que se trata este exercício. 

A maioria das pessoas ou equipes que fazem isso percebe que está sobrecarregada de compromissos e que muitas tarefas de média prioridade estão competindo com as de alta prioridade.

Os seres humanos são ruins em subtrair coisas. Portanto, pense neste exercício como uma auditoria de subtração. 

Nós temos um viés chamado "viés de negligência subtrativa", o que significa que ignoramos soluções que envolvem eliminar coisas. Faça isso regularmente para reduzir ativamente as obrigações, em vez de apenas acumular mais.

2. AGRUPE SEUS E-MAILS

A psicóloga Gloria Mark passou duas décadas observando pessoas no trabalho para entender o que elas fazem o dia todo. 

Em um de seus estudos mais recentes, ela descobriu que as pessoas em escritórios checam o e-mail cerca de 77 vezes por dia. Essa é a média. E isso leva a uma menor produtividade e a um maior estresse

Novas evidências sugerem que esse tipo de alternância frequente pode até afetar a função imunológica, mas sabemos que afeta o estresse, porque mudar de tarefa frequentemente faz com que a qualidade e o ritmo do trabalho caiam. Menos é feito, e não é feito tão bem.

A Dra. Mark gosta de descrever o cérebro como um quadro branco: ao realizar uma tarefa, você está escrevendo no quadro branco e, quando muda, você apaga, mas isso deixa um resíduo que interfere um pouco na próxima atividade. 

Ao alternar de uma tarefa para outra o dia todo, você acumula esse resíduo e encolhe a largura de banda cognitiva para cada tarefa subsequente. 

Isso não quer dizer que você não possa responder aos seus e-mails, mas considere dividi-los em um, dois ou três lotes por dia. 

O que você não deve fazer é ficar mudando de foco o dia inteirinho. Na verdade, se você puder agrupar seu trabalho em lotes de forma geral, isso pode ser útil para aumentar a produtividade e diminuir o estresse.

“Menos é feito, e não é feito tão bem.”

Se o foco em uma única tarefa (monotarefa) parece difícil, talvez comece o seu dia com 30 minutos de trabalho sem alternâncias, durante os quais você se concentra exclusivamente na sua tarefa mais importante. 

Você pode progredir gradualmente para blocos de tempo cada vez mais longos antes de abrir a caixa de entrada.

Assim, você conseguirá eventualmente bloquear todo o seu trabalho, de modo que os diferentes tipos de coisas que você faz em um dia sejam realizados dentro de seus próprios blocos de tempo de monotarefa. 

Isso aumentará sua produtividade e fará com que você se sinta menos estressado no final do dia.

3. BLOQUEIE A SOLUÇÃO FAMILIAR

Este pode ser o maior estímulo individual para a criatividade. Quando você bloqueia a solução que está acostumado a escolher, isso o força a pensar de novas maneiras. 

Os psicólogos às vezes chamam isso de "restrição de exclusão", onde você exclui qualquer que seja o caminho familiar para forçar a realização de outra coisa.

Como disse o cientista cognitivo Daniel Willingham, você pode pensar que seu cérebro foi feito para pensar, mas, na verdade, ele foi feito para evitar que você precise pensar sempre que possível. 

Pensar gasta muita energia, então seu cérebro quer fazer o que é fácil. Diante de um problema ou de uma tarefa, seu cérebro buscará o que os psicólogos cognitivos chamam de "caminho de menor resistência", o que significa algo conveniente ou habitual.

Mas se você quer ser criativo, precisa bloquear esse padrão. Às vezes ele é bloqueado por necessidade, e é por isso que temos o ditado de que a necessidade é a mãe da invenção. 

Quando a opção fácil não é uma escolha, você é forçado a fazer algo inventivo. Mas se você está apenas tentando ser mais criativo, pense no que quer que esteja fazendo e bloqueie essa primeira opção.

Deixe-me dar uma ideia de como apliquei isso em parte do meu próprio trabalho. Ao trabalhar neste livro, eu começava novos capítulos escrevendo a primeira coisa que me vinha à mente. 

Mas então eu disse: “Risque isso. Não posso usar isso como meu começo. Tenho que encontrar outra coisa”. 

Era irritante e inconveniente, mas me forçou a pensar profundamente sobre qual é realmente o melhor lugar para começar o capítulo, e não apenas a primeira coisa que me vinha à mente.

“Quando a opção fácil não é uma escolha, você é forçado a fazer algo inventivo.”

Qualquer que seja a sua tarefa criativa, não pule direto para a solução familiar. No trabalho, talvez considere dizer: 

“Se não pudéssemos recomendar o que sempre recomendamos em nossa próxima reunião com o cliente, o que faríamos em vez disso?”. 

Mesmo que você acabe escolhendo a solução familiar no final das contas, vale a pena explorar os resultados desse estímulo gerador e criativo antes de decidir.

4. COMECE PELA CAIXA

Esta é uma dica que vem de Tony Fadell. Ele é publicamente conhecido como o “pai do iPod” porque foi o designer-chefe do iPod e, depois, foi cofundador da Nest, a empresa de termostatos inteligentes. 

O principal conselho que ele dá aos empreendedores é começar escrevendo o comunicado de imprensa (press release) antes de embarcar no projeto. 

Na verdade, na Nest, ele fez a equipe criar o protótipo da caixa literal antes de terem o produto. Ele disse: “isso nos forçará a priorizar as coisas que estamos tentando comunicar ao usuário final. Isso nos forçará a esclarecer quais são essas coisas e a decidir quais são as prioridades”.

Da mesma forma, ele sugere que os empreendedores escrevam um comunicado de imprensa de uma única página como se o projeto estivesse concluído. 

Responda: Como quero que isso se pareça? Que problema está resolvendo? O que espero que as pessoas digam sobre isso quando estiver pronto? Isso dá uma caixa de delimitação para o projeto. 

De repente, você tem trilhos de guia para trabalhar de forma delimitada. Não significa que você não possa mudá-los, mas, se o fizer, estará ciente de que está fazendo concessões ponderadas. Isso pode manter um projeto contido e canalizado.

Eu testei isso comigo mesmo, até mesmo para alguns projetos pessoais. 

Achei um exercício útil que força você a pensar sobre por que está fazendo o que está fazendo, a definir a sua teoria sobre o que está fazendo, como espera que seja o resultado e quais são as prioridades

Algumas pessoas pensam nisso como trabalhar de trás para frente. Esses tipos de restrições podem ser irritantes porque, como diz Fadell, definir limites logo no início atrasa você, mas eles são poderosos porque o forçam a pensar no futuro.

Segui a deixa de Fadell porque meus livros anteriores tinham se estendido demais, então, desta vez, fiz um esboço estrutural completo do livro em uma única página. 

Tentei burlar meu próprio sistema escrevendo o mínimo possível, mas esse exercício me forçou a priorizar implacavelmente. 

Como resultado, esta foi a primeira vez que não escrevi 50% além do tamanho que me foi estipulado para um livro. 

Embora escrever esse esboço tenha me atrasado inicialmente, ele traçou limites que me permitiram escrever muito rápido quando chegou a hora de executar.

 Entreguei o livro antes do prazo, o que é inédito para mim.

5. DEFINA REGRAS DE “SATISFATÓRIO” E CUMPRA

Satisfatoriedade é um termo cunhado por Herbert Simon, que foi prêmio Nobel de economia e um dos fundadores da IA e da psicologia cognitiva. Satisfatoriedade é uma combinação de satisfazer e bastar.

O que Simon descobriu foi que os seres humanos não conseguem otimizar suas decisões da maneira que a teoria econômica clássica gostaria que fizéssemos, porque temos largura de banda limitada para avaliar diferentes opções e prever o futuro. 

Portanto, devemos nos dar por satisfeitos selecionando opções que sejam "boas o suficiente".

Simon sugeriu que deveríamos definir proativamente regras de "bom o suficiente" para nossas decisões e, assim que elas forem superadas, escolher a opção e não olhar para trás. 

Talvez qualquer decisão que você tome, compra que faça ou o que quer que seja vá muito além dos limites do bom o suficiente, mas assim que você os ultrapassa, você segue em frente com aquilo. 

Se você está fazendo uma compra, você estabelece o que precisa que o item faça e, assim que encontra essa opção, você a escolhe e segue em frente.

O oposto da satisfatoriedade é o que se chama de maximização. É quando você está realmente tentando avaliar cada opção e tomar a melhor decisão absoluta. 

Isso é como quando você encontrou algo que gostaria de assistir na Netflix, mas, como pode haver algo melhor, você continua procurando. 

Os aplicativos de relacionamento são um exemplo óbvio: você encontra alguém de quem gosta, mas decide arrastar para o lado mais um pouco de qualquer maneira, porque quem sabe o que está na próxima esquina?

“Os maximizadores ficam menos satisfeitos com suas decisões.”

Pesquisas em psicologia mostram que quase sempre é ruim ser um maximizador. Os maximizadores ficam menos satisfeitos com suas decisões. 

Eles ficam menos satisfeitos com suas vidas. Eles são muito mais propensos ao arrependimento. Eles preferem decisões reversíveis, mesmo quando acabam mais felizes com decisões irreversíveis. 

Apenas a opção de sempre manter suas opções abertas é algo que os atrai para um certo nível de infelicidade.

Todos nós podemos viver com um pouco mais de satisfatoriedade neste mundo, onde nunca foi tão fácil comparar cada decisão e aspecto da vida a um número quase infinito de outras pessoas e outras opções. 

É importante para o nosso bem-estar pensar e estabelecer regras de "bom o suficiente". O próprio Simon usava a mesma marca de meias. Ele sempre possuiu apenas uma boina por vez e só comprava uma nova quando a que tinha ficava gasta. 

Ele disse à filha que uma pessoa só precisa de três mudas de roupa: uma no corpo, uma no armário pronta para vestir e uma na lavagem. 

Ele comia o mesmo café da manhã todos os dias. Morou na mesma casa por 46 anos. Ele escreveu a famosa frase: “O melhor é inimigo do bom”. 

Você quase o acusaria de ter padrões baixos se ele não tivesse ganhado os maiores prêmios possíveis em psicologia, computação e economia.

Simon reconheceu que, ao praticar a satisfatoriedade, você economiza deliberadamente a largura de banda cognitiva para outras áreas onde ela realmente importa.

Este artigo apareceu originalmente na revista Next Big Idea Club e foi republicado com permissão.


SOBRE O AUTOR

David Epstein é autor de best-sellers como "Range" e "The Sports Gene". Foi redator sênior da "Sports Illustrated" e repórter investig... saiba mais