5 habilidades interpessoais que todos os líderes excepcionais deveriam ter

Essas são as características mais valiosas para líderes em um mercado dominado pela Inteligência Artificial

5 habilidades interpessoais que todos os líderes excepcionais deveriam ter
Anton Vierietin via Getty Images

Illia Smoliienko 6 minutos de leitura

Na Web Summit de 2025, em Lisboa, Hayden Brown, presidente e CEO da Upwork, foi questionada sobre quais habilidades os líderes mais requisitadas atualmente deveriam ter.

Sua resposta foi imediata: a demanda por habilidades interpessoais está crescendo. À medida que os algoritmos de IA assumem cada vez mais tarefas rotineiras, as qualidades que não podem ser automatizadas - clareza na comunicação, capacidade de trabalhar eficazmente com pessoas e habilidades de resolução de conflitos - estão se tornando essenciais para o crescimento na carreira.

Essa tendência vai muito além do setor de tecnologia. De acordo com o Relatório de Mudanças no Trabalho do LinkedIn, 70% das habilidades utilizadas na maioria das profissões mudarão até 2030; a IA será o principal catalisador.

Nesse contexto, o autor convenceu-se de que as habilidades interpessoais não têm "data de validade". São elas que determinam se um líder consegue manter sua equipe produtiva mesmo durante períodos de mudanças radicais ou crises.

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Brown identificou cinco competências interpessoais que traçam uma linha clara entre um líder mediano e um líder excepcional — alguém verdadeiramente capaz de liderar em meio à transformação.

1 - INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Imagine que a produtividade de um membro da equipe tenha caído três vezes: antes, ele concluía pelo menos 15 tarefas por semana, mas agora mal termina cinco. Ao avaliar a situação apenas por meio de métricas, o líder poderia dizer: “Percebo que você está trabalhando mais devagar. Pode corrigir isso?” A resposta será previsível: “Sim, vou me esforçar mais.” E nada mudará.

O autor notou que a forma como um líder faz um funcionário se sentir em um momento difícil afeta diretamente seu engajamento, confiança e desempenho. Se, em vez de atribuir culpa, o líder perguntar "Como você está se sentindo?", isso revela o verdadeiro motivo por trás da queda de desempenho. Muitas vezes, trata-se de circunstâncias pessoais, estresse ou sobrecarga.

Um líder com forte inteligência emocional consegue perceber até mesmo sinais sutis de deterioração do bem-estar psicológico na equipe e usa a empatia para entender o que realmente está acontecendo. Ao identificar as causas raízes, ele pode encontrar soluções que realmente melhoram o desempenho.

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2 - GESTÃO DE CONFLITOS

Segundo o Workplace Peace Institute, os funcionários americanos gastam duas horas por semana resolvendo conflitos. O autor está convencido de que muitos conflitos podem ser evitados se houver o aprendizado de reconhecê-los logo no início.

Mas quando a tensão se intensifica a ponto de se transformar em um confronto aberto, o líder deve transformar esse conflito em uma conversa produtiva. Ele deve ajudar ambos os lados a estruturar seus pensamentos, guiá-los rumo a um consenso e explicar claramente o raciocínio por trás de suas decisões.

É assim que se gerencia um conflito de forma eficaz: canalizando essa energia para encontrar a melhor solução possível. Para isso, um líder deve separar as pessoas do problema e evitar misturar emoções com argumentos.

3 - CLAREZA NA COMUNICAÇÃO

Pesquisas da Grammarly mostram que 64% dos líderes empresariais associam maior produtividade da equipe diretamente à comunicação eficaz. Na opinião do autor, a clareza é a habilidade interpessoal com o maior impacto nos resultados.

Quando um líder não consegue articular metas, expectativas ou o contexto da tarefa - como restrições ou por que a empresa precisa daquela decisão naquele momento - a equipe opera às cegas. Eles concluem a tarefa com base em sua própria interpretação, em vez da intenção original; essa lacuna custa tempo, qualidade e esforço.

Quando as pessoas não entendem o resultado esperado delas, preenchem as lacunas com suposições que raramente correspondem à realidade. Isso afeta o resultado final, mas também a dinâmica da equipe. Surgem conflitos, com a sensação compartilhada de que "ninguém nos ouve".

Certa vez, ele presenciou uma situação em que, devido à urgência, um gerente atribuiu uma tarefa a um desenvolvedor menos ocupado, porém com menos experiência. O colega mais experiente reagiu indignado: “Por que essa tarefa não foi atribuída a mim? Há algo de errado com o meu trabalho?”.

O problema era que o gerente não havia explicado os critérios para a escolha do responsável pela tarefa; a falta de clareza abriu espaço para suposições incorretas.

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É importante comunicar não apenas o que se está fazendo, mas também por que se está fazendo dessa maneira específica. Seja na atribuição de tarefas, na delegação de tarefas ou na mudança de prioridades, vale a pena apresentar à equipe o panorama completo.

4 - MENTALIDADE DE COACHING

Segundo uma análise de 34 milhões de anúncios de emprego para cargos de gestão nos EUA, desde 2007 os empregadores têm três vezes mais probabilidade de procurar líderes com habilidades em colaboração, mentoria e influência. Ao mesmo tempo, os anúncios de emprego têm usado menos termos que descrevam a liderança tradicional.

Hoje, líderes valorizados não apenas gerenciam processos, mas também criam condições para o crescimento de suas equipes. E, nesse contexto, a mentalidade de coaching assume um papel fundamental. Um líder que a possui consegue fazer perguntas às pessoas que as estimulam a buscar suas próprias soluções, em vez de se basearem em diretrizes.

Uma mentalidade de coaching promove a autonomia e fortalece a confiança das pessoas em suas habilidades, beneficiando, em última análise, toda a equipe. Os líderes não devem privar suas equipes da oportunidade de chegar a soluções por conta própria.

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5 - RESILIÊNCIA

O mundo moderno é repleto de incertezas; os líderes precisam se adaptar a mudanças imprevistas e também apoiar os outros em momentos difíceis. Isso se torna mais fácil se eles possuírem resiliência e conseguirem manter a calma sob pressão, gerenciar suas próprias emoções e se recuperar rapidamente.

O autor lidera uma equipe de 90 pessoas, a maioria ucranianas. Quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia, a equipe dele - que de repente se viu em perigo - ficou desorientada e assustada. Como líder, ele não podia ceder ao pânico, pois era responsável por todos. Eles o procuraram com muitas dúvidas, e suas ações, conselhos e apoio ajudaram a equipe a superar aqueles momentos difíceis.

A boa notícia é que a resiliência não é uma característica inata, mas pode ser desenvolvida. Um líder torna-se mais resiliente ao aprender a fazer pausas, escolher conscientemente a sua resposta a uma situação e evitar reagir a gatilhos imediatos.

Equipes que testemunham a resiliência dos líderes em situações desafiadoras demonstram seis vezes mais engajamento e inovação. Isso não é coincidência: as pessoas trabalham com mais ousadia e produtividade quando têm como exemplo alguém que não se deixa abater pela ansiedade e transmite uma sensação de estabilidade e segurança. A equipe dele é a prova disso.


SOBRE O AUTOR

Illia Smoliienko é o diretor de software da Waites. saiba mais