POR MICHELE PARMELEE 

Com a temporada de volta às aulas a pleno vapor, alunos e professores estão lidando com os desafios do aprendizado à distância. Mas eles não são os únicos. Profissionais – de todos os tipos, em todos os setores – também. Ainda assim, embora o aprendizado corporativo e o desenvolvimento profissional sejam mais difíceis de administrar e acessar hoje, eles não são menos importantes.

Na verdade, eles são mais importantes.

Considerando quantas pessoas estão sem trabalho e quantos empregos e setores precisam de uma transformação radical, a requalificação e a aprendizagem contínua são essenciais.

Todos reavaliamos e redefinimos nossas ferramentas, métodos, práticas e prioridades de aprendizagem. Mas há uma coisa que sabemos com certeza: embora estejamos ansiosos para voltar às salas de aula e às sala de reunião, devemos deixar os modelos rígidos altamente estruturados de desenvolvimento profissional para trás.

Eis cinco mudanças que observamos, juntamente com as ações correspondentes que as organizações podem realizar agora para incentivar uma nova era de desenvolvimento profissional.

1. APRENDIZAGEM COMO UM EVENTO → APRENDIZAGEM NO FLUXO DE TRABALHO

A aprendizagem profissional costumava ocorrer em eventos: um workshop, um seminário ou treinamento. Agora ela acontece cada vez mais no fluxo de trabalho. Sabemos que a aprendizagem baseada na experiência, rápida e “na hora certa”, é mais eficaz do que o ensino tradicional em sala de aula. Faz sentido que as habilidades que adquirimos no trabalho, quando realmente precisamos delas, continuem conosco mais do que as que aprendemos abstratamente em sala de aula. Portanto, em tudo o que fazemos no trabalho, precisamos garantir que estejamos oferecendo aos nossos colaboradores oportunidades para aprender.

Uma medida imediata: enquanto os colaboradores continuam trabalhando remotamente em diferentes locais e fusos horários, as organizações podem personalizar o desenvolvimento profissional com soluções que atendam aos estilos e necessidades de aprendizagem individuais. E devem fazer isso enquanto incorporam mecanismos para a aprendizagem cotidiana em funções futuras.

2. HABILIDADES TÉCNICAS PRIMEIRO → COMPETÊNCIAS PRIMEIRO

Habilidades técnicas estão sempre mudando, especialmente com o avanço da tecnologia. Então é melhor promover e estimular as competências necessárias para se adaptar e prosperar num mundo – e num local de trabalho – em rápida transformação. Trata-se de preparar os colaboradores para as habilidades que eles precisam ter para rastrear informações relevantes, aplicar conhecimentos prévios e trabalhar em equipes diversas.

Uma medida imediata que você pode realizar agora: determinar quais competências e habilidades os colaboradores precisam para ter sucesso, não apenas hoje, mas em um mundo pós-COVID-19. Conhecimento de tecnologia, liderança inclusiva, capacidade de análise, curiosidade, resiliência, inteligência emocional — e então criar oportunidades de aprendizagem.

3. APRENDIZAGEM DIGITAL COMO SUPLEMENTO → APRENDIZAGEM DIGITAL, VIRTUAL E PRESENCIAL INTEGRADAS

A aprendizagem digital, muitas vezes sob demanda, individual, sem colegas e talvez até sem instrutor, agia principalmente como um suplemento técnico de compartilhamento de conteúdo para a aprendizagem presencial, onde o foco estava na colaboração, na narrativa e no impacto. Isso mudou. A aprendizagem está ocorrendo online, não apenas por meio de ambientes virtuais que buscam replicar a sala de aula por meio da tecnologia, mas também por meio de ambientes digitais de aprendizagem. As organizações devem diversificar os métodos de entrega.

4. TECNOLOGIA PARA POSSIBILITAR A ADMINISTRAÇÃO DE APRENDIZAGEM → TECNOLOGIA PARA POSSIBILITAR A APRENDIZAGEM NO FLUXO DE TRABALHO

Onde costumávamos recorrer à tecnologia para ajudar a administrar o treinamento e o desenvolvimento profissional, agora passamos a aproveitar a tecnologia em todas as partes do processo de aprendizagem. Após vários meses de pandemia, pode parecer que maximizamos o uso das ferramentas tecnológicas disponíveis. Mas, em vez de nos acomodarmos, devemos expandir nossa caixa de ferramentas. As organizações devem, no mínimo, acelerar a adoção de ferramentas virtuais de aprendizagem. Mas, para estar na vanguarda, devem investir proativamente em novas ferramentas.

5. DESENVOLVIMENTO ESTRUTURADO → DESENVOLVIMENTO AUTODIRIGIDO E PERSONALIZADO

À medida que fazemos nossos trabalhos cada vez mais em qualquer ritmo e local que nos pareça mais confortável, a força de trabalho de hoje deve ter autonomia para direcionar seu próprio desenvolvimento profissional. As equipes de aprendizagem devem aumentar a flexibilidade e o acesso a experiências de aprendizagem personalizadas sob demanda. Mesmo – e, talvez, especialmente – para habilidades técnicas, a autoexperimentação deve ter mais destaque do que a observação tradicional de profissionais mais experientes.

Se 2020 nos ensinou alguma coisa, é que a aprendizagem – na escola e no trabalho – nunca mais será a mesma. Ela já está mais digital e individualizada, menos fixa e presencial. Embora seja tentador lutar contra essas mudanças e, em vez disso, esperar um retorno à normalidade, a verdade é que as coisas já estavam seguindo esse caminho. Testemunhamos os benefícios para nossa produtividade, nosso desenvolvimento e nossos resultados de uma combinação mais equilibrada entre as modalidades de aprendizagem. E isso é algo que não desaprenderemos.

Michele Parmelee é Chief People & Purpose Officer da Deloitte.