A IA pode aumentar a criatividade – mas não para todos

Novo estudo indica que modelos de linguagem como o ChatGPT podem mudar a forma como as pessoas pensam no trabalho, mas há uma condição

estudo indica que a IA pode tornar alguns tipos de profissionais mais criativos
Crédito: Unsplash

Sarah Bregel 3 minutos de leitura
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Um novo estudo indica que a IA pode tornar os profissionais mais criativos, mas há uma condição: apenas alguns funcionários estão colhendo esses benefícios.

Os dados, apresentados no estudo “Como e para quem o uso de IA generativa afeta a criatividade: um experimento de campo”, foram publicados no "Journal of Applied Psychology". Para a pesquisa, os autores realizaram um experimento de campo a fim de descobrir exatamente quem tem sua criatividade estimulada pela tecnologia – e por quê.

Os pesquisadores dividiram aleatoriamente 250 funcionários em dois grupos: um usaria o ChatGPT para auxiliar no trabalho e o outro, não.

Aqueles que utilizaram a ferramenta de inteligência artificial foram avaliados como mais criativos, mas isso não ocorreu com todos. Apenas os que haviam demonstrado sólidas habilidades metacognitivas tiveram um desempenho criativo melhor.

Segundo o estudo, os profissionais que demonstraram essas habilidades “conseguiam refletir sobre quais informações lhes faltavam, acompanhar a eficácia da própria abordagem, reavaliá-la ao perceber a falta de progresso e aperfeiçoar seus prompts de IA”.

As estratégias metacognitivas, em essência, permitem que as pessoas percebam melhor os próprios processos de pensamento e aprendizagem. Quem consegue refletir sobre a forma como aprende e fazer ajustes tem mais chances de usar bem as ferramentas de IA.

PENSAR SOBRE O PRÓPRIO PENSAMENTO

“A metacognição – pensar sobre o próprio pensamento – é o elo que falta entre simplesmente usar a IA e usá-la bem”, afirma Jackson G. Lu, professor da MIT Sloan School of Management, ao comentar os resultados.

“Ela permite que as pessoas façam perguntas melhores, identifiquem lacunas de conhecimento e extraiam valor real das ferramentas de IA, em vez de depender delas passivamente”, explica.

pessoas andam entre lâmpadas gigantes
Crédito: Digtial Storm/ Getty Images

É claro que existe uma curva de aprendizado significativa quando se trata de usar IA e, como explica Lu, isso faz diferença.

Embora ferramentas como o ChatGPT tenham enorme potencial, elas não beneficiam os profissionais se não forem usadas de uma maneira capaz de gerar impacto, em especial quando o objetivo é estimular a criatividade.

NÃO BASTA ENTREGAR A FERRAMENTA

“Nem mesmo a IA mais poderosa aumentará a criatividade se as pessoas não souberem usá-la de forma eficaz”, diz Lu. “As organizações deveriam combinar a adoção da IA com o treinamento em metacognição para maximizar os benefícios criativos.”

Sabrina H. Williams, pesquisadora da criatividade na University of South Carolina, estuda como a tecnologia afeta o pensamento criativo, a confiança e a capacidade humana de agir. Segundo Williams, o estudo revela algo coerente com suas próprias descobertas: “a IA não torna automaticamente as pessoas mais ou menos criativas”.

A metacognição (pensar sobre o próprio pensamento) é o elo que falta entre apenas usar a IA e usá-la bem.

Para Williams, o resultado depende da capacidade dos usuários de analisar as respostas fornecidas pela IA e reagir a elas.

“Boas habilidades metacognitivas podem ajudar os profissionais a usar a IA como parceira em sessões de brainstorming, sem que fiquem presos às primeiras respostas oferecidas por ela nem terceirizem o discernimento que a criatividade exige”, explica a pesquisadora.

Muitos profissionais já usam a IA para desenvolver novas competências no trabalho e até mesmo aprender habilidades que não lhes foram ensinadas pela empresa, o que mostra que os funcionários estão adotando amplamente a tecnologia.

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Ainda assim, quando se trata de criatividade, aprender a “pensar sobre o próprio pensamento” pode ser tão importante quanto aprender a usar a própria IA.


SOBRE A AUTORA

Sarah Bregel é uma escritora, editora e mãe solteira que mora em Baltimore, Maryland. Ela contribuiu para a nymag, The Washington Post... saiba mais