A lealdade à empresa pode deixar você mais vulnerável a uma demissão
Funcionários antigos acreditam estar protegidos contra demissões, mas acabam menos preparados para buscar um novo emprego

Os tempos dos empregos para toda a vida ficaram tão para trás quanto os planos de saúde pagos pelos empregadores e as festas de fim de ano para funcionários e suas famílias.
Embora a maioria dos trabalhadores já tenha aceitado a instabilidade como uma característica do mercado de trabalho atual, novos dados mostram que muitos profissionais com mais tempo de casa são pegos completamente de surpresa quando recebem uma notificação de demissão, algo que acreditavam ser impossível graças à sua experiência e anos de casa.
Essa crença na antiga regra não escrita do mercado de trabalho – "os últimos a entrar são os primeiros a sair" – acaba impondo aos funcionários mais antigos um alto custo emocional e profissional, descrito como a "taxa da lealdade".
O termo foi criado pela empresa de recrutamento Careerminds para definir os efeitos negativos enfrentados por trabalhadores demitidos que acreditavam que cinco, 10 ou 15 anos de dedicação ao mesmo empregador os tornavam praticamente imunes aos cortes de pessoal.
Além da incredulidade, da quebra de confiança e da sensação de perda profunda, esses profissionais costumam estar muito menos preparados para encontrar novas oportunidades do que colegas mais céticos, que passaram a enxergar o emprego como algo naturalmente instável.
O resultado muitas vezes lembra uma combinação, na vida real, entre "A Morte do Caixeiro Viajante" e "Amor sem Escalas" para quem passa anos na mesma empresa antes de ser dispensado.
"Um dos maiores equívocos que os funcionários ainda cometem é acreditar que a lealdade os protegerá de demissões", afirma Amanda Augustine, especialista de carreira da Careerminds. "Infelizmente, muitos profissionais descobrem tarde demais que anos de dedicação não significam necessariamente segurança no emprego."
O CUSTO DA "TAXA DE LEALDADE"
Para entender melhor o impacto desse tipo de desligamento, a Careerminds entrevistou recentemente 900 pessoas que perderam empregos nos quais haviam trabalhado por pelo menos cinco anos.
A primeira grande conclusão foi que 76% dos participantes consideravam seu emprego seguro ou muito seguro antes da demissão. Quase a mesma proporção disse acreditar que seu tempo de serviço seria suficiente para protegê-los de cortes de pessoal.
Não surpreende, portanto, que 66,3% tenham afirmado ter ficado completamente chocados com a demissão. Quase um quarto disse que sequer imaginava essa possibilidade.

Essa falsa sensação de segurança acabou gerando a chamada taxa da lealdade de diversas maneiras.
A primeira delas ocorreu antes mesmo das demissões. Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados recusaram uma ou mais ofertas de emprego externas antes de serem desligados, por considerarem desnecessário mudar de empresa.
A mesma confiança excessiva na estabilidade também levou 46,5% dos participantes a deixar o currículo desatualizado. Da mesma forma, pouco mais de 53% admitiram que abandonaram parcial ou totalmente sua rede de contatos profissionais.
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Esse descuido acabou produzindo uma segunda cobrança da taxa da lealdade. A perda repentina de um emprego considerado seguro tornou a recolocação muito mais difícil e demorada do que para profissionais que sempre encararam o risco de desemprego como uma possibilidade constante.
De fato, apenas 13,8% dos entrevistados disseram que, no momento da demissão, já tinham currículo atualizado, habilidades de busca de emprego e uma rede de contatos suficiente para começar imediatamente a se candidatar a novas vagas.
O QUE FAZER PARA AJUDAR OS DEMITIDOS
É evidente que empresas não demitem funcionários de forma leviana. Em geral, as decisões são tomadas após uma análise cuidadosa das necessidades do negócio, especialmente quando envolvem profissionais com muitos anos de casa.
Ainda assim, gestores podem reconhecer o choque emocional e as dificuldades enfrentadas por esses funcionários mais experientes e buscar maneiras de reduzir esse impacto. A pesquisa aponta dois caminhos.
O primeiro é financeiro. Nada menos que 45% dos profissionais com mais tempo de empresa afirmaram não ter recebido qualquer indenização adicional ou outro tipo de assistência financeira após a demissão.
76% dos entrevistados consideravam seu emprego seguro ou muito seguro antes da demissão.
Quase um quarto disse que a compensação recebida foi muito inferior ao que esperava em função dos anos dedicados à empresa. Reconhecer financeiramente a contribuição desses profissionais pode amenizar parte das dificuldades da transição.
O segundo caminho é profissional. A maioria dos entrevistados relatou que passou, praticamente da noite para o dia, de integrante valorizado da equipe para alguém completamente sozinho na busca por um novo emprego. Muitos disseram sentir que foram abandonados justamente no momento mais difícil da carreira – uma percepção que poderia ser evitada.
"Quase dois terços dos profissionais com longo tempo de empresa (63,3%) não receberam nenhum tipo de apoio à recolocação ao serem desligados: nem orientação de carreira, nem ajuda para atualizar o currículo, nem suporte na busca por emprego", destaca o relatório da pesquisa.
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"Esses trabalhadores chegam a um momento de transição com redes de contatos enfraquecidas, currículos desatualizados e pouca experiência em procurar trabalho. O apoio à recolocação é uma das áreas em que as organizações podem realmente fazer diferença na forma como um profissional com muitos anos de empresa consegue seu próximo emprego."
Este artigo foi publicado originalmente na Inc., publicação parceira da Fast Company. Leia o artigo original.