A próxima revolução dos negócios é espiritual

Toda grande revolução muda o que fazemos. Esta muda quem decide

A próxima revolução dos negócios é espiritual
Crédito: Unsplash

Fabíola Carvalho 3 minutos de leitura
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A Revolução Industrial ampliou nossa força física. A Revolução Digital ampliou nossa capacidade de processar informações. A inteligência artificial amplia nossa capacidade cognitiva.

Mas nenhuma delas responde a uma pergunta fundamental: quem decide como o poder será usado?

A tecnologia multiplica capacidades, mas não define intenções. E quanto mais poder adquirimos, mais decisiva se torna a qualidade humana de quem o exerce.

Por isso, a verdadeira questão deixa de ser apenas tecnológica e passa a ser espiritual.

Vivemos um paradoxo sem precedentes. Temos acesso a conhecimento, inovação, velocidade, alta tecnologia e recursos, enquanto convivemos com uma profunda crise de sentido, que se manifesta no esgotamento, na solidão, na polarização, na degradação ambiental e na crescente dificuldade de confiar nas organizações e nas instituições que criamos.

Como reconciliar esses extremos que parecem caminhar em direções opostas? Como encontrar a clareza que nos aponte para uma nova direção como humanidade?

A inteligência artificial pode nos ajudar a responder como fazer, quanto produzir, quando agir e onde investir. Mas ela não responde por que fazemos o que fazemos, para que colocamos determinado projeto no mundo, o que realmente vale a pena fazer com a nossa breve existência ou qual legado desejamos deixar.

uso de inteligência artificial pode diminuir pensamento crítico
Crédito: Naeblys/ Getty Images

Essas são perguntas essenciais. E espirituais.

Por isso acredito profundamente que a conversa sobre espiritualidade precisa estar cada vez mais presente na mesa de negócios, nos encontros de lideranças e pautas de conselhos.

Não como uma nova camada de bem-estar adicionada superficialmente às organizações, nem como dogma ou religião, como escrevi em artigos anteriores apontando estudos da McKinsey e da pesquisadora Lisa Miller, mas como uma verdadeira dimensão humana que nos habita e é imprescindível para o futuro que desejamos.

LIDERANÇAS COM INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL

Os negócios dependerão, cada vez mais, do estado de consciência e da intenção com que seus fundadores e líderes colocam um projeto no mundo.

Dependerão da capacidade de perguntar se aquele negócio está verdadeiramente a serviço do bem e da vida – ou apenas do lucro pelo lucro.

Dependerão da existência de espaço para que as pessoas possam expressar quem são de forma mais inteira e para que o trabalho esteja alinhado ao propósito, à vocação interior daqueles que o constroem.

Dependerão de um olhar capaz de considerar o todo, e não apenas o eu.

a IA não responde o que realmente vale a pena fazer com a nossa breve existência ou qual legado desejamos deixar.

Também dependerão da capacidade de sustentar a coragem diante de períodos de incerteza, de navegar a instabilidade sem se deixar dominar pelo medo e de continuar presente mesmo quando tudo ao redor parece distração.

Esse novo tempo exigirá líderes com alta inteligência espiritual: capazes de agir com sabedoria, amor e compaixão, de preservar a paz interior diante da pressão exterior e de colocar o próprio ego a serviço de algo maior.

Exigirá, ainda, uma mudança na própria relação com o trabalho.

Talvez seja necessário substituir a lógica de apenas trabalhar pela consciência de servir. Não no sentido de renunciar à ambição, aos resultados ou ao crescimento, mas de compreender a quem e ao que nossos dons, talentos e capacidades estão servindo.

Quem lidera uma organização influencia pessoas, culturas, economias, a sociedade e futuras gerações. Não basta perguntarmos se esse líder tem competências técnicas para liderar. Mas também se esse líder tem maturidade para exercer esse nível de poder.

Leia mais: Espiritualidade no trabalho: como cultivar propósito e equilíbrio na rotina profissional

O nível de poder que alcançamos como sociedade exige um novo nível de maturidade humana. E essa maturidade é, essencialmente, espiritual – a que torna possível exercer o poder sem perder a humanidade.

O futuro dependerá menos das ferramentas que criarmos e mais dos seres humanos que escolhermos nos tornar.


SOBRE A AUTORA

Fabíola Carvalho é fundadora do The Soul Hub, palestrante, consultora em saúde espiritual e carreira com propósito. saiba mais