Ansiedade no trabalho: como identificar uma crise e o que fazer na hora

A crise de ansiedade ocorre quando essa reação se torna desproporcional, o corpo passa a agir como se estivesse diante de um perigo iminente

Homem com ansiedade no trabalho
Sentir ansiedade em situações desafiadoras é natural. Foto: unsplash

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

A ansiedade tem feito parte da rotina de milhões de brasileiros, no ambiente profissional, no escritório ou no home office, o problema pode se intensificar e gerar crises que afetam desempenho, relações e qualidade de vida.

Especialistas alertam que reconhecer os sinais precocemente e adotar medidas adequadas é fundamental para evitar agravamentos e preservar a saúde mental.

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O QUE É UMA CRISE DE ANSIEDADE?

Sentir ansiedade em situações desafiadoras é natural, o organismo entra em estado de alerta para lidar com uma reunião importante, uma entrega de prazo ou uma decisão relevante. Essa resposta, em níveis moderados, ajuda na concentração e na preparação para enfrentar desafios.

A crise de ansiedade ocorre quando essa reação se torna desproporcional, o corpo passa a agir como se estivesse diante de um perigo iminente, mesmo que não exista ameaça concreta. O resultado é um conjunto de sintomas físicos e emocionais intensos que podem surgir de forma repentina e causar grande desconforto.

COMO IDENTIFICAR OS SINAIS

Reconhecer os sintomas é o primeiro passo para interromper o ciclo da crise. Segundo um artigo publicado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, muitas vezes, principalmente no primeiro episódio, a pessoa pode confundir os sinais com problemas cardíacos ou outras condições clínicas.

Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • Taquicardia e palpitações;
  • Falta de ar ou respiração acelerada;
  • Tremores;
  • Sudorese;
  • Tontura ou náusea;
  • Tensão muscular;
  • Sensação de perigo iminente;
  • Boca seca; e
  • Formigamento nas mãos e pés;
  • Sensação de irrealidade ou medo constante.

Além dos sinais físicos, também podem surgir pensamentos repetitivos, preocupação excessiva e dificuldade de concentração. Quando esses sintomas passam a ocorrer com frequência e começam a interferir nas atividades do dia a dia, o alerta deve ser redobrado.

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ANSIEDADE NO TRABALHO

No ambiente profissional, a ansiedade pode comprometer a produtividade e a autoconfiança. Funcionários que enfrentam crises recorrentes relatam dificuldade para manter o foco, insegurança para assumir novas responsabilidades e medo constante de falhar ou perder o emprego.

O portal Viver Bem, da Unimed, explica que em quadros mais intensos, a situação pode evoluir para esgotamento físico e mental, conhecido como síndrome de burnout. O problema costuma aparecer em profissionais submetidos a pressão contínua e jornadas prolongadas.

O QUE FAZER DURANTE UMA CRISE?

Embora a crise seja desconfortável, existem estratégias que ajudam a reduzir os sintomas no momento em que eles surgem:

1. CONTROLE DA RESPIRAÇÃO

A respiração acelerada é um dos principais fatores que intensificam a sensação de falta de ar. Uma técnica simples consiste em inspirar pelo nariz contando até quatro, segurar o ar por alguns segundos e expirar lentamente pela boca em um tempo maior, como oito segundos. Repetir o ciclo ajuda a estabilizar o ritmo respiratório e acalmar o corpo.

2. RELAXAMENTO MUSCULAR

Pequenos alongamentos e a atenção consciente à contração e ao relaxamento dos músculos podem diminuir a tensão física associada à crise.

3. MUDANÇA DE FOCO

Desviar a atenção dos pensamentos que alimentam a ansiedade também é eficaz. Conversar com alguém, contar números mentalmente ou direcionar a mente para uma atividade simples pode ajudar a interromper o ciclo de preocupação.

4. QUANDO PROCURAR AJUDA

Se as crises se tornam frequentes ou começam a limitar atividades que antes eram realizadas normalmente, é recomendável buscar avaliação profissional.

Psicólogos e psiquiatras podem identificar se há um transtorno de ansiedade ou outro quadro associado, como depressão ou transtorno do pânico.

O tratamento pode envolver psicoterapia e, em alguns casos, medicação prescrita por especialista. A combinação das abordagens costuma trazer resultados mais consistentes.

PREVENÇÃO E QUALIDADE DE VIDA

Além do acompanhamento médico quando necessário, hábitos saudáveis contribuem para o equilíbrio emocional.

Praticar exercícios físicos regularmente, manter uma rotina de sono adequada e investir em pausas ao longo do expediente são medidas que reduzem o estresse.

No ambiente de trabalho, a organização das tarefas e a definição de prioridades ajudam a diminuir a sensação de sobrecarga. Conversas transparentes com lideranças sobre prazos e demandas também podem contribuir para um clima mais saudável.

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A ansiedade costuma começar de forma discreta, mas pode ganhar espaço rapidamente se não for observada. Identificar os primeiros sinais, agir com estratégias simples e buscar apoio profissional quando necessário são atitudes que fazem diferença.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais