Como tornar seu cérebro mais propenso à criatividade

Especialista em design, tecnologia e inovação dá dicas de como acionar a criatividade que há dentro da sua cabeça

Crédito: Milad Fakurian / Unsplash

Stephanie Vozza 4 minutos de leitura

Não seria maravilhoso se boas ideias simplesmente brotassem toda vez que você precisa delas? Embora ninguém seja capaz de inovar sob demanda, há coisas que podem ser feitas para que seu cérebro esteja mais propenso à criatividade, afirma Eric M. Bailey, autor de “The Cure for Stupidity: Using Brain Science to Explain Irrational Behavior at Work” (A cura para a estupidez: usando a ciência do cérebro para explicar comportamentos irracionais no trabalho, em tradução livre).

Um estudo descobriu que não existe um centro de “criatividade” no cérebro. Ela emerge da interação de atividades cerebrais complexas, envolvendo vários sistemas mais básicos. “Ao entender melhor essa ciência, podemos conscientemente nos influenciar para estimular a criação de ideias”, diz Bailey, presidente do Bailey Strategic Innovation Group, empresa de consultoria que se concentra na ciência do cérebro da conectividade interpessoal.

A seguir, destacamos algumas maneiras de colocar seu cérebro em um estado criativo, esteja você trabalhando sozinho ou em colaboração com outras pessoas.

REMOVA AS DISTRAÇÕES

O mundo é cada vez mais projetado para nos distrair. E o que as pesquisas do cérebro mostram é que distrações reduzem as habilidades cognitivas. “Basta olhar para o celular em cima da mesa. Seu cérebro imediatamente salta para todas as coisas que você poderia estar fazendo naquela tela, como checar o e-mail, as redes sociais ou jogar”, diz Bailey.

“Quando você volta para o problema que estava tentando resolver, seu cérebro não pula automaticamente de volta para o fluxo de pensamentos. É preciso retornar ao mesmo nível cognitivo de antes da distração, o que leva tempo.”

Para melhorar sua disposição criativa, seja sozinho ou em grupo, remova as distrações do ambiente, guardando o telefone e desativando as notificações.

RECORRA À MEMÓRIA DE LONGO PRAZO

Às vezes, quando você está correndo atrás de uma ideia, lembrar de coisas do passado pode ajudar. O olfato está muito associado às memórias de longo prazo. Por isso, tente lembrar de diferentes aromas e cheiros quando precisar ter uma ideia.

A criatividade emerge da interação de atividades cerebrais complexas, envolvendo vários sistemas básicos.

“Por exemplo: você visitou um festival gastronômico e adorou a experiência. Se deseja recriar esse ambiente para um projeto futuro, basta remontar a alguns dos aromas que teria encontrado por lá para estimular a lembrança de outros detalhes daquele evento”, Bailey sugere.

“Nossas memórias de longo prazo existem em uma parte do cérebro que está diretamente conectada ao bulbo olfativo no sistema límbico.”

NÃO OUÇA MÚSICAS COM LETRA

A criatividade e o brainstorming se alimentam de substâncias químicas do bem-estar no cérebro, como dopamina, serotonina e endorfinas. Bailey afirma que a música de fundo pode ser útil para liberar substâncias químicas de bem-estar. Mas faz uma ressalva.

“Quando você ouve uma música com letra, o que seu cérebro tenta fazer é seguir as palavras, cantando junto. Se está tentando ser criativo, essa pode ser uma enorme distração.”

Um bom truque é encontrar versões instrumentais de suas músicas favoritas. “Fica muito mais fácil para o seu cérebro se concentrar e, ao mesmo tempo, você obtém o benefício da música”, diz ele.

RESPEITE O PROCESSO CRIATIVO DOS INTROVERTIDOS

O debate de ideias pode ser um processo colaborativo, mas também pode ser um esforço muito individual, apresentado de forma colaborativa posteriormente. Bailey explica que pessoas mais introvertidas geralmente se saem mal em sessões de brainstorming feitas em grupos muito grandes. Isso porque elas tendem a primeiro pensar nas coisas, depois processá-las por um tempo até dizê-las em voz alta.

as pesquisas do cérebro mostram que distrações reduzem as habilidades cognitivas.

“As reuniões tradicionais de brainstorming são um verdadeiro playground para os extrovertidos”, diz Bailey. “Mas quando os gerentes entendem como os diferentes cérebros funcionam, conseguem melhorar os resultados, revelando antecipadamente a pauta ou alguns dos temas da reunião.”

Uma sugestão é compartilhar algumas perguntas com antecedência e sugerir que todos já cheguem na reunião com ideias escritas. “Isso permitirá que os introvertidos processem a questão completamente. Eles se sentirão mais à vontade para compartilhar suas ideias e haverá mais participação, tanto dos introvertidos quanto dos extrovertidos.”

SEJA CURIOSO SOBRE O QUE OS OUTROS TÊM A DIZER 

Um obstáculo ao brainstorming em grupo é aquilo que Bailey chama de “a ilusão da certeza”.

“Quando estamos debatendo um projeto e alguém lança uma ideia diferente da sua, a reação natural do cérebro é tentar provar que você está certo”, diz Bailey. “Essa é uma ilusão de certeza. O cérebro fica implorando para que você insista em explicar por que sua ideia é a melhor.”

Antes de tentar entender outra pessoa, temos urgência para sermos compreendidos. Mas o que pode acabar acontecendo é a outra pessoa ficar na defensiva. E quando a atmosfera está tensa, é difícil ser criativo ou colaborativo.

Em vez disso, Bailey incentiva as pessoas a serem radicalmente curiosas. “Aceite que não existe apenas uma maneira de resolver um problema. Posso ter minha própria ideia, mas, se estou aberto a escutar, posso perceber que outra ideia também pode funcionar. Se trabalharmos juntos de forma colaborativa, podemos chegar a uma solução melhor e alcançar resultados poderosos.”


SOBRE A AUTORA

Stephanie Vozza escreve sobre produtividade e carreira na Fast Company. saiba mais