Se algum dia você estiver sendo entrevistado por Elon Musk para um emprego na Tesla ou na SpaceX, há grandes chances de ele te fazer a seguinte pergunta: “Você está na superfície da Terra. Você anda uma milha para o sul, uma milha para o oeste e uma milha para o norte. Você termina exatamente onde você começou. Onde você está?”.

De fato, de acordo com Ashlee Vance, que escreveu uma biografia autorizada por Musk, ele realmente costuma fazer essa pergunta – e a maioria dos candidatos responde corretamente, cravando o Polo Norte. No entanto, Musk não pára por aí: “Onde mais pode ser?”

Além de ser algo cansativo, e de poucos acertarem a segunda resposta (o Polo Sul), essa história revela um procedimento cada vez mais comum em entrevistas de emprego: perguntas capciosas para testar o conhecimento (e a paciência) dos candidatos. A Resume.io, uma plataforma de construção de currículos, fez recentemente uma pesquisa para dissecar o fenômeno, descobrindo quais são as piores perguntas feitas para os candidatos.

“Há perguntas muito traiçoeiras”, diz Rolf Bax, diretor de recursos humanos da Resume.io. “Uma que está se tornando comum nos Estados Unidos é perguntar quantos postos de gasolina existem no país. Na verdade os recrutadores não querem uma resposta precisa, mas descobrir como você pensa. Qual será o raciocínio feito para tentar chegar na resposta”.

Portanto, lição número 1: o fato de acertar ou não a resposta importa menos do que a forma como a pessoa descreve o problema – e qual sua estratégia para resolvê-lo. 

DESAFIOS

Outra coisa que os candidatos não gostam é quando recebem desafios. Um dos mais odiados: “Você tem um minuto para me convencer a comprar esta caneta”.

“Parece uma pegadinha, mas na verdade o entrevistador não está tentando confundir,” afirma Bax. “Ele está tentado descobrir o quão bem você consegue executar técnicas de vendas comuns: como os candidatos fornecem informações sobre a caneta, assim como quão bem concluem a tentativa de venda com uma declaração convincente.”

Mais uma pergunta indesejada: “Como você se vê daqui a cinco anos?”

“A maioria das pessoas não tem um plano de vida para cinco anos, mas isso, no fundo, não importa,” diz Bax. “O que o entrevistador quer saber são principalmente duas coisas. A primeira é o seu comprometimento com a empresa – em outras palavras, se você vai pretende ficar pelos próximos cinco anos. Já a segunda é sobre as suas ambições. Se você está sendo contratado como assistente, você se vê como gerente em cinco anos?”

Outra pergunta odiada: “Qual a sua principal fraqueza? E por que nós deveríamos contratá-lo?”

Bax afirma que ambas as questões foram listadas como sendo difíceis de responder. Além disso, são carregadas de preconceito, pois são perguntadas com mais frequência para mulheres do que para homens. “É mais comum perguntarem para elas sobre suas fraquezas e qualidades e até mesmo por que elas deveriam ser contratadas”, comenta Bax.

COMO SE PREPARAR

Para perguntas do tipo “Como você se vê daqui a cinco anos?” e “Qual a sua maior fraqueza?”, Bax explica que o melhor é escrever as respostas e memorizá-las. “É muito mais difícil se preparar para as perguntas aleatórias, que surgem no momento da entrevista. O que você puder treinar antes, melhor”.

Para situações do tipo “Venda esta caneta”, Bax sugere focar nos atributos positivos do item, listando suas características, aplicações e benefícios. Já para determinar quantos postos de gasolina existem, a dica é criar um processo metódico para a resolução – algo que você possa explicar para o entrevistador. Por exemplo, faça uma estimativa de quantos postos de gasolina existem em cada Estado, multiplique por 50 e aumente o número para os Estados onde você sabe que possuem uma população maior. “O importante é a consistência da lógica criada pelo candidato”, afirma Bax.

A tendência é que os entrevistadores elaborem perguntas cada vez mais complexas, com o único objetivo de deixar os candidatos em uma situação desconfortável – e, com isso, examinar sua forma de pensar.