Seu cérebro não recompensa o sucesso. Recompensa a expectativa
O segredo está em fazer do processo o objetivo

Alguns de nós tratam a criatividade como uma recompensa. Algo em que iremos mergulhar totalmente apenas quando um grande marco for alcançado ou quando o fim de semana chegar. Após anos de trabalho com líderes, percebi que esse adiamento não é uma falha pessoal; é uma epidemia. E talvez seja o maior obstáculo individual para o desempenho organizacional hoje em dia.
Jess Ekstrom, fundadora da Mic Drop Workshop e autora do novo livro Making It Without Losing It, vem estudando essa armadilha e a neurociência por trás dela. Quando me sentei com ela recentemente, ela ofereceu três percepções que todo líder precisa ouvir agora mesmo.
1. A LACUNA NÃO É O PROBLEMA. É UMA POSSIBILIDADE CRIATIVA
Pessoas ambiciosas sempre terão uma lacuna entre onde estão e onde querem estar. Ekstrom argumenta que a lacuna em si é neutra. O que importa é como a interpretamos. Podemos encará-la como uma “ausência desanimadora”, uma perda líquida, a prova de que ainda não chegamos lá.
Ou podemos encará-la como um campo de possibilidade criativa: cenários de vitória infinitos, experimentos ainda não realizados, perguntas ainda não feitas.
Isso se alinha diretamente com o que chamo de "o rigor da ambiguidade": a disciplina necessária para se manter produtivamente em movimento sem um resultado garantido. Lembro-me de algo que um professor de dança me disse no ensino fundamental durante um élevé, com os braços estendidos bem acima da minha cabeça:
“Você nunca chega. Sempre se estenda.” Os artistas entendem isso intuitivamente. Eles não congelam diante da lacuna; eles constroem dentro dela. A pergunta organizacional é: seus líderes ajudam suas equipes a ressignificar a lacuna como combustível criativo ou como evidência de fracasso?
2. A DOPAMINA NÃO MORA NA LINHA DE CHEGADA
Aqui está o dado que me fez parar para pensar: Ekstrom compartilhou que um estudo da Universidade Vanderbilt descobriu que não recebemos nossa descarga de dopamina no corte da fita inaugural, no lançamento ou no fechamento do negócio. Nós a recebemos na antecipação e no processo de construção. A receita de Ekstrom vem logo em seguida: faça do processo o objetivo. Apaixone-se pelo problema.
É isso que quero dizer quando argumento que a motivação é uma forma de inteligência senciente, nossa cognição corporificada e orientada por significado, que separa a criatividade humana de qualquer coisa que uma máquina possa replicar. O burnout não é prioritariamente uma crise de gestão de tempo. É uma crise de propósito.
Quando as pessoas estão orientadas apenas para os resultados, elas esvaziam o próprio processo que as reabastece. Os líderes que mantêm equipes de alto desempenho não são aqueles que celebram apenas nos grandes marcos. São aqueles que fazem o trabalho em si valer a pena o esforço de aparecer todos os dias.
3. ANALISE A “DIGITAL DO SEU SUCESSO” — E DEPOIS PERGUNTE SE VOCÊ REALMENTE A QUER
Ekstrom chama as nossas crenças amplamente não examinadas sobre como deve ser o sucesso de “digital do sucesso” (como uma impressão digital). Nós a herdamos ao observar nossos pais, absorver as redes sociais ou internalizar mensagens de feiras de profissões. O desafio dela é enganosamente simples: analise de onde vieram essas crenças. Elas ainda são precisas? Elas são sequer suas?
Eu chamo isso de construir seu "inventário de coragem": as evidências acumuladas de pequenos atos de autonomia que se somam, ao longo do tempo, em uma disposição para dar saltos maiores.
Mas Ekstrom adiciona uma terceira pergunta crítica que vai além da comparação e da inspiração: “Eu sequer quero isso?”. Nem toda métrica de sucesso que você herdou pertence à sua lista. E, como líder, a coisa mais poderosa que você pode fazer é estender essa mesma investigação à sua equipe.
Um estudo da Penn Wharton School citado por ela descobriu que os funcionários de um call center dobraram seus números simplesmente após conhecerem os estudantes bolsistas que o trabalho deles estava financiando. O trabalho significativo não é abstrato. É saber quem se beneficia com o seu trabalho e garantir que as suas pessoas saibam disso também.
A LIÇÃO PRINCIPAL
A criatividade não está esperando por você em alguma linha de chegada futura. A Era da Imaginação exige líderes que consigam ajudar suas equipes a encontrar propósito, a construir em meio à incerteza e a criar suas próprias definições de sucesso, em vez de herdar as de outra pessoa. Como diz Ekstrom: não existe um “pronto”. Existe apenas a pergunta infinita e generativa: o que é possível a partir daqui?