5 sinais de que seu cérebro está sobrecarregado
Nem tudo é o que você pensa, especialmente no ambiente de trabalho

Em 2011, um estudo com juízes israelenses descobriu que, nas primeiras sessões do dia, os prisioneiros tinham cerca de 65% de chance de obter liberdade condicional. Ao final de cada sessão, essa probabilidade caía para quase zero. Após uma pausa, ela retornava para 65%.
Os juízes não mudavam. Os casos não ficavam mais difíceis. Os tipos de prisioneiros não se alteravam. O que mudava eram os recursos cognitivos dos juízes.
Já pensei nesse estudo muitas vezes ao trabalhar com líderes. Não porque eles estejam tomando decisões de liberdade condicional, mas porque a dinâmica subjacente é a mesma.
Quando a carga cognitiva ultrapassa um determinado limite, a qualidade do pensamento se degrada de formas que não conseguimos detectar estando do lado de dentro. O cérebro não envia uma notificação, mas sim um conjunto de sinais, muitos dos quais parecem o oposto do problema real. Cinco deles se destacam.
1. VOCÊ SE SENTE FOCADO
Um dos paradoxos de uma alta carga cognitiva é que ela produz uma sensação de foco. Quando o cérebro está sobrecarregado, ele estreita a atenção, poupando recursos ao desligar o processamento periférico. Você está concentrado. Você se sente perspicaz.
O que você perdeu foi a percepção de tudo o que está fora desse túnel: o estado emocional da equipe, o sinal sutil escondido em uma cadeia de e-mails, o risco estratégico que está bem ao lado do problema imediato.
Eu me deparo com isso regularmente ao lidar com líderes sob pressão contínua. Eles costumam descrever que se sentem "no fluxo" precisamente no momento em que a amplitude de seu pensamento sofreu a contração mais severa. O foco que vem acompanhado da perda da percepção periférica não é uma força cognitiva. É um sintoma cognitivo.
2. A SUA CONFIANÇA AUMENTA
Eis o paradoxo mais profundo: quanto mais sobrecarregado cognitivamente um líder fica, mais confiante ele tende a se sentir. Sob alta carga cognitiva, o cérebro recorre cada vez mais ao que costuma ser chamado de pensamento do Sistema 1, um processamento rápido, intuitivo e baseado em padrões.
A função de supervisão que questiona, analisa criticamente e busca contra-argumentos, o Sistema 2, é a primeira a falhar. A voz interna que diz "Você tem certeza disso?" se cala. Os líderes interpretam esse silêncio como certeza.
E pesquisas mostram repetidamente que indivíduos sob carga cognitiva expressam maior confiança em seus julgamentos justamente quando a qualidade de suas decisões mais se degradou.
Se você está trabalhando a todo vapor há várias semanas e percebe que tem excepcionalmente poucas dúvidas, isso não é necessariamente clareza. Provavelmente, é apenas o seu sistema de automonitoramento que ficou fora do ar.
3. VOCÊ SE TORNA MAIS DECISIVO
Outra descoberta consistente é que pessoas sob alta carga se tornam significativamente mais propensas a agir rapidamente diante de novas informações, em estudos, cerca de 22% mais propensas.
Isso importa porque a tomada de decisão rápida é algo que os líderes são incentivados a demonstrar. O executivo que resolve a situação direto ao ponto, não hesita e toma a decisão é celebrado pelas organizações.
E, às vezes, o julgamento dele é realmente bom. Mas, sob carga cognitiva, o mesmo comportamento tem uma causa diferente. O Sistema 1 está operando sem a supervisão do Sistema 2.
A decisão pode ser rápida e parecer confiante, mas ela é mais veloz simplesmente porque não foi examinada. Portanto, se as suas decisões estão todas caminhando na mesma direção de favorecer a velocidade em detrimento do escrutínio, sempre tendendo ao familiar em vez do novo, vale a pena questionar esse padrão.
4. AS PESSOAS COMEÇAM A TE IRRITAR MAIS
Este sinal é menos óbvio. Pesquisas descobriram que a alta carga cognitiva reduz as respostas empáticas, tanto comportamentais quanto neurais. Um cérebro sobrecarregado é simplesmente menos capaz de ler os estados emocionais de outras pessoas.
Isso não é uma mudança de caráter. É um problema de alocação de recursos. A mesma capacidade de processamento neural que lida com o raciocínio complexo também lida com a inferência social e, quando você está cognitivamente sobrecarregado, o cérebro economiza.
Os líderes nesse estado geralmente não percebem a mudança em seu processamento social. O que eles notam é que os colegas parecem estar rendendo menos, ou que as reuniões parecem tensas, ou que as pessoas parecem mais difíceis de gerenciar do que o normal.
A irritação do momento é, então, um sintoma secundário. Afinal, quando você não consegue interpretar facilmente as reações dos outros, o comportamento deles se torna mais difícil de prever, o que faz com que pareça mais difícil de lidar.
5. VOCÊ COMETE ERROS BOBOS
Por fim, o sinal mais óbvio e concreto. Sob carga cognitiva contínua, os erros de memória de trabalho se multiplicam; não em tarefas complexas e inéditas, mas nas familiares.
Coisas como deixar passar e-mails que você normalmente notaria, escrever respostas com erros simples e entrar em reuniões sem os documentos que você preparou especificamente para a ocasião.
Esses lapsos atípicos são falhas da memória de trabalho, o cérebro está processando muitas coisas simultaneamente, de modo que a execução da rotina é a primeira coisa a ser deixada de lado.
A maioria dos líderes atribui isso ao cansaço. Eles estão certos de que o cansaço está envolvido. Mas os erros costumam ser o diagnóstico de algo mais profundo: um sistema de memória operando além da capacidade, e não apenas funcionando de forma lenta.
O QUE VOCÊ PODE FAZER A RESPEITO
A maior parte dos conselhos padrão (descanse mais e faça pausas) não está errada, mas atua no nível errado. Isso porque trata a carga cognitiva como algo do qual se recuperar, e não como algo a ser evitado. Considere estas duas técnicas:
1. Intenções de implementação
É o que os psicólogos chamam para regras do tipo "se-então" definidas com antecedência sobre como você tomará decisões sob condições específicas.
"Se eu tiver dormido menos de quatro horas, pedirei para alguém revisar qualquer decisão de alto risco." O ponto central não é a regra específica em si. É o pré-compromisso, porque quando o Sistema 2 está esgotado, você não pode contar com ele para notar esse esgotamento. Portanto, você precisa de uma solução que entre em ação na ausência dele.
2. Alinhamento de cronotipo
Sempre que possível, agende o seu trabalho cognitivo de maior carga para o seu horário neurologicamente ideal, e não apenas quando a agenda estiver livre. Nem sempre é possível, é claro, mas alguma redistribuição pode ser feita.
Para a maioria das pessoas matutinas, esse período ocorre de duas a quatro horas após acordar. Depois desse ponto, as janelas para um pensamento estratégico de qualidade genuinamente alta são limitadas, e as decisões tomadas nelas carregam os custos implícitos documentados no estudo da liberdade condicional.
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A prevenção, portanto, é melhor do que a cura. Inclusive porque, após o fato consumado, podemos não acreditar que fizemos algo errado. Lembra dos juízes israelenses? Quando informados sobre os resultados da pesquisa, os juízes não acreditaram neles e os contestaram.
Eles estavam tão confiantes de que suas decisões haviam sido consistentes e justas ao longo do dia que foi mais fácil para eles acreditar que os dados estavam errados do que eles próprios. A confiança que tinham em seu próprio julgamento era, como a de todos nós, inteiramente desvinculada de sua real confiabilidade.