6 dicas do neurologista para se livrar da dor de cabeça causada por estresse
Existem medidas simples que você pode tomar para reduzir o impacto do estresse no seu sistema nervoso

Muita gente chega ao final da jornada de trabalho não apenas cansadas, mas "ligadas". A mente continua acelerada, o corpo parece tenso e, mesmo em momentos que deveriam ser de descanso, há um persistente senso de urgência. Conversas se repetem na memória, tarefas pela metade ressurgem e o sistema nervoso parece não querer "desligar".
Talvez você reconheça essa experiência. Ela se tornou tão comum que costuma ser aceita como a norma na vida profissional moderna. No entanto, esse estado persistente de ativação traz consequências para a saúde física, especialmente para pessoas propensas a dores de cabeça.
Como neurologista e especialista em medicina da cefaleia, vejo muitos pacientes cuja dor aumenta devido à cultura de trabalho de alta pressão predominante hoje. Embora possa parecer fora de seu controle, há medidas que você pode tomar.
O ESTRESSE E O SISTEMA NERVOSO
O estresse não é inerentemente prejudicial. Na verdade, quando sentido em curtos períodos, pode ser benéfico ao aumentar o foco, melhorar o desempenho e preparar o corpo para lidar com desafios. Os problemas surgem quando o estresse se torna crônico e implacável.
O sistema nervoso percebe e processa tanto o estresse quanto a dor. Construído para ser altamente adaptável, ele responde continuamente a sinais internos e fatores externos, recalibrando-se para manter o equilíbrio.

Quando o cérebro percebe demandas contínuas sem a recuperação adequada, ele mantém o corpo em um estado prolongado de alerta. Durante esses períodos, hormônios como o cortisol e a adrenalina permanecem elevados.
Nessa situação, sinais que normalmente seriam ignorados ou interpretados como menores podem começar a parecer muito mais intensos. Este estado leva a um aumento na frequência cardíaca e na tensão muscular, com o sistema nervoso entrando em modo "bater ou correr".
No contexto das dores de cabeça, essa sensibilização pode baixar o limiar da dor, tornando mais fácil o início de uma crise e mais difícil interrompê-la.
ESTRESSE CRÔNICO E ENXAQUECA
O estresse crônico atua tanto como um gatilho quanto como um fator agravante para a enxaqueca. O sistema neurológico de pessoas que sofrem de enxaqueca é, em comparação, mais responsivo a mudanças ambientais, incluindo variações no sono, flutuações hormonais e intensidade do estresse.
Isso significa que a exposição contínua ao estresse pode aumentar a frequência e a gravidade dos episódios de enxaqueca.
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Além disso, a tensão muscular no pescoço, ombros e couro cabeludo pode causar dores de cabeça do tipo tensional. Longos períodos sentados e concentração sustentada contribuem para o desenvolvimento dessas dores nas horas finais do dia.
O PAPEL DO SONO
O estresse crônico também causa um impacto profundo na qualidade do sono. Muitas pessoas que se sentem agitadas ao fim do dia têm dificuldade para adormecer ou manter o sono. Esse sono intermitente pode carecer das qualidades restauradoras necessárias para a recuperação.
O estresse, por si só, não é ruim. Os problemas surgem quando ele se torna crônico.
O sono de má qualidade perpetua o ciclo do estresse, deixando o cérebro ainda mais sensibilizado e aumentando a probabilidade de dores de cabeça no dia seguinte. Além disso, o estresse crônico prejudica a concentração e a função cognitiva, tornando mais difícil focar, ser criativo e resolver problemas.
As dores de cabeça que ocorrem junto a esses desafios cognitivos podem atrapalhar ainda mais a vida, fazendo com que mesmo tarefas do dia a dia pareçam difíceis.
GERENCIANDO O ESTRESSE NO TRABALHO
Compreender a conexão entre o estresse e o sistema nervoso permite que você tome algumas medidas práticas para tirar o corpo desse estado de ativação constante.
Nunca conseguiremos eliminar totalmente o estresse, mas é possível criar espaços para o corpo "resetar" com a adoção dos seis hábitos simples abaixo:
1. Crie pequenas transições no seu dia: em vez de pular do trabalho para outras obrigações, reserve de cinco a 10 minutos para pausar, respirar profundamente ou se alongar. Mesmo pausas breves podem reduzir a tensão muscular e diminuir os níveis do hormônio do estresse.
2. Inclua atividade física na sua rotina: movimentos regulares, como caminhada ou yoga, ajudam o sistema nervoso a processar os hormônios do estresse de forma mais eficiente.
3. Atenção à postura e ergonomia: ajuste a altura da cadeira ou da tela e relaxe os ombros e a mandíbula para evitar dores tensionais.
4. Explore práticas de mindfulness: meditação e escaneamento corporal podem "treinar" o cérebro a responder ao estresse com maior flexibilidade.
5. Estabeleça limites no trabalho: sempre que possível, limite o uso de e-mails após o expediente e defina o fim do seu dia de trabalho.
6. Busque ajuda se as dores continuarem: uma avaliação médica pode identificar causas subjacentes e indicar tratamentos como fisioterapia ou terapia de reprocessamento da dor.
Ações simples e consistentes podem minimizar os efeitos do estresse crônico e incentivar a regulação do sistema nervoso, melhorando a sua qualidade de vida geral.
Este artigo foi republicado do site The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.