As 4 forças invisíveis que determinam seu desempenho no trabalho

A chave para trabalhar melhor pode não ser produtividade, mas alinhar o trabalho às necessidades do seu cérebro

4 forças que determinam seu desempenho no trabalho
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Morra Aarons-Mele 7 minutos de leitura

Há alguns anos, durante um período de incerteza financeira para a nossa família, tentei motivar meu marido da mesma forma que motivo a mim mesma: com ansiedade. Eu descrevia o pior cenário possível, na esperança de que o medo o tornasse mais envolvido com as finanças apertadas da casa.

O medo e a ansiedade funcionam muito bem para me motivar, porque sou o tipo de pessoa que transforma a ansiedade em realização. Já no caso dele, medo e ansiedade tiveram o efeito oposto: ele simplesmente se desligou.

Esse era um padrão no nosso casamento – e demorei um tempo constrangedoramente longo para perceber que não se tratava de um defeito de caráter nem de um problema de comunicação; ninguém estava certo ou errado. Meu marido e eu simplesmente temos cérebros programados de maneiras diferentes. Somos motivados por coisas diferentes.

A maioria das pessoas entende isso sobre motivação de forma vaga. O que subestimamos é o quanto esse desencontro se estende a todas as dimensões do trabalho.

Não se trata apenas do que nos motiva, mas também de quando trabalhamos melhor, de quais condições precisamos para concentrar nossa atenção e de quanto controle necessitamos sobre o nosso dia para conseguir funcionar.

Quando essas condições estão desalinhadas – seja com o emprego, com o gestor ou com o ambiente de trabalho –, não apenas entregamos menos resultados. Também nos esgotamos tentando compensar esse desajuste.

Passei anos estudando o que realmente diferencia os líderes que prosperam daqueles que apenas sobrevivem à base de esforço até chegarem ao esgotamento. Tenho um interesse especial por pessoas que sentem que o trabalho "não funciona para elas".

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Estudo líderes com cérebros diferentes: pessoas que podem se identificar como neurodivergentes, que convivem com diagnósticos como TDAH, ansiedade, autismo, transtorno bipolar ou dificuldades de aprendizagem, como a dislexia.

O que aprendi, com base em centenas de conversas com líderes e em uma pesquisa quantitativa com quase 1,3 mil profissionais, é que o problema quase sempre se resume a quatro forças: Tempo, Atenção, Autonomia e Motivação – o que chamo de TAAM.

Seja você neurodivergente ou neurotípico, você tem um TAAM.

PINOS QUADRADOS E ABERTURAS REDONDAS

O TAAM não é um teste de personalidade nem um truque de produtividade. É um modelo para compreender as necessidades operacionais do seu cérebro e as condições específicas de que você precisa para fazer o seu melhor trabalho e sustentar esse desempenho ao longo do tempo.

Quando você não sabe do que o seu cérebro realmente precisa, passa anos tentando se adaptar a uma vida profissional que não foi pensada para você – e ainda sente que a culpa é sua. Por isso, compreender o seu perfil TAAM é uma parte essencial do autoconhecimento.

Isso pode ser tão simples quanto saber que reuniões às 8h30 da manhã não são o momento em que você rende mais (seu perfil de Tempo), ou tão complexo quanto entender por que você vive em conflito com um chefe que insiste em controlar cada etapa de um projeto (seu perfil de Autonomia).

1. TEMPO

Não se trata apenas de organizar a agenda, mas de respeitar seu cronotipo: o momento em que seu cérebro realmente desperta e se torna produtivo. A questão é saber se sua rotina de trabalho foi construída em torno dessa realidade ou se está lutando contra ela.

Se o tempo linear não faz muito sentido para você, trabalhar por ritmos pode ser mais eficaz do que seguir horários rígidos. Muitas pessoas funcionam melhor quando o tempo é dividido em blocos, externalizado com ferramentas como cronômetros, alarmes ou playlists e organizado em torno dos níveis de energia, e não dos ponteiros do relógio.

sua agenda de  trabalho deve se adaptar ao seu cérebro, e não o contrário
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Esse ritmo protege sua energia. Permite mobilizar a ansiedade nos momentos que exigem alto desempenho e preservar períodos mais tranquilos para atividades que exigem concentração ou recuperação.

Algo tão simples quanto antecipar uma reunião estressante para mais cedo pode liberar mais espaço mental do que qualquer sistema de produtividade.

A principal conclusão é que sua agenda deve se adaptar ao seu cérebro, e não o contrário. Quando seus horários de maior rendimento não coincidem com o calendário, o problema não é falta de organização. Você está apenas trabalhando contra si mesmo.

2. ATENÇÃO

A atenção é algo mais complexo do que apenas conseguir manter o foco. Diz respeito às condições em que sua mente realmente consegue se envolver com uma tarefa e ao custo de funcionar quando essas condições não existem.

Amy Wilson, executiva de marketing e neurodivergente, descreve de forma bastante concreta a sobrecarga sensorial causada por ambientes movimentados. Ela é sensível à luz, às vezes usa óculos escuros em ambientes internos e considera certos estímulos sensoriais fisicamente exaustivos, a ponto de consumirem seus recursos cognitivos antes mesmo de o expediente começar.

atenção é algo mais complexo do que apenas conseguir manter o foco
Créditos: Freepik/ Pawel Kacperek/ iStock

Mas foi justamente a partir dessa sensibilidade que ela desenvolveu uma habilidade extraordinária: a capacidade de ler uma sala em tempo real.

Em apresentações para clientes, ela prefere observar a plateia em vez de apenas apresentar, acompanhando quem está envolvido, onde a atenção começa a se dispersar e quando é preciso redirecioná-la. O que poderia ser uma limitação, quando administrado de forma consciente, tornou-se uma vantagem estratégica.

Isso acontece com muitos líderes: o perfil de atenção que dificulta seu desempenho em um contexto é o mesmo que o torna excepcional em outro. A questão não é como corrigir sua atenção, mas se o seu trabalho atual oferece as condições certas para que ela floresça.

3. AUTONOMIA

A possibilidade de decidir quando, onde e como trabalhar tem um impacto sobre o desempenho muito maior do que a maioria das pessoas imagina. Na minha pesquisa, esse foi o aspecto mais citado: quase dois terços dos entrevistados disseram que flexibilidade era sua principal necessidade no ambiente de trabalho.

Autonomia não é uma preferência de estilo de vida. Para muita gente, é o que torna o esforço sustentável em vez de sufocante. Não significa fazer o que quiser, mas ter controle suficiente para alinhar o trabalho aos seus níveis de energia, atenção e motivação, em vez de viver lutando contra eles.

como administrar seu tempo e fluxo de trabalho
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Todo mundo quer ser tratado com respeito e como um adulto capaz de administrar o próprio fluxo de trabalho e decisões. Mas a necessidade de autonomia varia de pessoa para pessoa, e a quantidade de liberdade de que você precisa provavelmente é diferente da dos seus colegas.

Pense nisso: quando foi a última vez que você realmente se sentiu confiável aos olhos da empresa? Como isso se manifestava na prática? Se seu gestor lhe desse total controle sobre a maneira de trabalhar, qual seria a primeira mudança que você faria? Como você reage quando recebe uma ordem ou orientação que considera sem sentido?

4. MOTIVAÇÃO

A motivação é a força que mais costumamos julgar e interpretar de maneira equivocada. Na verdade, trata-se de um processo neurobiológico que funciona de forma diferente em cada pessoa.

Alguns são movidos por significado e propósito. Outros por desafios e novidades. Há quem responda melhor ao reconhecimento, à responsabilidade externa e, em alguns casos, até ao medo. O erro está em presumir que o seu mecanismo de motivação é universal ou que a forma "correta" de motivação é exclusivamente interna.

Meu marido é motivado por desafios e novidades. Eu sou movida por reconhecimento externo e, se for completamente sincera, pela ansiedade. Nenhum de nós está certo ou errado. Ambos fazemos sentido quando se entende o que impulsiona cada um.

Como manter a motivação quando o mercado está saturado
Crédito: Freepik

Depois de anos estudando líderes e ouvindo profissionais descreverem suas experiências no trabalho, cheguei a uma conclusão: muitos dos problemas enfrentados na carreira são, na verdade, incompatibilidades de TAAM.

Quando você enxerga a situação dessa forma, a pergunta deixa de ser "o que há de errado comigo?" e passa a ser "qual das minhas necessidades operacionais está desalinhada e o que poderia colocá-la de volta nos trilhos?".

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Não tente resolver tudo imediatamente. Primeiro, dê nome ao desalinhamento. Essa clareza, mais do que qualquer método de produtividade, é onde a verdadeira mudança começa.


SOBRE A AUTORA

Morra Aarons-Mele ministra cursos de educação executiva em Harvard e presta consultoria a organizações globais sobre liderança mentalm... saiba mais