Bloomscrolling é o novo antídoto para o doomscrolling?

A tendência incentiva a busca por conteúdos positivos para reduzir a sobrecarga emocional provocada pelo consumo de notícias negativas

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Jennifer Mattson 2 minutos de leitura
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Com uma quantidade aparentemente interminável de estudos mostrando que o doomscrolling prejudica a saúde mental, cada vez mais pessoas estão repensando sua relação com as redes sociais e os conteúdos digitais.

É nesse contexto que surge o bloomscrolling, a mais recente tendência nas redes sociais, que incentiva as pessoas a buscar, de maneira intencional e ativa, conteúdos positivos e inspiradores na internet. Segundo especialistas, o fenômeno reflete uma mudança mais ampla, que afasta o público do consumo passivo de notícias negativas.

Sreela Roy-Greene, terapeuta licenciada da plataforma de terapia on-line BetterHelp, afirma que a tendência do bloomscrolling não significa ignorar realidades difíceis ou se obrigar a pensar positivo, mas fazer escolhas mais conscientes para que o consumo de conteúdo na internet ajude as pessoas a se sentirem informadas e conectadas, em vez de sobrecarregadas ou emocionalmente esgotadas.

“Depois de anos expostas a um fluxo constante de conteúdos estressantes ou negativos, é compreensível que as pessoas procurem materiais que transmitam esperança, conforto ou inspiração. Eles podem proporcionar uma breve renovação emocional e interromper o ciclo de estresse que costuma acompanhar o doomscrolling”, diz Roy-Greene.

“Assim como pensamos no equilíbrio dos alimentos que consumimos como parte de uma dieta saudável, também pode ser útil pensar no equilíbrio da nossa dieta de mídia”, acrescenta. “Aquilo a que nos expomos repetidamente pode moldar nossos pensamentos, emoções e nossa percepção geral de bem-estar.”

Segundo especialistas de Harvard, o consumo excessivo de notícias e conteúdos angustiantes está associado não apenas à ansiedade e à depressão, mas também a problemas físicos, como dores de cabeça, perda de apetite, dificuldade para dormir e pressão arterial elevada.

Defensores do bloomscrolling afirmam que a prática pode combater esses efeitos indesejados da navegação pelas redes sociais por meio de uma seleção consciente dos conteúdos que compõem o ambiente digital de cada pessoa.

Adolescente utilizando o celular
Crédito: Georgijevic/ iStock

“As pessoas estão começando a tratar seus feeds com mais intencionalidade, prestando atenção ao que permitem entrar e a como isso as faz sentir”, diz Sydney Stanback, responsável global por tendências e insights do Pinterest. Segundo ela, essa mudança também está se manifestando fora das telas.

“No nosso mais recente Relatório de Tendências Masculinas para 2026, as buscas por ‘passatempos longe das telas’ cresceram 551% em relação ao ano anterior”, afirma Stanback.

Outra expressão que também registrou alta foi “ideias para fazer sem celular”. “Isso nos mostra que essa intenção de selecionar melhor o que consumimos vai além do feed e chega às atividades que as pessoas realmente fazem”.


SOBRE A AUTORA

Jennifer Mattson é colaboradora da Fast Company e escreve sobre trabalho, negócios, tecnologia e finanças. saiba mais