Como o cérebro distingue alternativas na hora de tomar uma decisão?

Estudo publicado na revista iScience revela como a atividade de neurônios se adapta às diferentes etapas do processo de escolha

Cérebro
Créditos: Unsplash

Lilian Campos 3 minutos de leitura
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O cérebro reorganiza a atividade de grupos de neurônios para comparar alternativas e evitar confusões durante uma decisão. 

Uma pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, identificou como essa atividade muda antes e depois de uma escolha, mantendo informações sobre as opções disponíveis e sobre o resultado da decisão.

Publicado na revista científica iScience, o estudo analisou como o cérebro representa diferentes alternativas e seus valores. Os resultados ajudam a explicar como conseguimos avaliar possibilidades, selecionar uma delas e preservar informações sobre as opções que ficaram de fora.

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GRUPOS DE NEURÔNIOS ORGANIZAM AS ALTERNATIVAS

Os pesquisadores treinaram dois animais para participar de uma tarefa em que precisavam olhar para um de dois alvos exibidos em uma tela. Cada alvo tinha um valor de recompensa, e os animais deveriam escolher aquele associado ao maior benefício.

A equipe apresentou os alvos e seus respectivos valores em sequência. Assim, o cérebro precisava manter informações distintas ao mesmo tempo, como a ordem em que cada alternativa apareceu e a recompensa associada a ela.

Durante os testes, os cientistas registraram a atividade elétrica de centenas de neurônios no córtex pré-frontal lateral, região cerebral envolvida na conexão entre opções, valores e ações. 

Em seguida, eles utilizaram algoritmos para decodificar os padrões de atividade e identificar como os neurônios representavam cada informação.

O estudo mostrou que os neurônios formavam conjuntos funcionais que organizavam as alternativas em padrões distintos. Dessa forma, a atividade relacionada a um alvo não se confundia com a atividade associada ao outro.

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ATIVIDADE CEREBRAL MUDA DEPOIS DA ESCOLHA

Antes da decisão, os conjuntos de neurônios organizavam as alternativas de acordo com a ordem em que os alvos apareciam. Depois da escolha, porém, a representação mudava: o cérebro passava a agrupar as informações conforme a alternativa escolhida ou descartada.

Essa reorganização ajuda a separar a opção selecionada daquela que ficou de fora. Além disso, pode facilitar o trabalho de outras regiões cerebrais responsáveis por transformar a decisão em uma ação, como direcionar o olhar para o alvo escolhido.

Os pesquisadores também observaram que os conjuntos não eram fixos. Os mesmos neurônios podiam participar de grupos diferentes a cada rodada, dependendo das informações que precisavam representar. 

Isso indica que o cérebro combina células de maneira flexível para atender às exigências de cada tarefa.

CÉREBRO TAMBÉM PRESERVA AS OPÇÕES DESCARTADAS

Outro resultado importante foi a manutenção de representações distintas das alternativas escolhidas e não escolhidas. Isso sugere que o cérebro não registra apenas o resultado final, mas também preserva informações que podem ajudar a avaliar decisões anteriores.

Essa memória pode contribuir para o aprendizado. Por exemplo, ao lembrar qual alternativa gerou uma recompensa em determinada situação, o cérebro pode usar essa informação para orientar escolhas futuras.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Picower de Aprendizagem e Memória do MIT, liderados por Huidi Li e Earl K. Miller, com a participação de outros pesquisadores.

O estudo recebeu apoio de instituições como os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) e órgãos de pesquisa ligados à defesa norte-americana.

Os resultados mostram que a tomada de decisão depende de uma organização dinâmica das informações no cérebro. 

Em vez de manter cada alternativa em um circuito permanente, os neurônios formam conjuntos flexíveis que ajudam a comparar opções, selecionar uma resposta e preservar o histórico da escolha.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais