Como continuar otimista em tempos difíceis?

Criar pequenas rotinas, reinterpretar o estresse e priorizar o que realmente importa são algumas das estratégias para preservar uma atitude positiva sob pressão

Como continuar otimista em tempos difíceis
Créditos: Heye Jensen/ Urban Vintage/ Unsplash

Michelle Gielan 6 minutos de leitura
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É fácil ser otimista no começo. Quando iniciamos um novo emprego, um relacionamento ou um projeto, estamos cheios de energia, esperança e disposição para seguir em frente. Mas o que acontece quando o primeiro plano dá errado?

E quando o desafio dura mais do que o esperado ou simplesmente estamos exaustos? Para manter o otimismo quando ele é posto à prova, precisamos entendê-lo como um comportamento.

A seguir, Michelle Gielan compartilha cinco lições importantes de seu novo livro, "Resilient Optimism: The Science of Sustaining a Positive Mindset in Tough Times" (Otimismo resiliente: a ciência de manter uma mentalidade positiva em tempos difíceis, em tradução livre).

1. O otimismo é um comportamento, não um sentimento

Um dos maiores equívocos sobre o otimismo é acreditar que ou você sente otimismo ou não sente. Mas os dias em que mais precisamos dele costumam ser justamente aqueles em que não conseguimos despertar esse sentimento.

Vi isso acontecer com um líder chamado Mark, que supervisionava o lançamento de um enorme projeto de energia renovável quando tudo começou a desmoronar. Um teste de segurança falhou. Os investidores estavam furiosos. Um concorrente passou a frente. Sua equipe começou a culpar uns aos outros.

Não tentamos animar Mark com palavras de incentivo. Criamos rotinas. Ele parou de responder a e-mails de trabalho depois das 20h. Antes de dormir, anotava três pequenas coisas boas que haviam acontecido naquele dia.

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Além disso, todas as manhãs sua equipe fazia uma reunião de 15 minutos chamada Momentum: uma conquista do dia anterior e uma prioridade para o dia atual.

Então, justamente quando as coisas começavam a melhorar, uma inundação inesperada atingiu a fábrica e destruiu metade do estoque. Mas algo havia mudado.

A equipe agora tinha rotinas para identificar avanços mesmo diante de circunstâncias difíceis. Os integrantes salvaram o que puderam, redirecionaram as cadeias de suprimentos, resolveram problemas juntos e, por fim, conseguiram fazer o lançamento.

Leia mais: Otimismo (ou pessimismo) não nasce com a gente. Você pode escolher

Não precisamos esperar que nossas emoções mudem de direção. Mudamos nosso comportamento e nossas emoções podem acompanhar essa transformação. Otimismo não significa fingir que tudo vai dar certo. Significa acreditar que nossas ações ainda fazem diferença e agir de acordo com essa convicção.

2. Não comece pelo que está errado

Nosso cérebro é incrivelmente bom em identificar problemas. Isso é útil quando um tigre está perseguindo você. É menos útil quando você está tentando liderar uma equipe, resolver um problema complexo ou simplesmente atravessar uma terça-feira comum.

Há alguns anos, realizamos um estudo que expôs um grupo de pessoas a apenas três minutos de notícias negativas, enquanto outro grupo teve contato com conteúdo neutro.

Seis a oito horas depois – quase um dia inteiro de trabalho –, as pessoas que haviam assistido às notícias negativas tinham 27% mais chances de dizer que haviam tido um dia ruim. Três minutos. Foi como uma pílula de veneno, em vez de uma vitamina no café da manhã.

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Aprendemos que a mudança positiva começa pela identificação de tudo o que está errado e pela correção desses problemas. Mas, quando o cérebro fica inundado de problemas, pode se tornar menos eficiente para resolvê-los.

A alternativa não é ignorar os problemas. É oferecer ao cérebro uma visão mais completa. O que está funcionando? Que avanços já conseguimos? De quais recursos dispomos?

Uma das minhas práticas favoritas é incrivelmente simples: no fim do dia, anote três coisas que deram certo. Na prática, você está oferecendo ao cérebro evidências que, de outra forma, ele poderia descartar. Afinal, os problemas não são os únicos fatos presentes na situação. O progresso também é uma informação.

3. O estresse não é o problema. Interpretá-lo mal, é

A maioria de nós aprendeu a pensar no estresse como algo puramente negativo – algo que precisa ser reduzido, eliminado ou evitado. Mas o estresse também é uma fonte de informação.

Em um estudo com gestores estressados do banco UBS, um grupo aprendeu a mensagem tradicional sobre o estresse. O outro aprendeu que a resposta ao estresse pode, em determinadas circunstâncias, ajudar a manter o foco, crescer e ter um bom desempenho.

Quatro meses depois, o estresse havia aumentado para todos, porque o banco estava no meio de uma crise. Mas as pessoas que haviam aprendido a reinterpretar o estresse relataram uma redução de 23% nos sintomas relacionados a ele, incluindo dores de cabeça, dores nas costas e fadiga.

Colagem com mulher sorrindo ao centro, cercada por mãos fazendo o sinal de paz, flores e formas coloridas sobre um fundo com mar.
Créditos: Magnific

O estresse continuava presente. O que havia mudado era a relação dessas pessoas com ele.

Uma maneira de colocar isso em prática é perguntar a mim mesma: “o que meu estresse está tentando me dizer?”. Experimente completar a frase: “Estou estressado porque ______ é importante para mim”.

Muitas vezes, o estresse aponta para algo que valorizamos, seja família, trabalho, padrões de qualidade ou nosso propósito. Quando decodificamos esse sinal, podemos escolher o que fazer com essa energia.

4. Você não pode fazer tudo – então escolha o que importa

Uma das maneiras mais rápidas de esgotar o otimismo é passar o dia inteiro trabalhando intensamente e, ainda assim, sentir que nada importante avançou. Infelizmente, nosso cérebro torna isso muito fácil.

Adoramos pequenas conquistas. Responder a um e-mail? Pronto. Riscar uma tarefa da lista? Feito. Uma pequena dose de dopamina. Enquanto isso, o trabalho realmente importante – o pensamento estratégico, o projeto capaz de provocar uma mudança concreta – continua sendo adiado para amanhã.

Crédito: master1305/ Getty Images

Desenvolvi uma prática chamada triagem de compromissos para interromper esse padrão. Pegue tudo o que você está fazendo e divida em três categorias:

  • Lista de impacto central: o trabalho e os relacionamentos que geram mais valor
  • Lista secundária: as atividades necessárias para dar suporte ao trabalho mais importante
  • Lista do que não fazer: tarefas que você pode delegar, adiar ou eliminar

Cada “sim” que você dá a algo significa um “não” em outro lugar. Todo compromisso consome tempo, energia, atenção ou presença que poderiam ser dedicados a outra coisa.

Leia mais: Como treinar sua mente para se tornar uma pessoa mais otimista

Os otimistas resilientes entendem que proteger esses recursos não é egoísmo. É o que nos permite continuar capazes de realizar o trabalho e amar as pessoas que mais importam.

5. Seu otimismo nunca afeta apenas você

O otimismo não termina nos limites do nosso próprio cérebro. Ele se propaga.

Pense no que acontece quando alguém apresenta uma ideia nova em uma reunião e outra pessoa responde: “Isso pode realmente funcionar. Conte mais”. A sala inteira passa a dispor de uma informação diferente.

Ou imagine alguém dizendo a um colega: “A maneira como você simplificou aquela apresentação nos ajudou a tomar a decisão”. Isso é muito mais poderoso do que simplesmente dizer “Bom trabalho”. A pessoa entende exatamente o que funcionou e qual foi o impacto de sua contribuição.

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Esses momentos podem parecer insignificantes, mas não são. A cultura é construída por milhares de pequenos sinais: aquilo a que prestamos atenção, o que dizemos em voz alta, o que recompensamos e o que as outras pessoas nos veem fazer.

Você não precisa de um cargo de liderança para transformar a próxima interação. Não precisa de autorização para incentivar alguém. Basta criar um ponto positivo e oferecer a outra pessoa algo melhor para conectar a ele.

O otimismo não é apenas algo que experimentamos. É algo que transmitimos. E, às vezes, basta uma pessoa tomar a iniciativa para mudar o que vem depois.

Este artigo foi publicado originalmente na revista digital "Next Big Idea Club" e reproduzido com permissão. Leia o artigo original.


SOBRE A AUTORA

Michelle Gielan é pesquisadora de psicologia positiva e ex-âncora da emissora norte-americana de TV CBS News. saiba mais