Dia de Finados: conheça os diferentes tipos de luto e como eles se manifestam

As reações à perda não seguem uma ordem fixa e podem envolver sentimentos que vão além da tristeza

Luto
Luto antecipatório, traumático e ecológico estão entre as formas de lidar com perdas e mudanças profundas. (Créditos: Unsplash)

Lilian Campos 2 minutos de leitura
Favoritar no Google

O Dia de Finados, celebrado em 02 de novembro, é uma data de lembrança e homenagem às pessoas que morreram. Para quem enfrenta uma perda, porém, o luto pode se manifestar de diferentes maneiras, com sentimentos que vão além da tristeza e nem sempre aparecem na mesma ordem ou intensidade.

Embora seja frequentemente associado à morte de alguém próximo, o luto também pode surgir após o fim de um relacionamento, a perda de um emprego ou mudanças importantes na vida. Cada pessoa reage de uma forma, e não existe um único caminho para lidar com a ausência.

Leia também: O estudo sobre demência que me fez parar e olhar para mim

DEZ TIPOS DE LUTO E SUAS CARACTERÍSTICAS

O Distress Centre, organização de apoio emocional de Calgary, no Canadá, descreve dez formas de luto. Entre elas está o luto considerado habitual, uma resposta à perda que pode envolver tristeza, raiva, confusão e, em alguns momentos, alívio. Essas emoções podem se alternar, sem seguir uma sequência fixa.

O luto antecipatório começa antes da perda, quando alguém enfrenta a possibilidade de perder uma pessoa querida. Já o luto complicado envolve sofrimento intenso e prolongado, que pode prejudicar as atividades cotidianas e exigir acompanhamento profissional.

O luto não reconhecido ocorre quando a sociedade não valida determinada perda, como a morte de um animal de estimação ou o fim de uma relação que outras pessoas não consideram significativa. No luto coletivo, uma comunidade compartilha o sofrimento após tragédias, desastres ou acontecimentos traumáticos.

Outras manifestações incluem o luto ambíguo, marcado pela falta de respostas ou de encerramento, como no desaparecimento de alguém; o luto ausente, quando a pessoa não apresenta as emoções esperadas; e o luto secundário, relacionado às perdas que surgem como consequência de uma primeira, como dificuldades financeiras ou mudanças na identidade.

O luto cumulativo aparece quando várias perdas acontecem em um período curto, enquanto o luto traumático está associado a mortes repentinas, violentas ou inesperadas.

LUTO ECOLÓGICO TAMBÉM PODE AFETAR A SAÚDE MENTAL

O luto não se limita às relações pessoais. Um estudo publicado na revista Nature Climate Change, em 2018, aborda o chamado luto ecológico: o sofrimento provocado pela perda de espécies, ecossistemas e paisagens importantes devido às mudanças ambientais.

A sensação pode surgir, por exemplo, diante da degradação de um ambiente ao qual uma pessoa ou comunidade mantém vínculos afetivos, culturais ou profissionais. 

Os pesquisadores destacam que esse sentimento é uma resposta legítima às perdas ambientais e pode se tornar mais frequente com o agravamento das mudanças climáticas.

Leia também: O último El Niño deixou um sinal de alerta para as florestas tropicais

CADA PESSOA VIVE O LUTO DE UMA MANEIRA

As diferentes categorias ajudam a compreender como a perda pode afetar a vida emocional, mas não funcionam como etapas obrigatórias nem como diagnósticos individuais. Uma pessoa pode vivenciar mais de uma forma de luto, e suas reações podem mudar com o tempo.

Reconhecer esses sentimentos e buscar apoio de pessoas próximas ou de profissionais de saúde mental pode ajudar durante o processo. O mais importante é não comparar experiências: o sofrimento não precisa seguir um padrão para ser legítimo.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais