Do Pilates à musculação: entenda os perigos de exagerar na rotina de treinos

O problema ocorre em academias e estúdios, onde a busca por resultados rápidos atrapalha a progressão natural dos exercícios

mulheres se alongando e fazendo pilates
Foto: Freepik

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

O excesso na prática de atividades físicas, seja no pilates reformer (feito com aparelhos e plataformas) ou na musculação, tem acendido um alerta nos últimos anos. Com a popularização dessas modalidades em países como Reino Unido e Brasil, aumentaram também os relatos de lesões ligadas ao treino intenso, muitas vezes associado à sobrecarga e à falta de orientação adequada.

O problema ocorre, em sua maioria, em academias e estúdios, onde a busca por resultados rápidos, aliada à ausência de regulamentação, pode colocar praticantes em risco.

Criado no início do século XX por Joseph Pilates, o método ganhou fama por trabalhar força, postura e consciência corporal. Com o tempo, o pilates reformer passou a atrair cada vez mais adeptos por oferecer exercícios com resistência e baixo impacto.

Segundo o The Guadian, no entanto, o crescimento acelerado trouxe distorções. Muitos estúdios passaram a oferecer aulas com turmas grandes e instrutores com formação limitada, em alguns casos, equipamentos são utilizados sem a devida orientação técnica.

Relatos de acidentes têm se tornado mais frequentes, entre eles, quedas de aparelhos, mau uso das estruturas e execução incorreta dos movimentos. Em ambientes com muitos alunos e apenas um instrutor, o acompanhamento individual se torna insuficiente, aumentando o risco de erros.

Veja os perigos de exagerar na rotina de treinos:

LESÕES ALÉM DO PILATES

Problemas não se restringem ao pilates, na musculação e em treinos intensos. O excesso de carga e a repetição sem descanso adequado também são fatores de risco.

Entre as lesões mais comuns estão dores no pescoço, sobrecarga muscular, inflamações em tendões e problemas articulares. Em casos mais graves, podem ocorrer fraturas, rompimentos musculares e até complicações que exigem afastamento prolongado das atividades.

Há ainda o impacto do uso inadequado do corpo, Movimentos feitos sem ativação correta dos músculos, especialmente do abdômen e da região central, podem gerar compensações que sobrecarregam outras áreas.

RISCO SILENCIOSO DO OVERTRAINING

Outro problema crescente é a tendência overtraining, condição causada pelo excesso de exercícios sem recuperação suficiente, o quadro não aparece de forma imediata, mas evolui com o tempo.

De acordo com o artigo publicado pelo blog do Albert Einstein, entre os sinais mais comuns estão fadiga persistente, queda no desempenho, dores que não desaparecem e dificuldade para realizar tarefas simples. Alterações no sono, irritabilidade e desmotivação também podem surgir.

Em situações mais severas, o excesso de treino pode afetar o sistema hormonal, reduzir a imunidade e aumentar o risco de problemas cardíacos, há ainda registros de rabdomiólise, condição grave que envolve a destruição das fibras musculares.

RECENTE CASO DE RABDOMIÓLISE EM BRASILEIRA REFORÇA ALERTA

A cientista brasileira Juliana Pegos precisou ser internada por cinco dias após desenvolver Rabdomiólise, uma condição causada pela destruição intensa das fibras musculares que libera substâncias tóxicas no sangue. O quadro surgiu depois de uma aula de pilates com exercícios novos. Inicialmente tratada como inflamação, a dor evoluiu rapidamente, com inchaço e limitação dos movimentos, até o diagnóstico correto.

A rabdomiólise ocorre quando o dano muscular é tão intenso que o organismo não consegue eliminar as enzimas liberadas, sobrecarregando principalmente os rins. Em casos graves, pode levar à insuficiência renal, necessidade de diálise e até à morte. Apesar de ser mais comum em pessoas sedentárias submetidas a esforço excessivo, especialistas alertam que qualquer pessoa pode desenvolver a condição, dependendo da intensidade do exercício e de fatores como hidratação e preparo físico.

O problema não está ligado a uma atividade específica, pode acontecer em práticas como musculação, crossfit, corrida ou pilates. Os médicos recomendam atenção a sinais como dor intensa fora do comum, inchaço, fraqueza e dificuldade de movimentação. A principal forma de prevenção é evitar sobrecarga, respeitar os limites do corpo e manter boa hidratação antes e após os treinos.

Juliana está bem, mas reforçou em entrevista ao G1 que poderia ter se colocado em risco ao ignorar os sinais do próprio corpo e demorar a buscar atendimento médico diante da intensidade dos sintomas.

PRESSA POR RESULTADOS AUMENTA O PERIGO

A busca por mudanças rápidas no corpo é um dos principais fatores por trás desses problemas. Treinos intensos, muitas vezes inspirados por redes sociais, são reproduzidos sem adaptação individual.

Além disso, cursos rápidos de formação e aulas padronizadas contribuem para um cenário em que a técnica nem sempre é priorizada. Em vez de progressão gradual, muitos praticantes são expostos a exercícios avançados logo no início.

ORIENTAÇÃO E EQUILÍBRIO

O exercício físico continua sendo essencial para a saúde, o risco está no exagero e na falta de orientação qualificada.

A recomendação é respeitar os limites do corpo, intercalar dias de treino e descanso e buscar acompanhamento profissional. Avaliações físicas e ajustes na intensidade ajudam a evitar sobrecargas.

Outro ponto importante é observar sinais do próprio corpo, dor persistente, cansaço extremo e queda de rendimento não devem ser ignorados.

O crescimento do pilates e de treinos intensos mostra que a busca por qualidade de vida segue em alta.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais